Pós-graduação em Ciências Humanas comemora jubileu de grandes feitos

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Resolução 384 - 14 de dezembro de 1967

Portaria nº 384 de 14 de dezembro de 1967, emitida pelo então reitor Edgard Santos , que designou os coordenadores para os cinco primeiros mestrados da UFBA.

A celebração da riqueza, mediante a busca pelo conhecimento e da memória, em torno da realização de grandes feitos, deram a tônica da comemoração dos 50 anos de existência  do Programa de Pós-graduação em Ciências Humanas da Universidade Federal da Bahia, que reuniu o reitor João Carlos Salles, a ex-reitora Dora Leal Rosa e os professores Paulo César Borges, Maria Rosário de Carvalho e Nádia Guimarães, no auditório da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH), na segunda-feira, dia 10 de dezembro. O curso de pós-graduação stricto sensu –– que foi instituído pela portaria nº 384 de 14 de dezembro de 1967, emitida pelo então reitor Edgard Santos –– esteve entre os dois primeiros (o outro foi Química) que publicaram edital para inscrição de candidatos, no dia 29 de março de 1968 e, efetivamente, começaram a funcionar, naquele mesmo ano.

Ao longo de cinco décadas de funcionamento, o curso que teve como primeiro coordenador o professor Antônio Luís Machado Neto, formou centenas de mestres e traz, também, a honra de ser o único que tem dois reitores da UFBA entre seus egressos: o atual, João Carlos Salles e anterior, Dora Leal Rosa.  Para Salles “foi uma experiência singular e extraordinária conviver com professores que eram grandes figuras públicas em sua participação na sociedade”.  Em tom nostálgico, ele relembrou os acalorados debates que eram travados, nos quais “os professores eram personagens que não estavam num jogo de apenas cumprir créditos, mas de formação pelo próprio exemplo de atuação”.

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Dora Leal Rosa realiza pesquisa sobre a história da pós-graduação na UFBA.

A professora e ex-reitora, Dora Leal Rosa, que vem realizando uma pesquisa sobre a história da pós-graduação na UFBA, salientou que esse momento é de celebração dos grandes nomes e feitos importantes nas pós em Ciências Humanas, que precisam ser lembrados. Entre as lembranças, Salles citou o seu orientador de mestrado, o saudoso professor Ubirajara Rebouças e destacou o quanto “sua personalidade vivaz” contribuiu para a sua formação intelectual, juntamente com a “diversidade da biblioteca particular” do professor que franqueava a entrada a alguns de seus alunos.

Contribuindo com a galeria de figuras públicas, Dora citou os professores João Ubaldo Ribeiro, Perseu Abramo e Machado Neto, este com um papel de destaque, pois além de lecionar voluntariamente na Faculdade de Filosofia também era professor na Faculdade de Direito da UFBA. “Estudar essas memórias é muito importante para o nosso conhecimento atual”, afirmou, apontando as dificuldades no início da pós-graduação na UFBA, em que “os professores eram todos horistas.  Não havia dedicação exclusiva. Os docentes conciliavam a atividade na academia com o trabalho na indústria, por exemplo. Eram tempos difíceis, mas ricos na busca pelo conhecimento, as aulas eram prazerosas e a discussão de ideias era um hábito”.

A professora Maria Rosário, que terminou seu mestrado no ano de 1977, lembrou que na época o quadro de professores “era composto por heróis”, devido aos esforços realizados para a manter o programa.  Rosário estabeleceu uma distinção entre as ciências sociais e a antropologia na atual pós-graduação na UFBA e afirmou que “muito mais que os embates intelectuais, os laços afetivos estabelecidos”, ao longo da sua jornada foram muito importantes para sua formação.

Nádia Guimarães que está à frente da Fundação Perseu Abramo, também reverenciou a memória dos primeiros mestres.  Além disso, ela apresentou uma análise do texto da dissertação de Abramo sobre Sociologia do Trabalho, cujo original foi finalizado ainda no de 1968, embora Perseu Abramo só viesse a receber o título de mestre no ano de 1971, pois que o material ficava sujeito à liberação para titulação pelos pareceristas, informou Guimarães.

Apesar de ter sido escrito há cinco décadas, o material traz uma discussão atual, sintonizada com o momento em que estamos vivendo no mundo sócio-político, disse. O texto traz uma farta discussão sobre a literatura da sociologia do trabalho e é altamente didático, pontuou, enfatizando que “parece ter sido escrito para seus alunos”.

 

Tempos áureos

Apesar de haver conflitos e competição por espaço, e prestígio, os primeiros anos da pós-graduação em Ciências Humanas também foram marcados pelo espírito de tolerância epistemológica, colaboração, personalismo e criatividade.  Ao relembrar esses valores, o reitor da UFBA contrapôs com atual momento dos cursos de pós-graduação, em que a formação é baseada na “cultura de papers” e desse modo, os estudantes perdem o contato com as grandes obras que promovem o trabalho do pensamento.

“Eram tempos em que os argumentos e as ideias eram muito caros foi uma contribuição decisiva no cultivo de minha ideia de universidade”, disse Salles, citando que sua dissertação estudou o pensamento do filósofo Emile Durkheim.  A convivência, a troca de ideias eram fundamentais e de grande importância nas primeiras turmas, salientou Dora, baseadas na sua experiência e nos achados de sua pesquisa sobre a pós-graduação na UFBA.

 

 

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