Grupo CULT promove amplo mapeamento cultural da UFBA

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Grupo se apresenta na Escola de Teatro durante o congresso da UFBA, em 2016

Apresentação na Escola de Teatro durante o Congresso da UFBA, em 2016

Está em andamento na UFBA um amplo mapeamento cultural, projeto de pesquisa conduzido pelo Grupo de Estudos Multidisciplinares em Cultura (CULT), do Instituto de Humanidades, Artes e Ciências professor Milton Santos (IHAC), que vai identificar atividades de ensino, pesquisa e extensão ligadas ao campo da cultura, produções artísticas e infraestruturas existentes para atividades culturais na universidade.

“A UFBA tem uma marca profundamente cultural em sua trajetória. Ela dispõe de um leque bastante amplo e diversificado de cursos atentos a temas como: cultura, artes, patrimônio, gestão da cultura, políticas culturais etc. Ela foi pioneira na implantação de cursos nestas áreas tanto na pós-graduação, quanto na graduação. A implantação das escolas de arte, dos estudos das culturas afro-baianas e agro-brasileiras, das dimensões das políticas e da gestão culturais é algo que marca e singulariza a história da UFBA”, afirma o coordenador do grupo CULT, professor Antônio Albino Rubim.

Ele explica que a pesquisa, realizada em acordo com a Reitoria, será uma etapa prévia e fundamental para a construção democrática do plano de cultura da UFBA. “O trabalho vai servir de subsídio para a construção desse plano, a partir de uma visão clara e abrangente da realidade da cultura na universidade”, afirma o coordenador da pesquisa, que avalia que a iniciativa deve estimular uma maior articulação entre as atividades e instituições culturais e potencializar a atuação cultural da universidade.

O mapeamento cultural da UFBA é realizado pelo grupo CULT, coordenado pelo professor Albino Rubim

O mapeamento cultural da UFBA é realizado pelo grupo CULT, coordenado pelo professor Albino Rubim

Será realizado o mapeamento de toda atuação cultural da UFBA, incluindo desde  projetos permanentes e já consagrados como a Orquestra Sinfônica e o Madrigal, até atividades eventuais e pequenos grupos, além de acervos culturais, auditórios, bibliotecas, galerias, jornais, laboratórios em cultura, livros e revistas publicados em cultura, museus, redes, salas de exibição, salas de exposição, sites, televisão, blogs, editora, etc. Também estão no registro de abrangência da investigação as atividades culturais de grupos musicais, grupos de dança, grupos de teatro e outros grupos culturais, as legislações e normas existentes sobre cultura na UFBA.

O projeto identificará ainda cursos e disciplinas em cultura, na graduação e pós-graduação; centros, linhas e grupos de pesquisa; pesquisadores; teses, dissertações e monografias;  produção e publicação de estudos em cultura; pessoal envolvido com a área de cultura (professores, funcionários e alunos); intercâmbios culturais existentes: redes nacionais e internacionais; títulos de Doutores Honoris Causa e professores eméritos ligados à área cultural; e orçamentos destinados à cultura.

Por sua abrangência, trata-se de um levantamento inédito entre as universidades brasileiras, conforme destaca Rubim. A expectativa é de que o trabalho seja concluído em um período de 6 a 9 meses. Entre tantos conceitos de cultura possíveis, o projeto aciona um que envolve áreas culturais especializadas multidisciplinares e disciplinares – a exemplo da Administração da Cultura, Antropologia Cultural, Direito Autoral e Cultural, Economia da Cultura e Criativa, Filosofia da Cultura, Geografia Cultural, História Cultural e Sociologia da Cultura. Esse conceito de cultura abrange arquivos, artes, bibliotecas, patrimônio, crítica cultural, curadoria, comunicação e divulgação cultural, estudos em cultura, gestão cultural, museologia, pesquisas culturais, políticas culturais, produção cultural etc.

Para o mapeamento, o grupo de estudos investirá em pesquisa bibliográfica, pesquisa em acervos da reitoria, pró-reitorias e unidades; estudo da estrutura legal da UFBA, seus estatuto e regimentos; aplicação de questionários em unidades, órgãos complementares e suplementares, entre outros; entrevistas com dirigentes universitários, professores, funcionários e estudantes escolhidos por seu envolvimento com a cultura na UFBA.

Orquestra Sinfônica da UFBA, sob a regência do maestro Maurício Brandão

Orquestra Sinfônica da UFBA, sob a regência do maestro José Maurício Brandão

Também deverão ser considerados estudos prévios relacionados ao tema, como o que foi realizado pela professora do Instituto de Ciência da Informação e superintendente do Sistema de Bibliotecas da UFBA, Lídia Toutain, que realizou o inventário de todo o acervo de obras de arte das 32 unidades de ensino e da Reitoria da UFBA, reunindo informações sobre cada uma dessas obras, seus autores, localização na UFBA, etc. Já foram catalogadas mais de 4 mil obras, entre esculturas, pinturas, azulejos e painéis de nomes como Carybé, Mário Cravo, Juarez Paraíso, Sônia Rangel e Calasans Neto. De acordo com a professora, que também é presidente da Comissão Permanente de Arquivo da UFBA (CPArq), o inventário artístico-cultural, ainda em andamento, resultará na produção de um catálogo eletrônico e também será disponibilizado no Repositório Institucional da UFBA. Parte do trabalho realizado está disponível no site da CPArq.

O trabalho de pesquisa realizado pelo grupo CULT teve início com o levantamento de informações, através do Sistema Acadêmico (SIAC), das disciplinas em cultura que são oferecidas nos currículos dos diversos cursos da universidade, com análise desses componentes curriculares e suas respectivas ementas. O professor Rubim cita o exemplo de disciplinas no Instituto de Geociências, no departamento de Geografia, que estudam temas como territórios culturais e o carnaval. Ou na Escola de Nutrição, no curso de Gastronomia, que tem estudos sobre a culinária baiana que dialogam diretamente com a cultura local. E ainda na Faculdade de Arquitetura, que desenvolve um projeto para regularização fundiária de terreiros de candomblé. “A cultura está em muito mais lugares da universidade do que se supõe”, afirma.

A publicação de um livro (impresso e digital) com os resultados do mapeamento cultural da UFBA está entre os objetivos específicos destacados pelo projeto, que prevê ainda a construção de um banco digital de dados permanente e atualizável e a elaboração de procedimentos teórico-metodológicos que auxiliem a realização de mapeamentos culturais em outras universidades e instituições de ensino superior públicas, bem como em outros organismos públicos.

“Atualmente a UFBA realiza muitas atividades de cultura, mas de modo disperso e sem um conhecimento maior destas atividades. Acreditamos que este conhecimento mais sistemático possa estimular uma maior conexão/relação entre as atividades culturais da universidade”, destaca.

Painéis do artista plástico Carybe, localizados no Museu Afro-Brasileiro da UFBA

Painéis do artista plástico Carybé fazem parte do acervo do Museu Afro-Brasileiro da UFBA

O projeto de pesquisa é uma inciativa do CULT/IHAC, grupo de estudos que tem se caracterizado pelo desenvolvimento de pesquisas em cultura, a exemplo das realizadas sobre: Salvador-500 anos-cultura; Financiamento e fomento à cultura nos estados e Distrito Federal no Brasil; Plano Nacional de Cultura. A equipe responsável pelo projeto conta com a coordenação geral do professor Albino Rubim, junto com as pesquisadoras Ângela Andrade e Sophia Rocha, pesquisadores bolsistas e voluntários, além do Conselho Cultural Consultivo da pesquisa, constituído por 10 professores e pesquisadores convidados.

O CULT também é responsável por uma das mais importantes coleções de livros sobre cultura do país, e pela realização de muitos eventos em cultura, como o Ciclo de Debates sobre Políticas Culturais, com 11 edições, e o Encontro de Estudos Multidisciplinares em Cultura (ENECULT), maior evento anual de estudos multidisciplinares em cultura realizado no Brasil, que realiza sua 15ª edição em 2019. Para contribuir com o projeto ou para mais informações, o contato deve ser feito através do e-mail: cult@ufba.br

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