Sem melhorias na infraestrutura das cidades, selo da Unesco não garante turismo

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Já pensou em como a história e a natureza do Brasil podem ser usadas em prol da economia? Uma das possibilidades para isso foi apresentada por João Paulo Avelãs, professor da Universidade de Coimbra, durante a palestra “Patrimônio Cultural, museus e desenvolvimento: o patrimônio mundial da Unesco”, que foi parte da programação de 60 anos do Museu de Arte Sacra da UFBA.

Em sua palestra, Avelãs abordou como o selo de patrimônio pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) pode tornar as cidades um polo de atração turística, apresentando o exemplo de Lisboa, hoje uma das dez cidades mais visitadas da Europa – o que vai de encontro à visão de que rendimento financeiro, pesquisa e cuidado com o patrimônio não andam juntos.

Citando o exemplo de Lisboa, que recebe 6 milhões de turistas por ano, Avelãs falou sobre como a cidade teve que se reorganizar para receber grandes volumes de pessoas, pois não basta apenas conseguir o selo da Unesco. Por conta da atividade turística, medidas  de segurança e transporte públicos, que também beneficiam a população local, foram tomadas para receber os visitantes, e promoveram aquecimento dos setores de comércio e hotelaria.

P_20190827_145608No Brasil, existem 22 patrimônios mundiais materiais reconhecidos pela Unesco: 15 culturais e 7 naturais, entre eles o Centro Histórico de Salvador. Tombado em 1985, o Centro Histórico pertence à lista por sua importância para a história do Brasil e é considerado uma das chaves para entender a arquitetura das colônias portuguesas e a dinâmica da cidade, separada em cidade alta e cidade baixa por uma falha geológica.

Inicialmente, a Unesco foi pensada como uma forma de manter as narrativas de soberania nacional após a segunda guerra, mas, com os avanços nos estudos de história e museologia, outras possibilidades se delinearam. Um dos questionamentos feitos por João Paulo Avelãs foi sobre as denominações patrimônio cultural “material” e “imaterial” (ou intangível).

De acordo com informações retiradas do site da Unesco, o patrimônio cultural imaterial diz respeito a prédios, sítios de valor estético, histórico ou arqueológico e outros espaços similares, enquanto o patrimônio cultural imaterial é relacionado às expressões de vida e tradições das comunidades. Segundo Avelãs, muitas vezes as duas categorias eram vistas de forma dividida ou como uma tendo mais valor que outra, “mas o que torna um patrimônio material importante são suas imaterialidades” disse ele, citando o exemplo das igrejas, que, sem o significado religioso, talvez não fossem importantes.

A Unesco pertence à Organização das Nações Unidas (ONU) e é a entidade responsável por garantir colaboração intelectual entre os países do mundo. Em parceria com o estado e a sociedade civil, a Unesco auxilia na formulação de políticas públicas com base nas metas dos Estados membros da ONU.

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