Exposição “Oceano Presente”: um mergulho na Baía de Todos os Santos

Download PDF
ASC_0133

Visitante manuseia recipientes contendo exemplos de objetos que se tornaram lixo marinho (Ricardo Sangiovanni / ASCOM UFBA)

Um mergulho no mar da Bahia é item obrigatório na agenda de quem for dar um passeio na orla da Barra no próximo verão. Não o tradicional mergulho nas águas rasas e mornas do Porto da Barra – esse, por si só, irresistível – mas um mergulho mais fundo no mar de conhecimento existente acerca da faixa oceânica da Bahia, ao visitar a exposição “Oceano Presente: um olhar sobre Salvador e a Baía de Todos os Santos”, em cartaz até maio de 2019 no Museu Náutico da Bahia, no forte de Santo Antônio, que abriga o Farol da Barra.

ASC_0144

Garoto observa os diferentes tipos de areias das praias soteropolitanas (Ricardo Sangiovanni / ASCOM UFBA)

Inaugurada nesta semana, a exposição oferece ao público a oportunidade de conhecer e entender a dinâmica oceanográfica na orla soteropolitana e os impactos da ação humana sobre o ambiente marinho, e é o marco inicial de uma parceria entre o departamento de Oceanografia do Instituto de Geociências da UFBA e o Museu Náutico, ligado à Marinha. O acordo prevê a prestação de assessoria técnica dos professores do departamento à elaboração de material expográfico, palestras, participação na implementação de uma rota turística na Barra, atividades educacionais e de divulgação científica e colaboração para o desenvolvimento de material para o acervo do museu.

Rica em recursos visuais e interativos, a exposição resulta do esforço dos pesquisadores da Universidade de buscar aproximar do público leigo o denso conhecimento que eles produzem sobre o oceano. Crianças e adolescentes poderão observar os diferentes padrões de agrupamento das moléculas da água sob variadas temperaturas, comparar a diversidade de tamanhos e tipos de grãos que formam as areias de cada praia soteropolitana, e ver de perto objetos de uso cotidiano – como pneus, sapatos, dentaduras ou câmeras fotográficas – que perderam suas funções originais e tornaram-se indesejáveis poluentes do mar.

ASC_0010

Maquete mostra o acidentado relevo do fundo do mar da Baía de Todos os Santos (Ricardo Sangiovanni / ASCOM UFBA)

O público adulto terá a chance de entender um pouco mais sobre a dinâmica das correntes de água e de vento que influem sobre o movimento dos oceanos, observar mais de perto o acidentado relevo do fundo do mar da Baía (através de uma maquete colorida que, em breve, será enchida de água, para simular a entrada das embarcações), observar as principais espécies de corais existentes no litoral baiano e saber mais sobre as camadas geológicas onde se formaram as reservas de petróleo que tornaram, nos anos 1950, o Brasil um país produtor do item que move a geopolítica mundial.

ASC_0190

Da esquerda para a direita: Reuben Bello Costa, administrador do Museu Náutico; o reitor João Carlos Salles; a diretora do Instituto de Geociências, Olívia Oliveira; e o navegador Aleixo Belov (Ricardo Sangiovanni / ASCOM UFBA)

Entre as informações mais interessantes estão o conceito de “Amazônia Azul”, utilizado pela Marinha para caracterizar os 4,5 quilômetros quadrados de área oceânica (o equivalente à Amazônia) sob a responsabilidade do Estado brasileiro, que tem como ponto central justamente a baía de Todos os Santos, a terceira maior do Brasil; as características que tornam a baía um verdadeiro berçário para peixes e mariscos, como a rasa profundidade (94% inferior a 25 metros) e a contiguidade com muitos rios; e o acachapante dado de que, por ano, 8 milhões de toneladas de plásticos são despejados sobre os oceanos (o equivalente a algo entre 60 e 90% do lixo marinho).

ASC_0141

Casal observa maquete sobre movimentos das correntes de água oceânicas (Ricardo Sangiovanni / ASCOM UFBA)

A exposição tem ainda a função de apresentar ao público o Instituto de Geociências da UFBA – que, neste ano, comemora seu cinquentenário – e o curso de oceanografia, “com suas especificidades e potencialidades, [para] assim despertar, na sociedade, o desejo de cursar oceanografia”, segundo a diretora do Instituto, Olívia Oliveira. A abertura da exposição contou ainda com as presenças do reitor João Carlos Salles, que utilizou a oceanografia como exemplo ao saudar a universidade enquanto “lugar onde extraordinário onde se pode fazer, da nossa vocação, a nossa profissão”, do administrador do Museu Náutico Reuben Bello Costa e do navegador baiano Aleixo Belov, “referencial humano de amor ao oceano” e “eterno patrono” do curso, segundo a diretora Olívia.

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*
*
Website