Reitor João Carlos Salles: “A UFBA não vai abandonar ninguém”

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Foi emocionante. O toque de saudação dos alabês do terreiro do Gantois, regidos por Iuri Passos, rompeu o silêncio inédito de um Salão Nobre vazio de público, mas imantado pelas boas vibrações das mais de 23 mil pessoas então inscritas no Congresso Virtual UFBA 2020 – número que, ao final do evento, saltaria para 38 mil. Não teriam cabido na plateia os 5 mil espectadores, em média, que assistiram ao vivo, de suas casas, à transmissão do evento; quanto mais os mais de 49 mil que assistiram ao vídeo do ato de abertura em algum momento ao longo do Congresso. O cantor Lazzo Matumbi e o violonista Mario Ulloa também fizeram intervenções artísticas, emoldurando, por assim dizer, as palavras de energia e afeto do breve, mas marcante discurso do reitor João Carlos Salles.

Foi provavelmente o primeiro evento fechado ao público realizado no Salão Nobre, por motivos de segurança, diante da grave crise sanitária vivida pelo Brasil neste momento de pandemia. O reitor lembrou que a UFBA havia decidido suspender as suas atividades acadêmicas e administrativas, mantendo apenas as atividades essenciais e de combate ao novo coronavírus, “para proteger a nossa inteira comunidade, estudantes, docentes, técnicos e terceirizados, e também para contribuir com as necessárias medidas de distanciamento social, as quais são as mais eficazes para evitar o colapso do sistema de saúde e conter o número de mortes”.

“O quadro da pandemia é gravíssimo”, constatou Salles, apontando equívocos sanitários cometidos por governantes que agem de forma irresponsável, destituídos de lógica e embasamento científico, promovendo uma enorme degradação política e moral. Lamentou a adoção de uma “política de guerra” que desdenha do número de mortes causadas pela doença e a aposta em um darwinismo social tosco que já atinge diretamente a população mais pobre.

O reitor afirmou que a comunidade universitária não retomará as suas atividades sem as devidas orientações das organizações sanitárias e de saúde. “Somos o lugar do conhecimento e da solidariedade”, reafirmou, defendendo o papel fundamental da universidade na resistência ao obscurantismo e à ignorância. E assegurou que a UFBA adotará medidas pautadas sempre por valores inegociáveis, como a necessidade de aprofundar a inclusão de todos os estudantes, e não a sua divisão; de acolher, e não separar; Com o compromisso de não reforçar as marcas indesejáveis das desigualdades sociais e da exclusão. “A universidade não vai abandonar ninguém”, afirmou Salles.

“É também dever da universidade preservar a sua qualidade”, disse o reitor, defendendo que as atividades remotas não poderão gerar prejuízos à comunidade acadêmica e devem estar embasadas em projetos pedagógicos bem definidos e debatidos coletivamente em suas etapas, procedimentos e métodos. “Não basta um letramento digital”.

“A universidade pública não para, ela está em movimento, em pleno debate”, observa o reitor, que citou a grave crise política no país, a pandemia e os rumos da educação como alguns dos principais temas a serem discutidos no Congresso Virtual. “Neste momento tão importante, não podemos deixar de dizer quem somos e o que fazemos”.

Salles celebrou a realização do Congresso 2020 que bateu todos os recordes de anos anteriores, com mais de 700 atividades, entre mesas de debates, palestras, vídeoposteres de estudantes e apresentações artísticas, que podem ser acompanhadas durante os nove dias de evento, em nove salas virtuais, nos três turnos. “É uma demonstração da diversidade e da força de nossa pesquisa”, avalia.

Ao final do ato, Salles convidou o público para assistir à reexibição da conferência de Muniz Sodré no Congresso da UFBA de 2018, como uma forma de homenagem ao professor emérito da UFRJ, que também recebeu o título de Doutor Honoris Causa da UFBA, em 2008, e foi um dos primeiros a confirmar a participação no evento deste ano, mas que não pode estar presente, já que se recuperava da infecção pela Covid-19. (Muniz Sodré encontra-se bem e já se recuperou da doença.)

“O Congresso é um marco na nossa resistência democrática, para que se reafirme a qualidade da universidade pública”. “Viva a universidade pública, gratuita e de qualidade”, celebrou Salles.

Um comentário em “Reitor João Carlos Salles: “A UFBA não vai abandonar ninguém”

  1. Foi Belíssimo. Sinto um enorme orgulho de ser UFBA. Parabéns a todos e todas que puderam colocar esse congresso no ar.

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