Com ideia que promete varrer lixo dos oceanos, estudantes da UFBA vencem etapa local de competição da Nasa

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Membros do grupo Cafeína exibem premiação

Um dispositivo acoplado a navios cargueiros para fazer uma espécie de varredura nos oceanos e coletar um dos principais vilões da natureza, os microplásticos, partículas de dimensões inferiores a cinco milímetros resultantes da degradação de plásticos maiores, que afetam a vida marítima e a saúde humana. O equipamento ainda é uma ideia, mas já ganhou a etapa de Salvador do Nasa Space Apps Challenge 2019, competição internacional promovida pela agência espacial norte-americana, realizada no último domingo, 20 de outubro, em 42 cidades do Brasil e muitas outras no exterior.

O projeto foi elaborado pelo grupo Cafeína, formado pelos estudantes do segundo semestre do curso de Administração da UFBA Antonio Rocha, de 18 anos, Pedro Dantas, 19, e Genilson Brito, 18, e pelos alunos da Universidade Católica do Salvador (Ucsal) Ramon de Almeida, 22, de Engenharia Química, e Thiago Barbosa, 23, Análise de Desenvolvimento de Sistemas. Eles agora trabalham na preparação de material para as outras etapas, quando irão disputar com equipes do mundo inteiro a possibilidade de visitar e ter o projeto proposto realizado com apoio da Nasa.

O estudante Genilson Brito explica que a ideia é criar um dispositivo a partir do Gerador de Van Der Graff, uma máquina eletrostática criada em 1929. No projeto do grupo Cafeína, esse gerador ganharia a função de atrair e recolher os resíduos plásticos próximos aos navios. O lixo marítimo coletado iria para terra firme, onde seria descartado de modo apropriado e menos danoso ao meio ambiente. Ele lembra que os microplásticos, ao poluírem os oceanos, não afetam apenas a vida marítima, como também a saúde humana, já que são ingeridos pelos peixes, por outros animais marinhos e pelos seres humanos. Até 2050, há a preocupante previsão de que, em peso, os plásticos superem os peixes nos oceanos.

nasa-bannerA ideia do projeto surgiu durante a disciplina Informática Aplicada à Administração, ministrada pela professora Isabel Sartori. A convite da professora, que também coordena o núcleo de extensão da Escola de Administração, uma palestra da representante oficial do Nasa Space na Bahia, Leka Hattori, diretora na Bahia do Founder Institute (maior aceleradora de startups do Vale do Silício), apresentou a competição aos estudantes.

A competição mundial foi do tipo hackathon, que é uma maratona de desenvolvimento tecnológico que busca soluções viáveis. Teve a duração de 48 horas, com desafios em cinco categorias de conhecimento: Estrelas, Nossa Lua, Planetas Perto e Longe e Vivendo Nosso Mundo e Oceano. Foi nessa última que o grupo Cafeína foi vencedor.

Outra equipe de Salvador também irá disputar a etapa mundial. A Monit Oil propôs um mapeamento colaborativo de emergências ambientais por conta de derramamento de óleo. Além das duas equipes vencedoras, participaram do hackathon em Salvador mais 28 grupos, chegando a cerca de 200 competidores, dos 520 inscritos na primeira etapa do evento, que receberam o suporte de cerca de 20 monitores e cinco professores de inglês para interpretar os dados da agência espacial americana disponibilizados para consulta durante a competição. Cerca de 20 mil pessoas em todo mundo participaram do desafio da Nasa.

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