UFBA discute a criação de um observatório de direitos humanos

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A necessidade da criação de um observatório de direitos humanos na UFBA foi tema da mesa “O papel da Universidade na luta por memória, verdade e justiça”, no Congresso UFBA 2018. Representantes de diversos setores da comunidade universitária ressaltaram a necessidade de manter vivo o debate sobre direitos humanos no interior da Universidade.

O vice-reitor da UFBA, Paulo Miguez, afirmou a disposição da Universidade de seguir combatendo atitudes que violem os direitos humanos. “Reafirmo o compromisso da Reitoria de instalar um observatório, compreendendo que não há possibilidade de uma sociedade justa e democrática se os direitos humanos não forem colocados como algo que deve ser defendido por todos”, afirmou Miguez, na saudação que antecedeu o debate, manifestando apoio à criação do observatório.

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Mesa no Congresso da UFBA discutiu relação entre violações de direitos humanos e o descaso com a preservação da memória

A luta por reparação da memória, justiça e verdade é, para Mariluce Moura, assessora de comunicação e divulgação científica da Reitoria, além de um compromisso institucional, uma motivação que se mistura à sua história de vida. Em relato das suas experiências enquanto presa política e vítima da tortura à época da ditadura, Mariluce ressaltou o papel fundamental de iniciativas como o observatório, uma plataforma de produção de conhecimento e tomada de ações. Reiterando a fala do vice-reitor, ela reafirmou o compromisso de levar adiante a proposta. “A Reitoria defende firmemente a criação do observatório e entende que esse modelo deve ser democraticamente construído num processo de debate das forças que precisam estar nele representadas”.

Os debatedores reforçaram a importância de, num primeiro passo para a concretização do projeto, resgatar as memórias do passado. A criação do observatório deverá fazer parte do combate à “política do esquecimento” instaurada no pós ditadura, afirmou Leo Coutinho, integrante da Comissão Milton Santos de Memória e Verdade da UFBA. Trata-se, segundo ele, de uma forma de dar continuidade ao trabalho da Comissão e, também, uma “ferramenta de resistência e combate ao fascismo dentro da Universidade”.

Para Ivana Borges, do Instituto de Ciência da Informação, o debate evidencia a dimensão da responsabilidade da comunidade universitária em tornar a UFBA em um lugar capaz de agregar, em suas múltiplas funções, a preocupação com a sua história, memória, tempo presente e “construir mecanismos capazes de apurar a verdade, para que a justiça seja para todos”.

Foi consenso entre os participantes da mesa a necessidade de se criar um fluxo de informação capaz de disseminar entre a comunidade a produção de conhecimento que será fruto desse projeto. Para Ivana, essa ainda é uma fragilidade institucional que dificulta a tomada de ações, e percebe “a informação enquanto elemento principal para empoderar as pessoas” e ampliar o debate com a participação de docentes, estudantes, técnicos administrativos e comunidade em geral.

Responsável pela organização da mesa, Ícaro Jorge, estudante e Diretor de Direitos Humanos do Diretório Central dos Estudantes da UFBA, lembrou como racismo, machismo, lgbtfobia e marginalização constituem violações aos direitos humanos dentro e fora do ambiente universitário, e disse que o combate a essas formas de preconceito “é acima de tudo, defender a nossa existência. Essa é a importância do observatório, fazer com que nossos direitos sejam garantidos”.

O combate às violações dos direitos humanos também se mostra necessário no campo da produção de conteúdo e “luta diária através da comunicação”, segundo Ícaro, diante das ameaças causadas pela viralização de notícias falsas no cenário político atual.

 

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