Roda de conversa reflete sobre violência contra a mulher também no âmbito da universidade

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Débora Chagas alertou para as violências contra a mulher que não são físicas – a psicológica e a patrimonial.

“Em briga de marido e mulher não se mete a colher” já não é mais uma frase aceitável atualmente. Nos últimos anos, o combate à violência contra a mulher tem se fortalecido e, como parte importante da sociedade, a universidade não pode deixar de contribuir. Na manhã do dia 26 de março foi realizado o #FalaServidor, uma palestra com roda de conversa, com o tema “Violência contra a mulher e feminicídio em 2019”. O momento, organizado pelo Núcleo de Qualidade de Vida no Trabalho da Pró-Reitoria de Desenvolvimento de Pessoas (Prodep) contou com a presença da professora do departamento de Estudos de Gênero e Feminismo, da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA (FFCH) Maíra Kubik e da psicóloga Débora Chagas.

Em sua abordagem, a psicóloga que é especialista em traumas, Débora Chagas, focou nas violências contra a mulher que não são físicas – como a psicológica e a  patrimonial. Segundo ela, o estresse pós-traumático pode aumentar as chances de a mulher se envolver em relacionamentos abusivos, por ela estar vulnerável emocionalmente, o que pode gerar uma relação de dependência emocional com o agressor. As agressões não físicas, segundo ela, em geral precedem a violência física e o feminicídio, mas muitas vezes, podem passar despercebidas pelas mulheres em situação de violência.

Outro aspecto comentado foi o sentimento de solidão pelo qual passam muitas mulheres. “Uma das coisas mais difíceis para a mulher vítima de violência é não receber atendimento em lugar nenhum. Uma das coisas que o agressor faz é isolar a vítima, e existe um olhar punitivo dos outros para elas. Eu acredito que nossa postura para com essas mulheres é de deixar sempre, a porta aberta para ajudar quem está nessas circunstâncias e não matar a pessoa em vida”, disse a psicóloga.

 

Violência contra a mulher na Bahia e na universidade

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Maíra Kubík: “A universidade é um espaço atravessado pelas relações sociais, portanto, não é livre de violência”.


“A universidade é um espaço atravessado pelas relações sociais, portanto, não é livre de violência. Fazer esse debate dentro da universidade é fundamental para que nós possamos enxergar que tudo o que acontece lá fora, também acontece aqui dentro”, disse a professora e jornalista Maíra Kubík.

Durante o evento, foi reforçada por ambas as convidadas, a importância de se falar sobre a violência contra a mulher, tanto fora como dentro da UFBA e uma das conclusões a que se chegou com a roda de conversa iniciada por Kubík é de que a estrutura social leva a situações que favorecem a violência contra as mulheres, desde a infância até a vida adulta.  Para elas, coletivos de mulheres e eventos como esse, dentro da universidade, são importantes para a difusão de informações e experiências dentro do ambiente acadêmico –que também não é livre da violência.        

Com a realização de uma dinâmica, a professora mostrou como todos os membros da sociedade estão envolvidos numa rede de violência. Foi um momento de comoção, já que todos os participantes lembraram que conhecem uma mulher que está ou estava em situação de violência: viva ou morta.

Segundo dados de 2015, retirados do “Panorama da violência contra as mulheres no Brasil: indicadores nacionais e estaduais”, realizado pelo Observatório de Violência Contra a Mulher e pelo Instituto de Pesquisa DataSenado, a Bahia registrou naquele ano 63,7 por 100 mil relatos de violência por grupo de mulheres, através do Ligue 180 – Central de Atendimento à mulher. Também de acordo com o panorama, o estado tem 4,9 de 100 mil casos de homicídio, sendo a taxa de 2,5 contra mulheres brancas e 5,3 contra pardas e pretas. “A universidade é um espaço de pesquisa e de pensamento crítico, podemos, além de fazer o diagnóstico, refletir maneiras de interagir na sociedade para enfrentar esse fenômeno”, disse Kubík.

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