Evento na Faculdade de Direito celebra a memória de Waldir Pires

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O reitor João Carlos Salles, ao lado da professora aposentada Marília Murici e do professor de direito José Ponciano

A defesa da democracia como instrumento para alcançar maior igualdade social foi a principal marca da trajetória intelectual e política de Waldir Pires (1926-2018), celebrada em um evento na Faculdade de Direito, onde ele se formou, na quinta-feira (13).

O encontro contou com a presença do reitor João Carlos Salles e teve como convidados especiais Ana Cristina Pires, filha de Waldir, e o professor aposentado da UFBA Emiliano José, biógrafo do político. “A figura de Waldir nos irmana em um momento em que estamos sendo desafiados em nossas biografias. Não podemos ser a geração que assistiu passiva ao desmonte da universidade no Brasil”, afirmou Salles.

Destacado ator da vida política brasileira, desde os anos 1960, quando foi consultor-geral do presidente João Goulart, até o início deste século, quando atuou como ministro da Defesa no governo Lula, Waldir também foi professor universitário, primeiro na Universidade de Brasília, depois, na Universidade de Dijon, na França, entre 1966 e 1970, período em que esteve exilado.

Para o professor da Faculdade de Direito João Ponciano, organizador do evento, Waldir Pires foi o que chamou de “um centro de utopia”. “A utopia serve para nos animar a continuar a caminhar, e ele era precisamente isso”, disse Ponciano, enfatizando o cuidado que Waldir sempre teve de cultivar uma disciplinada rotina de estudos, fonte do embasamento intelectual que marcava sua atuação política.

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Ana Cristina, filha de Waldir Pires, ao lado do biógrafo do pai, Emiliano José, e do professor de direito João Ponciano

“Waldir era uma enciclopédia: não falava nada sem, antes, estudar”, afirmou o biógrafo Emiliano José. Autor do livro “Waldir Pires: biografia” (Versal Editores), cujo primeiro volume foi publicado no ano passado, e o segundo encontra-se no prelo, Emiliano rememorou episódios da trajetória de Waldir desde os tempos de estudante no Colégio Central, onde já revelava a veia de orador. “Era uma fala de menino que apontava rumos para a humanidade. A mensagem era de que ‘nós podemos mudar o mundo'”, observou o biógrafo.

Ao lembrar a influência que o intelectual trabalhista britânico Harold Laski teve no pensamento e na atuação de Waldir, Emiliano recordou que o político baiano foi um socialista que “jamais aderiu à ditadura do proletariado”, e que defendia a consolidação da democracia “enquanto valor civilizatório fundamental”, base da luta por igualdade social.

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