Jazz, bate-papo e encantamento nos Ensaios Abertos da Escola de Música

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O projeto Ensaios Abertos propõe o diálogo com elementos de diversas culturas, com um bate-papo informal com quem entende de música e admiradores das artes, em um misto de recitais e palestras

O projeto Ensaios Abertos da Escola de Música propõe o diálogo com elementos de diversas culturas e um bate-papo informal com quem entende de música e admiradores das artes, em um misto de recitais e palestras

A história centenária de um estilo musical, o jazz – que surgiu alvo de preconceitos e segregado a poucos espaços restrito aos músicos e às plateias negras nos Estados Unidos, e que depois conquistaria o mundo – foi tema da primeira edição dos Ensaios Abertos da Escola de Música (Emus) da UFBA, na quarta-feira, 24 de abril.

Na abertura do evento, o professor Heinz Karl Schwebel, idealizador do projeto, destacou o propósito de dialogar com elementos de diferentes culturas, arejar a produção musical e propiciar um bate-papo informal com quem entende de música e admiradores das artes, em um misto de recitais e palestras. Os encontros, programados para acontecer em uma quarta-feira de cada mês no auditório da Emus, são tocados por docentes da Escola e abertos ao público.

O professor Joatan Nascimento comandou a apresentação do repertório que ajudou a contar a história do jazz

O professor Joatan Nascimento comandou a apresentação do repertório que ajudou a contar a história do jazz na primeira edição do evento

O professor Joatan Nascimento comandou a apresentação do repertório que incluiu desde as canções de Richard Rodgers, “My Romance”, e Charlie Parker, “Billie´s Bounce”, a “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes. Foi acompanhado na performance por Matias Traut no trombone, Ivan Huol na bateria, Alexandre Vieira no contrabaixo, e Luizinho Assis no piano.

Segundo o Joatan, “Chega de Saudade” foi composta com a sofisticação harmônica encontrada no jazz norte-americano. A canção, imortalizada por João Gilberto, é emblemática da Bossa Nova, gênero que foi fortemente influenciado pelo estilo e que, por sua vez, devolveu a influência trazendo novidades à linguagem jazzística, promovendo o reconhecimento da música do Brasil no cenário internacional. “Isso foi um dos fatores que ajudou a popularizar a Bossa Nova no mundo”, avalia.

Ele lembrou que as raízes do jazz estão na cultura afro-americana e falou sobre a trajetória de reconhecimento dessa manifestação artística com o lançamento dos primeiros selos para o público negro, sua aproximação com a música pop e suas influências no rhythm and blues, funk e soul.

Se o jazz se inspirou em diversas culturas, também se adaptou a vários estilos musicais e influenciou a música produzida em muitos países. Essas influências estão evidentes em clássicos da música argentina (Oblivion, de Astor Piazzola), italiana (Estate, de Bruno Martino e Bruno Brighetti), e francesa (Autumn Leaves, de Joseph Kosma) que foram executadas pelo conjunto. “É um percurso que mostra que o jazz, a música de improviso, acontece em todo o mundo com características próprias de cada lugar”, avalia.

Repertório da apresentação incluiu desde as canções de Richard Rodgers, “My Romance”, e Charlie Parker, “Billie´s Bounce”, a “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Repertório da apresentação incluiu desde as canções de Richard Rodgers, “My Romance”, e Charlie Parker, “Billie´s Bounce”, a “Chega de Saudade”, de Tom Jobim e Vinicius de Moraes

Nos anos 1950, os músicos americanos incorporaram sonoridades da música caribenha, também marcada pela cultura e sonoridades africanas. “Até hoje, temos um jazz latino muito forte por conta dessa relação”, afirma o professor. A canção “Tin Tin Deo”, do saxofonista cubano Chano Pozo, em parceria com Dizzy Gillespie e Gil Fuller, foi outra que fez parte do repertório.

O caráter improvisativo do jazz foi celebrado em teoria e prática. Professor da disciplina Improviso, Joatan destaca a liberdade criativa que o jazz estimula. Ele considera que o seu reconhecimento enquanto arte surge exatamente a partir da fusão de discursos musicais diversos, e também por sua estética, harmonia e riqueza de elementos.

O professor ressaltou que a música improvisada sempre existiu em diversas culturas. Essa prática ficou popular nos Estados Unidos com o nome de jazz, que, na sua avaliação, é um marco na cultura ocidental, por permitir uma infinidade de possibilidades criativas e grande liberdade artística aos músicos.

Público presente na tarde da última quarta-feira, formado em sua maioria por estudantes de Música, aplaudiu encantado a cada momento de improvisação e amor à música

Público presente na tarde da última quarta-feira, formado em sua maioria por estudantes de Música, aplaudiu encantado a cada momento de improvisação e amor à música

Joatan ponderou que o curso de música popular da Emus optou por dedicar-se ao estudo da música brasileira em toda a sua riqueza, por isso, não tem o foco em numa estética jazzística. Aos interessados no tema, ele oferece a disciplina Improvisação, como uma possibilidade de entrar em contato com elementos desse estilo musical e desenvolver a técnica, que pode ser aprendida e não depende apenas de talento. “Não é algo milagroso. Podemos aprender isso e manusear os diversos elementos que compõem uma cultura musical”, garante.

O público presente na tarde da última quarta-feira, formado em sua maioria por estudantes de Música, aplaudiu encantado a cada momento de improvisação e amor à música. As duas próximas edições dos Ensaios Abertos neste semestre serão realizadas nos dias 15 de maio, com Flávia Albano e as Canções Alemãs, e 19 de junho, com Beatriz Aleisso e “Amigos do Rei” – A história do repertório do rei dos instrumentos, o piano.

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