Estudante da Escola de Música, Afonso Celso vence concurso nacional de violão

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Afonso Celso ficou em primeiro lugar no 9º Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter, realizado no último mês de outubro, no Rio de Janeiro

Afonso Celso ficou em primeiro lugar no 9º Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter, realizado no último mês de outubro, no Rio de Janeiro

O violonista Afonso Celso, estudante do mestrado profissional e graduado pela Escola de Música da UFBA (Emus), ficou em primeiro lugar no 9º Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter, realizado em outubro no Espaço Guiomar Novaes, anexo da Sala Cecília Meireles, no Rio de Janeiro.

A competição, uma das mais importantes do Brasil e que tem revelado novos talentos do instrumento, aconteceu em paralelo à tradicional Mostra de Violão de mesmo nome, que, em sua décima sexta edição, foi realizada pela primeira vez em Salvador, com apresentações no Museu de Arte da Bahia, no último dia 19/10. Mostra e concurso prestam homenagem ao violonista e compositor baiano de grande destaque, Fred Schneiter, falecido em 2001. Nesta edição, também foi homenageado o compositor carioca Ricardo Tacuchian, que completa 80 anos neste mês.

Afonso Celso obteve ainda o prêmio de melhor intérprete da obra de confronto Dona Mab (do Álbum de Família), de Schneiter, música dedicada à mãe do compositor, que foi escolhida para os candidatos executarem na fase final da competição. Para a semifinal, a música “Parafrase IV”, de Ricardo Tacuchian, foi a escolhida. Além destas, os candidatos deviam incluir em suas apresentações obras de livre escolha. No repertório selecionado por ele, fizeram parte “Estudo n. 11 (Villa-Lobos), “Sonata” (Leo Brouwer), “Introduction et Caprice” (Giulio Regondi) e “Sonata Meridional” (Manuel Ponce), entre outras.

“Eu sempre quis ganhar esse concurso que homenageia um músico baiano, o Fred Schneiter. Em quase 20 anos de disputa, nunca um nordestino ou baiano havia vencido”, ressalta Afonso, que acredita que a sua vitória é um estímulo aos músicos da região e uma prova de que é possível competir com músicos do eixo Sul-Sudeste, que, conforme ele destaca, contam com mais investimentos, mais lugares para tocar e melhor infraestrutura.

Sobre o seu êxito na competição, ela ressalta o grande tempo de dedicação exclusiva que foi necessário para se aperfeiçoar na prática do instrumento. “Você acorda e dorme pensando em estudar e buscar os detalhes ao extremo, para se preparar e melhorar sempre. Não se aprende a tocar [nesse nível] em um ano ou dois. É uma vida inteira para alcançar a excelência”, explica.

Sobre a competição, diz: “na apresentação você está competindo com músicos de qualidade do país inteiro e precisa dar o melhor de si”. Para o concurso, que é realizado a cada dois anos, a pré-seleção dos candidatos é feita por meio de vídeo, e o limite de idade para os participantes é de 30 anos. Depois, são realizadas as etapas semifinal e final, quando os candidatos apresentam recitais de 15 a 30 minutos para avaliação da banca de jurados, responsável pelo anúncio do resultado com os vencedores do concurso.

No encerramento da edição 2019 da Mostra Nacional de Violão Fred Schneiter, no dia 19/10, em Salvador, o show musical ficou por conta de Luis Carlos Barbieri, diretor musical da Mostra e presidente da Banca. No programa, músicas de Schneiter e Tacuchian, além de Vicente Paschoal, Roberto Velasco e autorais. Nos demais dias da programação, se apresentaram entre as atrações Mário Ulloa, em duo com Daniel Guedes, com violão e violino, no dia 18/10, executando repertório com peças de Chico Buarque e Edu Lobo, João Bosco e Aldir Blanc e Pixinguinha. Também participaram os músicos Mirta Alvarez, Paulo Martelli, entre outros.

Impulso na carreira

Essa conquista, avalia o músico, será um impulso grande na sua carreira e vai contribuir com seu “sonho de viver da música”. Ele também já havia sido premiado na edição de 2017 do mesmo concurso, ficando com a terceira colocação geral da competição e sendo escolhido como melhor intérprete da Música de Marcos Lopes. Afonso Celso já venceu cinco prêmios, entre nacionais e internacionais, com destaque para o XIV Concurso Internacional de Guitarra de Uruguay “Raul Sánchez Clagget”, em 2016, além de acumular premiações em outros 10 eventos de destaque.

“Devo tudo o que sou ao professor Mario Ulloa, que é um exemplo como músico e como pessoa. Continuo aprendendo a cada dia com ele, que está sempre disponível, em todas as horas”, ressalta Afonso Celso em relação ao renomado músico costa-riquenho, professor da Emus, que foi seu grande mestre e inspiração para seguir a carreira artística. Ulloa o orientou desde os primeiros dias de sua graduação na UFBA, concluída em 2017, sendo uma referência também por sua formação humana e pela maneira como lida com as pessoas.

“Evoluí muito com a orientação dele. Tocar um instrumento é muito mais do que a parte mecânica de segurar o violão e tocar. É algo mais complexo do que pensar em notas musicais e questões técnicas. Tem a ver também com a forma como você respira, como se alimenta e se relaciona com o público”, afirma.

O professor Mario Ulloa relembra a rotina de estudos dos dois juntos nos cinco anos do curso de graduação, quando se reuniam em três ensaios semanais dedicados ao instrumento. E acrescenta que o esforço pessoal do estudante envolvia cerca de oito horas de prática por dia. “São poucos os que encaram esse trabalho árduo. Ele é uma pessoa muito dedicada e que dá continuidade ao trabalho diário. Sem essa constância, você não chega lá”.

O professor da Escola de Música e renomado músico costa-riquenho, Mario Ulloa orientou Afonso Celso desde os primeiros dias de sua graduação, inciada em 2011.

O professor da Escola de Música e renomado músico costa-riquenho, Mario Ulloa orientou Afonso Celso desde os primeiros dias de sua graduação, inciada em 2011.

Além da dedicação e do espírito de luta, o professor ressalta a sua sonoridade, a precisão e a consistência da interpretação. Também destaca a relevância da sua conquista em um dos mais prestigiados concursos da área que reúne violonistas de todo o país.

O estudante fala ainda sobre a importância da UFBA na sua formação: “A UFBA é minha casa, onde eu passei muito tempo. Praticamente vivia na universidade, chegava às 6 horas da manhã e saia depois das 8 horas da noite” relembra ele, celebrando o fato de a Emus ter se tornado um lugar de referência para o ensino de qualidade do violão e incentivar a popularização do instrumento entre novos talentos.

Nascido no interior do Estado, na cidade de Caculé, ele conta que teve o primeiro contato com o instrumento por iniciativa própria e recebeu ajuda de amigos que tinham algum conhecimento. Estudou no conservatório de música de Vitória da Conquista e depois entrou para a graduação na Escola de Música da UFBA. Atualmente, cursa o mestrado profissional no programa de pós-graduação da instituição.

Afonso recebeu, em 2017, bolsa de estudos da Hugh Hudson School of Music, na Georgia, Estados Unidos, para estudo intensivo com Daniel Bolshoy. Ele conta que teve o apoio da UFBA para custear a experiência internacional. Ao longo de sua formação, teve aulas com alguns dos mais importantes nomes do violão mundial, como Fabio Zanon (Brasil), Eduardo Fernandez (Uruguai), Alvaro Pierri (Uruguai), Franz Halasz (EUA), Eduardo Isaac (Argentina), Luis Orlandini (Chile), Jorge Caballero (Peru) e Paulo Martelli (Brasil). Seus planos para o futuro? “Continuar estudando”, responde ele, que revela ainda o desejo de fazer uma especialização na área de performance fora do país.

Confira vídeo do músico Afonso Celso tocando “Sonata Meridional” (Manuel Ponce), uma das obras de livre escolha que foram apresentadas em sua participação no 9º Concurso Nacional de Violão Fred Schneiter:

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