Recifes de corais: cidades da vida marinha em risco de extinção

Download PDF
Biodiversidade-marinha-da-Costa-do-Descobrimento_creditoAthilaBertoncini

Biodiversidade marinha da Costa do Descobrimento (foto: Athila Bertoncini)

Você sabia que corais são animais e não pedras? Essa e outras perguntas sobre essas espécies sem os quais parte da vida marinha não existiria, e que estão em risco de extinção, foram respondidas na palestra “Recifes de corais: cidades submersas”, da professora Zelinda Leão, do Centro Interdisciplinar de Energia e Ambiente do Instituto de Geociências da UFBA. A palestra abriu o 1º Workshop de Recifes Fósseis e Modernos da Bahia, no dia 28 de maio.

Um prédio e um recife de corais são locais “construídos” para abrigar seres vivos, compara a professora Leão. A confusão com pedras se deve ao esqueleto externo e calcário que esses animais têm, que serve para proteger o pólipo, a parte mole do coral. Nesses “prédios”, também vivem algas fotossintetizantes, em uma relação benéfica para ambas as partes. Através da fotossíntese, as algas produzem substâncias importantes para a vida dos pólipos, e esses liberam nutrientes para o crescimento das algas. Por isso, é mais comum que os corais sejam encontrados nas partes rasas da água, mais próximas da luz.

Segundo o Ministério do Meio Ambiente, cerca de 65% dos peixes do mar vivem em recifes de coral. Os corais brasileiros são os únicos do atlântico sul e abrigam diversas espécies de peixes, moluscos, crustáceos e outros que vivem em suas estruturas, ainda segundo o site do Ministério. Atualmente, o estado da Bahia tem 13 áreas de preservação de ambientes de recife, sendo a mais recente a área de proteção ambiental da Plataforma Continental do Litoral Norte, criada em 2003, que vai do Farol de Itapuã até a divisa com Sergipe.

Na lista de benefícios para os humanos proporcionados pelos corais – desde que extraídos de forma não predatória, obviamente -, destacam-se aspectos econômicos e médicos. Entre os exemplos citados pela professora Zelinda Leão, estão a utilização de corais para a fabricação de jóias, a própria pesca (já que grande parte dos peixes vivem em corais), o turismo ecológico e o estudo sobre a utilização de corais no transplante de ossos faciais.

Entre as ameaças naturais, estão espécies predadoras de corais, como o caso da infestação de estrelas do mar na Grande Barreira de Corais da Austrália, e desastres naturais. Mas o perigo mesmo são as ameaças criadas pela própria humanidade, como a retirada predatória, o lixo jogado no mar, os derramamentos de óleo e a ancoragem de navios.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*
*
Website