Em voga, debate sobre desinformação e notícias falsas atraiu a atenção do público

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Em 2017, o termo “fake news” foi eleito expressão do ano e incluído na lista de vocábulos de conhecidos dicionários ingleses. A expressão, até então pouco conhecida, teve um aumento de 365% no número de menções em redes sociais. Nos anos seguintes, termos semelhantes tornaram-se igualmente conhecidos — em 2018, a palavra do ano foi “desinformação” ou, em inglês, misinformation.

O debate sobre fake news, desinformação e jornalismo esteve presente no Congresso da UFBA 2019. Curiosos para acompanhar essas discussões, estudantes, profissionais e pesquisadores, de diversas áreas, lotaram o auditório do PAF III, na quarta-feira (30), para assistir à mesa “Jornalismo e Fake News”, com a professora da Faculdade de Comunicação (Facom) da UFBA Malu Fontes e os pesquisadores do Programa de Pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Póscom) Tatiana Dourado e João Guilherme dos Santos, que apresentaram conceitos e resultados de pesquisas desenvolvidas sobre o tema.

DSC_1586Um dos objetivos do encontro, de acordo com a jornalista e professora Malu Fontes, foi elucidar o conceito de fake news. “Quando tudo é notícia falsa, fica difícil, do ponto de vista institucional e legal, combater o fenômeno. Hoje, o boato, o mau jornalismo, a imprecisão, a falta de apuração e até o jornalismo de opinião são considerados fake news”, assinalou a professora.

As fake news, no entanto, se distanciam desses outros conceitos e se aproximam da linguagem jornalística. “São metáforas de notícia. Podem ser definidas como uma informação estrategicamente elaborada para que pareça notícia. Têm objetivos específicos, como ganhar dinheiro com cliques, destruir reputações ou favorecer alguém”, explicou.

Foi a partir desse conceito que os pós-graduandos Tatiana Dourado e João Guilherme dos Santos trabalharam. “Tínhamos a intuição de que o whatsapp era o principal canal de veiculação de notícias falsas nas eleições de 2018, e foi a partir dele que seguimos a investigação”, justificou João Guilherme, que pesquisou a forma de circulação das Fake News utilizando análise de dados e algoritmos. A análise de dados também guiou a pesquisa de Tatiana. “Analisamos 347 fake news buscando entender a intencionalidade dessas histórias. Descobrimos que as fake news não necessariamente geram prejuízos para o adversário, mas podem gerar benefícios para o próprio ator político”, explicou a pesquisadora.

A discussão agradou a participantes de diversos campos do conhecimento, como a estudante de direito Maria Flávia. “Vim pela curiosidade do tema, por ser atual e algo que é do nosso cotidiano. Particularmente, tenho muita curiosidade de saber como identificar mais facilmente uma fake news. Gostei bastante dos dados da pesquisa, da definição, do conceito e da perspectiva sobre como elas se propagam”, afirmou.

Era o que Tatiana Dourado esperava. “Mesmo para quem não é da área de Comunicação, o debate é significativo, pois o tema afeta todos que estão expostos ao consumo e recebimento de informação. Acho muito importante o Congresso da UFBA pautar isso, principalmente nesse período entre as eleições. Assim, chegamos em 2020 e 2022 com entendimentos mais consensuais sobre as fake news e os impactos das narrativas fraudulentas no debate democrático”, observou Tatiana.

Além de mesa sobre o tema, o assunto esteve presente no Congresso da UFBA em outros trabalhos apresentados por bolsistas e pesquisadores, a exemplo da oficina conduzida por Juliana dos Santos, Débora Santos, Caio Almeida e Rosa de Almeida. A atividade, realizada também na quarta-feira (30), mesclou conteúdos teóricos e práticos, orientando sobre o uso proativo, ético e responsável das plataformas e recursos digitais. O objetivo era a compreensão, pelos participantes, de seu papel frente ao compartilhamento de informações evitando, assim, a propagação das falsas notícias.

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