Doações incrementam acervo da biblioteca Isaías Alves, que supera 257 mil obras da área de humanas

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Com mais de 257 mil livros catalogados, a Biblioteca Universitária Isaías Alves da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA é uma das maiores bibliotecas da área de humanas do Nordeste. O número de obras, entre livros, documentos e periódicos, cresce a todo tempo, por meio de doações de pesquisadores. Nas prateleiras, há publicações que só se encontram na biblioteca, localizada no campus de São Lázaro.

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Investigações em Phychologia”, publicada em 1834, pelo então professor Eduardo Ferreira França, da Faculdade de Medicina da Bahia.

“Temos obras raras. O primeiro livro de psicologia está conosco. Nós temos não só quantidade, como também qualidade”, afirma Maria Hilda Paraíso, diretora da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas da UFBA. A obra citada por Paraíso é “Investigações em Phychologia”, publicada em 1834, pelo então professor Eduardo Ferreira França, da Faculdade de Medicina da Bahia. É considerado um dos livros mais antigos das Américas.

A bibliotecária e documentalista Hozana Azevedo, da Biblioteca Isaías Alves, explica que o acervo atende aos cursos de graduação, pós e extensão da universidade. “Nós também somos muitos procurados para pesquisas. Recebemos pesquisadores de todo o mundo. Nosso acervo contém obras que nem a Biblioteca Nacional possui. É um acervo bem especial”, orgulha-se Azevedo.

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Kátia Mattoso e John Russell-Wood

Entre as doações de livros que incrementam o acervo, destacam-se a das bibliotecas pessoais da historiadora e cientista política Kátia Maria de Queirós Mattoso (1932-2011), especialista na escravidão brasileira (além da UFBA, universidades da França e Grécia foram agraciadas com doações da estudiosa); e a do historiador galês John Russell-Wood (1940-2010). O Núcleo de Estudos Coloniais, que tem uma sala própria na biblioteca, é batizado com os nomes dos dois pesquisadores. Além de obras, documentos e objetos pessoais também ficam em exposição. Tanto Mattoso quanto Russell-Wood decidiram pela doação do patrimônio intelectual ainda em vida, com registro em testamento.

O Núcleo de Estudos Coloniais abriga também uma parte da biblioteca pessoal de Stuart Schwartz, renomado historiador do período colonial, dedicado ao estudo da escravidão e da vida nos engenhos. O acervo do autor, que atualmente é professor de história na Universidade de Yale, está em processo de catalogação, mas já pode ser explorado por estudantes e pesquisadores. Sua biblioteca foi doada integralmente à UFBA, sob mediação do professor do Departamento de História da UFBA João José Reis, referência internacional para o estudo da história e da escravidão.

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Espaço de estudo da Biblioteca

A biblioteca possui outras coleções especiais, também fruto de doações. Leitores podem ter acesso às obras que costumavam ficar nas estantes de Ana Alice Alcântara Costa (1951 – 2014), uma das fundadoras do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim) da UFBA,  pesquisadora sobre as lutas das mulheres, igualdade de gênero e feminismo no Brasil; ou de Ana Montenegro (1915 – 2006), feminista atuante no processo de redemocratização do Brasil, autora dos livros “Mulheres: participação nas lutas populares”, “Uma história de lutas”, “Ser ou não ser feminista” e “Tempos de Exílio”. Recentemente, mais uma forte mulher deixou a herança bibliográfica aberta ao público: Iracy Picanço (1939 – 2019), falecida em março deste ano, professora emérita da UFBA com trajetória ligada à luta pelas causas democráticas e pela construção de uma sociedade mais justa e igualitária.

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Doação feita pelo Núcleo de Cultura Gênero e Sexualidade

Somam-se às doações as leituras de Annibal Maia Sampaio, ex-presidente do Tribunal Regional do Trabalho da 5ª, Bahia, graduado em direito e administração pela UFBA, falecido em 2003; as de Thales de Azevedo (1904 – 1995), médico e professor universitário reconhecido por ser estudos na área de ciências sociais, com temas sobre preconceito, miscigenação e ascensão social; e as de Pedro Manuel Agostinho da Silva, antropólogo e professor da Universidade Federal da Bahia de 1971 até 2007, autor dos livros “Agostinho da Silva – Pensamento à solta (um manuscrito autógrafo)”, “Imagem e Peregrinação Na Cultura Cristã. Um Esboço Introdutório”. Recentemente, o Núcleo de Cultura Gênero e Sexualidade fez uma doação à biblioteca, que se encontra numa prateleira específica no primeiro andar do prédio. A Associação Cultural Brasil Estados Unidos (ACBEU) também fez uma entrega volumosa à UFBA, e as obras estão em fase de catalogação.

A própria história da biblioteca inicia com doação da biblioteca pessoal de Isaías Alves (1888-1968), educador baiano que teve papel central na fundação da Faculdade de Filosofia da Bahia. Sua família, em 1972, entregou seu acervo pessoal à UFBA.

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Um novo prédio está em construção para abrigar o vasto acervo da biblioteca Isaías Alves

A biblioteca Isaías Alves é também responsável pela biblioteca do Centro de Estudos Afro-Orientais (CEAO), que possui 8.857 títulos e 12.244 exemplares. Para acomodar adequadamente todas essas coleções e dar acessibilidade aos acervos, um novo prédio para a biblioteca Isaías Alves está sendo construído no campus de São Lázaro, com inauguração prevista para 2020.

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