Reunidos, professores visitantes mostram que a pesquisa na UFBA não tem fronteiras

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Discussão de metodologias inovadoras, intercâmbios e novas parcerias que fortalecem os programas de pós-graduação e ampliam a internacionalização da Universidade. Esses são alguns dos benefícios da vinda de professores visitantes à UFBA. Reunidos em uma sessão especial do Congresso da UFBA, que contou com 26 mesas temáticas, alguns deles expuseram um pouco do trabalho de pesquisa realizado na Universidade e falaram sobre a troca de saberes com grupos de pesquisas de outras instituições, nacionais e internacionais.

Nos últimos três anos, 41 professores visitantes – 15 brasileiros e 26 estrangeiros – com formação em renomadas instituições ao redor do mundo atuaram ou ainda estão atuando na UFBA, tanto na graduação, quanto na pós-graduação. Palestras, minicursos e apoio à pesquisa são alguma das frentes de atuações dos pesquisadores, que já foram tema de uma série no EdgarDigital em “As voltas que a Pesquisa dá”, que apresentou três perfis de professores visitantes em três diferentes áreas – matemática, imunologia e música.

Um novo edital para seleção de 25 novos professores visitantes encerrou as inscrições na semana passada. Em dezembro, será realizado o processo seletivo e, a partir de março de 2020, serão implementados os contratos e início das atividades laborais.

Saiba mais sobre algumas das pesquisas apresentadas por professores visitantes no Congresso de Pesquisa, Ensino e Extensão da UFBA:

Saúde e antropologia

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A socióloga Marina Rougeon, no Congresso da UFBA

A socióloga francesa Marina Christine Rougeon compõe, desde maio de 2018, o time de professores do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) da UFBA, onde faz parte do Programa Integrado de Pesquisa e Cooperação Técnica Comunidade, Família e Saúde: contextos , trajetórias e políticas públicas – FASA. Sua palestra no Congresso abordou assuntos como vulnerabilidade, saúde e meio ambiente, a fim de pensar o racismo ambiental no Brasil.

“Desigualdades econômicas provocam desigualdades perante o adoecimento”, disse Rougeon. Sua relação com o Brasil já é antiga: em 2012, ela apresentou tese de doutorado em que faz um estudo das relações de proximidade, práticas de bênção e religiosidade caseiras na cidade de Goiás.

“Como professores visitantes, não podemos deixar de pensar epistemologias do Sul [que denunciam uma dominação histórica, social e também ambientale propõem o resgate de outros saberes]”. Ela ressalta a importância da abordagem etnográfica para adentrar de maneira profunda em uma problemática local, que reflete questões regionais e globais.

Língua e epistemologia iorubá-africanas

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O professor Félix Ayoh’Omidire, da Universidade Obafemi Awolowo, no Ilê-Ifé, Nigéria.

O professor Félix Ayoh’Omidire, que atua nas áreas de estudos literários, étnico-raciais e culturais luso-afro-brasileiros e afro-latino-americanos na Universidade Obafemi Awolowo, no Ilê-Ifé, Nigéria, deu uma aula sobre o iorubá, um dos maiores grupos étnico-linguísticos da África Ocidental, e sobre a relação entre língua e epistemologia. Ele é professor visitante do Programa de Pós-Graduação em Literatura e Cultura (PPGLitCult/UFBA).

“A língua é fundamental para a epistemologia, para a sustentação do pensamento filosófico”, disse Ayoh’Omidire. “Os saberes de um povo devem possibilitar o desenvolvimento de uma língua e de sua personalidade, de forma a permitir um conjunto que forma um complexo identitário do sujeito”.

Ayoh’Omidire falou também sobre elementos culturais como olókum, máscara que representa o rei iorubano, descoberta no século 12. Ressaltou também a sacralidade da coroa utilizada pelo rei, composta por 201 elementos. “Isso já é um texto, um volume para cada elemento da sociedade”, observou.

Patentes em debate

A mexicana Marta Gimenes é professora visitante na Faculdade de Direito e coordenadora do Grupo de Pesquisa Propriedade Intelectual e Novas Tecnologias – PINTEC/UFBA. A advogada trouxe questões importantes sobre a discussão de patentes no mundo jurídico, com estudos de casos do Brasil e exterior.

Para Gimenes, a propriedade intelectual deve estar a serviço do benefício social. Ela salienta que a grande produtora de inovação no Brasil é a universidade, com destaque às universidades públicas.

Águas subterrâneas

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A pesquisadora da Universidade Federal do Ceará Maria da Conceição Gomes, atualmente professora visitante no Instituto de Geociências da UFBA

De toda a água presente na Terra, apenas 2,5% correspondem a água doce, dos quais 68,9% em forma de gelo, nas calotas polares, e 31,10% em forma líquida. Da água líquida, 96% são águas subterrâneas, e apenas 4% águas superficiais. Os dados foram apresentados pela pesquisadora da Universidade Federal do Ceará Maria da Conceição Gomes, atualmente professora visitante no Instituto de Geociências da UFBA.

Em sua apresentação, Gomes destacou fontes de poluição dos aquíferos e ações básicas para preservação das águas subterrâneas, entre as quais o tratamento adequado de resíduos domésticos, resíduos industriais e resíduos químicos. Questionada sobre os efeitos nocivos do óleo que contamina o Nordeste, ela se mostrou preocupada com o crime ambiental que vem despejando perigosos agentes de contaminação no meio ambiente.

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