Universidade precisa elaborar diagnóstico sobre seu papel no sistema das ciências e tecnologias

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Atividade integrou o Colóquio “Democracia como valor universal: 40 anos de batalha de ideias”, realizado na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (FFCH/UFBA).

O papel da universidade na elaboração de um projeto democrático para o Brasil esteve no centro das discussões do debate “Universidade e Democracia”, que aconteceu na manhã do dia 02 de abril, como atividade integrante do Colóquio Democracia como valor universal: 40 anos de batalha de ideias.   “A necessidade de saber como a universidade pública estará inserida no sistema de políticas das ciências e tecnologias para o Brasil, é um tema urgente para este momento do século XXI, no Brasil”, destacou o professor da Universidade de São Paulo, Ricardo Ribeiro Terra, na mesa de discussões com João Carlos Brum Torres, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

Durante o evento, que foi promovido pelos programas de pós-graduação em Filosofia e em Relações Internacionais, Terra acentuou que é preciso pensar a democracia na universidade e como ela entra num projeto de ensino de ciência e tecnologia.  Para tanto, ele acredita que é fundamental traçar um perfil da atual configuração das instituições públicas de ensino superior no Brasil, pois o conhecimento de universidades que temos data dos finais dos anos de 1960 e 1970”.  Com bases em tais informações, será possível elaborar um projeto de universidade com ações estratégicas que exigem amplos diagnóstico e imaginação científica, disse, alertando que, se não for assim, vamos ficar repetindo erros do passado”.

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Ricardo Terra: “é preciso pensar a democracia na universidade e como ela entra num projeto de ensino de ciência e tecnologia”.

“Ou faremos um diagnóstico para conhecer a real situação da universidade ou não teremos um lugar no mundo”, alertou, completando que “fazer esse diagnóstico é um problema muito complicado”.  Para justificar esse ponto, o professor lembrou do “corporativismo da carreira universitária”, que impede pensar e elaborar uma frente democrática para discutir um projeto democrático de universidade para o país”.  Por outro lado, ele criticou o modelo de supervalorização da pesquisa e desvalorização do ensino e da extensão:  “recebe mais financiamentos quem publica mais artigos”.

Na advertência relacionada à união da pesquisa com o ensino, ele defendeu a existência de uma avaliação capaz de realmente beneficiar quem faz algo inovador e dar possibilidade de não retirar dinheiro de quem realmente tem áreas que funcionam como “aumentar os investimentos nas áreas de engenharia e geociências da UFBA e firmar parcerias com a produção do petróleo, a fim de alcançar visibilidade internacional”, assegurou.

Desafios para a universidade no século XXI

O professor da USP, Ricardo Terra chamou atenção para os desafios que a universidade já enfrenta neste século XXI: exigências para localizar o Brasil no curso produtivo e tornar a universidade como centro de pesquisa, em meio ao “capitalismo cognitivo” ou da “subjetividade produtiva”. Outro desafio são os ataques às ciências e tecnologias por forças ideológicas como o relativismo desconstrutivista, debatendo o que é e o que não é ciência; as fake news científicas com falsas promessas de ciências e descobertas que não se concretizam e a inserção de elementos da pseudociência como criacionismo, design inteligente, homeopatia, antivacina, escola em casa e etc… “E qual seria o papel da universidade pública nesse debate?”, indagou o professor, sustentando que “a instituição deve participar da demarcação do que é ciência e do que não é, a fim de sabermos que futuro vamos ter”.

 

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