Pias simples e de material barato: uma ação original para ajudar comunidades onde há falta de água

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Com materiais simples e de baixo custo, estudantes e professores da especialização em Assistência Técnica, Habitação e Direito à Cidade da Faculdade de Arquitetura (Residência AU+E/UFBA) desenvolveram protótipos de pias para funcionarem como pontos de higienização comunitários em bairros e localidades de Salvador que sofrem com o abastecimento irregular de água, sobretudo neste momento de enfrentamento a pandemia de Covid-19.

O professor Daniel Marostegan conta que foram desenvolvidos três protótipos, a partir de materiais como bambus, cavaletes de madeira de demolição, elásticos e cordas, que se conectam a bombonas – que estão sendo utilizadas com a capacidade de 200 litros, que podem ser abastecidas com o aproveitamento da água da chuva, por meio de um sistema de calhas, ou ligadas diretamente a alguma torneira nos períodos em que a água estiver disponível na comunidade. Os volumes armazenados são tratados com pastilhas de cloro.

Os modelos desenvolvidos permitem lavar as mãos com água e sabão por um sistema de pedais que é acionado sem a necessidade do contato físico com as mãos. Um desses pontos de higienização comunitário já está funcionando na comunidade Guerreira Maria Felipa, ocupação localizada no bairro Jardim das Margaridas, que faz parte do núcleo Força e Luta do Movimento dos Sem Teto da Bahia (veja vídeo).

Daniel conta que as informações do projeto e orientações para a sua instalação foram recentemente compartilhadas com um grupo que atua na região da Cracolândia, em São Paulo, sendo adaptado em cima de um carrinho de supermercado para facilitar o seu deslocamento no território. A ideia, conforme explica, é disponibilizar um projeto simples de ser replicado nas comunidades, no modelo “faça você mesmo”, com materiais encontrados com facilidade.

Está planejada a instalação inicial de 15 dessas pias comunitárias em Salvador. A próxima, de acordo com professor, deve entrar em funcionamento na próxima semana, no Alto da Sereia. Ele explica que o valor dos diferentes protótipos varia em torno de R$ 260 a R$ 480, dependendo do material utilizado. São esperadas novas parcerias para a divulgação, adaptação e financiamento de novas unidades.

A ação Mobiliza RAU+E, em parceria com o grupo EtniCidades, também da Faculdade de Arquitetura, promove um mapeamento do cotidiano dos moradores de favelas e periferias urbanas de Salvador no enfrentamento ao novo coronavírus, identificando necessidades emergenciais, dando visibilidade a ações já existentes e facilitando o diálogo entre apoiadores e assistidos.

A dificuldade de acesso regular à água surge como uma questão central em muitas localidades. Em contato com lideranças comunitárias, foram identificadas ainda uma série de outras demandas, além de campanhas coletivas que estão sendo divulgadas nas redes sociais do grupo, para captar recursos e fazer distribuição de cestas básicas, materiais de limpeza e itens de higiene. Estão disponibilizados os contatos para doações em comunidades de Pirajá, Sussuarana, Cajazeiras, Pituaçu, Boca do Rio, entre outras.

Como ajudar

Moradores ou lideranças de comunidades que estão com dificuldades no enfrentamento da crise de Coronavírus podem indicar as respectivas necessidades em formulário disponibilizado pela Mobiliza RAU+E. Além disso, qualquer pessoa pode apoiar uma causa ou necessidade já identificada pelo grupo, entrando em contato pelo e-mail mobilizaraue@gmail.com, pelo site ou pela página no Instagram da iniciativa.

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