Pesquisadores analisam conjuntura e enxergam dificuldades para a pesquisa na Universidade

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Maurício Barreto: o cerceamento da universidade virá pelo corte de verbas que interferirá na liberdade de ensino e escolha de temas de pesquisa.

“O processo de redemocratização da sociedade brasileira tem feito avanços, ainda tímidos, em busca de equidade social”, disse o professor do Programa de pós-graduação em Saúde Coletiva professor Maurício Barreto,  recentemente, em debate sobre “A conjuntura nacional e as repercussões sobre a Universidade”, que o reuniu com os pesquisadores Jairnilson Paim e Raquel Neri, como atividade integrante da  abertura do primeiro semestre no Instituto de Saúde Coletiva.

Ao abordar a questão das universidades públicas, Maurício Barreto, que também é  coordenador do Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs) da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), observa que o atual Ministério da Educação deve cerceá-las através do corte de verbas e interferindo na liberdade de ensino e escolha de temas de pesquisa. Ele lembrou da massa de novos doutores que podem ficar desempregados nos próximos anos.

Sobre o contexto histórico que levou ao tema do debate, Maurício Barreto falou sobre os problemas do segundo mandato de Dilma Roussef, “Depois de 12 anos de governo do PT o partido precisou indicar um conservador, o economista Joaquim Levy, para gerir a economia. Ela deu sinal verde para se estabelecer a loucura nacional e aí vem todo o imbróglio e articulações que levaram à eleição de Bolsonaro”.

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Jairnilson Paim refletiu sobre a tragédia brasileira com o recrudescimento de ideias reacionárias.

Jairnilson Paim, professor titular do Instituto de Saúde Coletiva citou o livro “O eterno retorno do fascismo”, que fala sobre as diversas formas que o fascismo se apresenta na América Latina e na Europa, para ilustrar o atual momento que o Brasil vive. Paim fez uma breve reflexão sobre como discussões focadas na conceituação do fenômeno podem ter ajudado no recrudescimento de ideias reacionárias no Brasil.

“Nós estamos vivendo uma tragédia brasileira”, disse Paim e reforçou o aspecto global dos conflitos que o país está vivendo com a Venezuela. O professor lembrou que o Brasil não se envolve em disputas na fronteira desde 1965, durante a ditadura militar, e criticou a submissão do país aos Estados Unidos “isso vai muito além do povo brasileiro”.

Consequências

A professora Raquel Nery, presidente da Associação de Professores Universitários da Bahia (Apub), falou sobre o cenário cultural que deu origem à eleição de Bolsonaro. Para ela, a aura da universidade está comprometida pela desvalorização do trabalho acadêmico através de um grupo que mesmo sem poder de tomar decisões diretas já está e continuará influenciando os ministros do governo Bolsonaro.

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Raquel Nery lamentou o comprometimento da aura da universidade e a desvalorização do trabalho acadêmico.

Citando Olavo de Carvalho, um dos maiores “teóricos” da gestão, como exemplo, Nery disse que “ele representa alguém que não está na acadêmica mas age como se fosse um acadêmico, que não é formado em filosofia mas age como se filósofo fosse”.

Outro ponto citado foi a extensão das ideias difundidas pelo projeto “Escola sem partido” para o ambiente universitário, situação que já gerou casos em alguns institutos da UFBA. A pesquisadora demonstrou a sua preocupação e de outros docentes “Isso nos atinge e a nossa preocupação é o adoecimento das pessoas. Elas se sentem ameaçadas, intimidadas e isso afeta nosso labor”.

 

 

 

 

 

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