Boas práticas para o gerenciamento compartilhado de resíduos químicos

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Processo de gerenciamento dos resíduos químicos envolve etapas de segregação, acondicionamento, rotulagem, armazenamento, pesagem, coleta e destinação final

Processo de gerenciamento dos resíduos químicos envolve etapas de segregação, acondicionamento, rotulagem, armazenamento, pesagem, coleta e destinação final

A Universidade Federal da Bahia produziu mais de 10 toneladas de resíduos químicos (RQs) em 2018, é o que aponta levantamento da Superintendência de Meio Ambiente e Infraestrutura (Sumai). São materiais provenientes das atividades de ensino, pesquisa e extensão, como líquidos inflamáveis, ácidos, solventes, vidraria e equipamentos de proteção individual descartados, que podem ser perigosos à saúde humana e representar riscos ao meio ambiente com a contaminação do ar, água, solo e áreas verdes.

Coordenador de Meio Ambiente da UFBA Antonio Lobo e equipe

Coordenador de Meio Ambiente da UFBA Antônio Lobo (em pé, à esquerda) e parte da equipe

Enquanto a Coordenação de Meio Ambiente da Sumai é responsável pelo gerenciamento externo desses resíduos, com a coleta e destinação final ambientalmente adequada, as unidades que os produzem têm a responsabilidade pelo gerenciamento interno dos resíduos, o que envolve as etapas de segregação, acondicionamento, rotulagem e armazenamento temporário até a coleta, incluindo a aquisição dos materiais necessários a cada uma delas (bombonas e tambores para acondicionamento, impressão de rótulos, etc).

O gerenciamento dos resíduos químicos começou a ser realizado na universidade de forma compartilhada a partir de 2014, explica o professor José Antônio Lobo, coordenador de Meio Ambiente da Sumai. Para isso, foi firmado contrato com empresa especializada Ambserv Tratamento de Resíduos, que realiza a coleta dos materiais nas unidades com frequência de 3 a 4 meses, quando os seus dirigentes são informados de que devem se preparar para a entrega dos resíduos. “Temos avançado muito no processo de gerenciamento junto às unidades para a destinação adequada desses resíduos” avalia Lobo.

De acordo com ele, o recolhimento e descarte dos RQs são feitos pela empresa  em caminhões que transportam esses materiais acondicionados em tonéis para aterro industrial classe 1, destinado a materiais perigosos.  Um estudo prévio mapeou as unidades geradoras de resíduos químicos e da quantidade produzida por cada uma, o que embasou o termo de referência para elaboração da licitação para contratação da empresa.

Gilmar Macedo, chefe do Núcleo de Recursos Naturais da CMA e fiscal do contrato, diz que atualmente 17 unidades são atendidas pela empresa especializada. Das quais o Instituto de Química é a maior unidade geradora, com mais de 11 mil quilos de material produzidos nos últimos dois anos. Também fazem parte desse grupo a Faculdade de Farmácia, o Instituto de Biologia, a Escola de Belas Artes, entre outras (veja quadro abaixo). A próxima coleta está prevista para a segunda semana de janeiro de 2019.

Quadro quantifica volume de resíduos gerados por cada unidade nos últimos dois anos

Quadro quantifica volume de resíduos gerados por cada unidade nos últimos dois anos

“Trabalhamos pela melhoria contínua do processo, sempre em contato com as unidades geradoras de resíduos visando a uma conscientização que leve a minimizar o consumo e descarte de substâncias como, por exemplo, os reagentes, e quando possível recuperar e reciclar os materiais utilizados ”, observa ele.

Os fiscais designados por cada unidade são responsáveis por divulgar as informações para todos os laboratórios e outras unidades internas geradoras de resíduos, de modo a fazer o levantamento do volume a ser recolhido.

“O diálogo com o fiscal de cada unidade é fundamental no compromisso para que os laboratórios sigam as rotinas de identificar com rótulos nas embalagens os componentes perigosos presentes e assegurar o acondicionamento das substâncias em recipientes e locais adequados”, disse Antônio Lobo.

Reunião de planejamento com os fiscais e Gilmar Mendes, do Núcleo de Recursos Naturais (no centro).

Reunião de planejamento com os fiscais das unidades e Gilmar Macedo (no centro), chefe do Núcleo de Recursos Naturais e fiscal do contrato.

“Agora estamos trabalhando na proposta de um manual com orientações básicas sobre a forma de manejar, separar e rotular esses materiais”, adianta o coordenador de Meio Ambiente.

É importante lembrar que a Lei Federal nº 9.605/1998 caracteriza como crime ambiental o manejo e descarte inadequado de resíduos perigosos, sujeitando o infrator pessoa jurídica à responsabilização administrativa, civil e penal e a pessoa física a pena de reclusão de 1 a 4 anos e multa.

A política ambiental da UFBA, cuja minuta está em fase de elaboração e será submetida à aprovação dos conselhos superiores, terá como um de seus itens exatamente o plano de gestão de resíduos da universidade, abrangendo tanto os materiais perigosos – a exemplo de substâncias químicas e resíduos de serviços de saúde – como os materiais biológicos e recicláveis, classificados como não perigosos. Deverá incluir ainda os temas da gestão dos recursos naturais e um plano de arborização para os campi.

O setor de projetos e obras da Sumai também está se esforçando para incluir abrigos para esse tipo de resíduos químicos nas novas edificações que contarão com laboratórios. Em alguns edifícios antigos, os técnicos do setor já elaboraram projetos para inclusão desses abrigos de resíduos perigosos.

Os materiais provenientes das atividades de ensino, pesquisa e extensão, como líquidos inflamáveis, ácidos, solventes, vidraria e equipamentos de proteção individual descartados, podem ser perigosos trazer riscos à saúde humana e ao meio ambiente

Os materiais provenientes das atividades de ensino, pesquisa e extensão, como líquidos inflamáveis, ácidos, solventes, vidraria e equipamentos de proteção individual descartados, podem ser perigosos à saúde humana e ao meio ambiente

Por fim, Lobo destaca a participação da equipe da CMA no 2º Fórum Baiano de Gestão Ambiental nas Instituições de Ensino Superior, que será realizado nos dias 6 e 7 de dezembro, na Universidade Federal do Recôncavo Baiano (UFRB), com o foco na gestão sustentável dos recursos naturais e resíduos. Aliás, o evento foi idealizado pela UFBA como forma de estimular a troca de experiências entre as instituições de ensino e servir como espaço para compartilhar as ações desenvolvidas pela universidade.

Ele avalia que é necessário continuar investindo em campanhas educativas para a conscientização ambiental de modo a superar a desinformação e garantir uma maior integração entre geradores, unidades e coordenação de Meio Ambiente para manejo e descarte seguros desse tipo de material, prevenindo riscos ambientais e à saúde pública.

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