Emiliano José lança segundo volume da biografia sobre Waldir Pires

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Com uma trajetória de mais de 50 anos dedicados à atividade política, Waldir Pires protagonizou momentos importantes na história do país

Com uma trajetória de mais de 50 anos dedicados à atividade política, Waldir Pires protagonizou momentos importantes na história do país

O lançamento do segundo volume da biografia de Waldir Pires, assinada pelo escritor, jornalista e professor aposentado da UFBA Emiliano José, acontece no próximo dia 15 de agosto, a partir das 17 horas, no Palácio Rio Branco, no Campo Grande. O livro “trata da história política mais recente de Waldir, as conquistas e percalços, os embates e a luta”, afirma o autor, que pesquisou a fundo a trajetória de mais de 50 anos dedicados à atividade política do político baiano que protagonizou momentos importantes na história do país.

Se no volume inicial de sua biografia são destacados momentos épicos – como quando Waldir enfrentou o golpe militar e, junto com Darcy Ribeiro, foi o último representante do governo eleito de João Goulart a sair do Palácio do Planalto, na tentativa de defender a democracia, no ano de 1963 –, o segundo volume apresenta as suas contribuições na resistência democrática e os desafios da vida pública.

No segundo volume, produzido pela Versal Editores, Emiliano José retoma a história do biografado a partir 1979, abordando momentos como a sua candidatura ao Senado, em 1982, a sua atuação na construção do MDB e na campanha das Diretas Já, a eleição para o governo do Estado da Bahia, em 1986, e a renúncia para disputar as eleições presidenciais de 1989. Também são destacadas a sua eleição e reeleição para deputado federal nos anos 1990, e o último cargo público ocupado por ele na carreira política, com o mandato de vereador na Câmara Municipal de Salvador, concluído em 2016.

A sequência completa a narrativa sobre a trajetória de Waldir, iniciada no primeiro volume, lançado no ano passado, que conta desde o seu nascimento, em 1926, até a retomada de seus direitos políticos após o fim do AI-5, em 1978. O segundo volume retoma a narrativa desse ponto, até o ano de sua morte, em 2018, aos 91 anos.

Emiliano recorda que, após retomar seus direitos políticos, Waldir assumiu a liderança das oposições na Bahia e foi eleito com quase 1 milhão de votos para o senado em 1982, duas décadas depois da última candidatura ao cargo. “Isso significou o reconhecimento do povo baiano ao seu retorno”, ressalta. Sobre a campanha que o conduziu ao governo da Bahia, Emiliano diz que: “em 1986, tem-se a mais bela campanha política que a Bahia já conheceu, com a semeadura de sonhos e esperança. É algo que ficou na história, rompendo com um longo período de arbítrio, autoritarismo e violência na política baiana. Waldir era a antítese disso tudo”.

O autor destaca a postura ética de Waldir à frente do cargo e a sua contribuição com obras importantes, a exemplo do Hospital Geral do Estado, que foi construído durante o mandato ocupado por 2 anos e 5 meses, até a renúncia para concorrer a vice-presidente na chapa formada com Ulysses Guimarães, nas primeiras eleições diretas para presidente do Brasil após o golpe militar.

“A renúncia, do ponto de vista político, é o momento mais controverso em sua vida”, analisa o autor, que cita a pressão de outros governadores do PMDB para que Waldir concorresse nas eleições presidenciais, por entender que o seu nome fortaleceria a candidatura. “Foi uma atitude tomada com o propósito de enfrentar o cenário político complicado que o país estava atravessando naquele momento”.

Waldir Pires e Ulysses Guimarães

Ulysses Guimarães e Waldir Pires, em comício pelas Diretas Já

Sobre o mandato na Câmara Municipal de Salvador, último em sua trajetória política, o biógrafo destaca que Waldir, “no outono da vida”, queria falar diretamente com o povo e com a juventude. Emiliano fala de um vereador atuante e muito respeitado por seus adversários políticos, disposto ao diálogo e que assumiu o mandato em um gesto extraordinário de amor à cidade que, conforme ele recordava, lhe permitira conhecer o mar. “Waldir dizia que política é civilização e respeito aos adversários”, relembra Emiliano, para quem, sem a política, tem lugar a barbárie.

O exemplo de um homem na luta pela democracia – e que entendia a democracia, por sua vez, como a luta pela igualdade social – é destacado ao longo de toda a biografia. Destaca-se, entre outras tantas, sua passagem pela Controladoria-Geral da União (CGU), entre 2003 e 2006, onde foi decisivo para a criação do Portal da Transparência, das leis que tornaram obrigatórios portais estaduais e municipais de acesso às contas públicas e do programa de fiscalização das verbas federais repassadas aos municípios, medidas fundamentais para a luta contra a corrupção no país. Waldir também ocupou Ministério da Defesa, entre 2006 e 2007.

Emiliano conta que Waldir esteve presente no lançamento do primeiro volume de sua biografia, no dia 14 de junho do ano passado. “Foi um momento muito emocionante. Já debilitado, ele fez questão de comparecer e recebeu um volume. Quase uma semana depois, no dia 22, faleceu”.

No capítulo final, o autor traz uma última mensagem de Waldir Pires: “Encerro minha vida parlamentar aos 90 anos, mas, não encerro minha luta. Derrotados são os que deixam de lutar”. Para o autor, essa frase é a síntese da existência do homem público que sempre esteve na luta pela democracia e justiça social, independente das dificuldades enfrentadas. “Gostaria que houvessem outros como Waldir. Estão fazendo falta homens com a coragem, a serenidade e a lucidez dele. É o momento das forças democráticas se unirem para salvar a nação e conter as políticas em andamento de retirada dos direitos dos trabalhadores, de ameaças à liberdade de imprensa e aos direitos fundamentais”, finaliza.

Sobre o autor

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O professor aposentado e biógrafo de Waldir Pires, Emiliano José

Emiliano José iniciou a sua trajetória pública como militante estudantil e ocupou a vice-presidência da União Brasileira dos Estudantes Secundaristas (UBES). Assim como Waldir Pires, fez resistência à ditadura militar e foi preso, período em que escreveu um de seus livros, “Memórias do Mar Sem Fim”. É também autor de biografias de líderes revolucionários como Carlos Marighela e Carlos Lamarca.

A obra sobre Waldir Pires é resultado do trabalho realizado em meio a inúmeros livros, jornais, revistas, documentos históricos e longas entrevistas gravadas com depoimentos do biografado. Emiliano conta que também visitou os lugares que ele nasceu, viveu durante a infância e estudou na juventude.

Além da atividade jornalística e mais de 20 anos dedicados à carreira docente na Faculdade de Comunicação da UFBA, Emiliano José tem também uma trajetória política que se desenvolveu ao longo das últimas décadas, assumindo mandatos como vereador, deputado estadual e federal. Em 2017, foi nomeado superintendente de Apoio e Defesa aos Direitos Humanos, da Secretaria de Justiça, Direitos Humanos e Desenvolvimento Social do governo da Bahia.

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