Livro de João Carlos Salles reúne reflexões sobre “inacabamento e coletividade”

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pascal

As várias dimensões do inacabamento permeiam os textos do novo livro de João Carlos Salles.

“Lançamento é coisa íntima, é coisa para amigos. Então é momento especial estar aqui com vocês falando do livro A Última Invenção de Pascal”. Assim definiu João Carlos Salles o lançamento virtual. em live no Youtube, de seu livro mais recente. A data do lançamento, dia 25 de junho, foi escolhida como uma homenagem à declaração, em 1822, da Independência de Cachoeira, sua terra natal, evento anterior ao Sete de Setembro.

No lançamento online, o escritor e filósofo apresentou os detalhes da nova publicação, uma obra que “fala de inacabamento, procura o outro e reflete sobre a construção de medidas coletivas”, tecendo considerações sobre o conjunto de textos, que foi escrito ao longo do último ano.  De acordo com Salles, “grande parte dos escritos presentes no livro, que sai pela Editora Quarteto, ainda não foi publicada”.

O reitor da UFBA, que é doutor em filosofia e professor do Departamento de Filosofia da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, fez uma explanação dos traços mais marcantes e presentes em cada um dos capítulos do livro.  Dentre tais traços, a Filosofia figura como o ponto central das ponderações levantadas em cada capítulo.

As várias dimensões do inacabamento permeiam os textos e, segundo Salles, “parece que procura o outro e depende de um outro olhar ao apresentar uma reflexão”.   Diante disso, ele apontou o uso atual das “ações remotas” como as lives e encontros online, remetendo à “presença do espírito no ato da fala, que pode resgatar o contexto e a natureza presencial da fala”.

Conforme a exposição do professor para a seção “A invenção de Pascal”, o não-lugar do filósofo é um olhar especial que faz com que a Filosofia não esteja no mesmo patamar das ciências.  “Ela pode estar em cima, ou até abaixo, mas não no mesmo patamar das ciências – como atividade de reflexão, ela é que cuida da produção do sentido, explicou.

Sobre o capítulo “A Filosofia e suas métricas”, João Carlos destacou “a dificuldade que é avaliar esse conhecimento que parece ser singular, incomensurável e idiossincrático.  Entretanto, ele chamou atenção para a possibilidade de “se ter medidas da excelência e qualidade desse conhecimento”.

Essas métricas podem ajudar a “discernir o que tem afinamento sem ser mera questão de gosto ou opinião ou cair na redução do padrão da Filosofia sem o padrão da produtividade de ensaios e papers”, ilustrou o reitor.  Por outro lado, ele apontou para expressividade filosófica mediante a composição de livros e poesia.

Entre os textos do livro, há material da pesquisa atual que Salles realiza sobre o filósofo contemporâneo Ernest Sosa – professor norte-americano, especialmente interessado em epistemologia.  O tema discorrido no material é a Teoria da Normatividades Télica.

O escritor também chama atenção para a presença de “outras formas de inacabamentos que nos projetam para além de nossa vida singular.  Entre eles, o capítulo “Liberdade para Emiliano” traz uma homenagem ao jornalista e professor aposentado da Faculdade Comunicação da UFBA.  “É o prefácio para um livro de Emiliano José em que é celebrada a militância, a dedicação a causas mais elevadas”, contou o filósofo.  E também o texto “A cidade de Maria Grandão”, em referência à socióloga Maria Brandão, que pensa a cidade de Salvador de uma maneira singular.

a ultima invenção de pascal

A ilustração da capa do livro traz teias e tramas das marcas individuais.

A Academia de Letras da Bahia  é apresentada em outra dimensão no discurso de saudação ao professor Muniz Sodré, no momento de sua introdução à cadeira nº 10 da instituição, citou ele.

Na obra também consta uma resenha sobre o livro “Heidegger/ Wittgenstein: Confrontos” de José Arthur Giannotti – que explora as divergências entre esses dois expressivos filósofos do século XX.  Na resenha, o professor João Carlos convida ao pensamento e mostra as faces generosas de Giannotti, que é um dos principais pensadores da atualidade.

Outro integrante do livro é o texto “Vida é um projeto de longa duração”, que reflete sobre o momento da pandemia de covid-19, o sofrimento em meio às dificuldades sociais e políticas, ressaltando que “a vida é inegociável, e não uma mercadoria a ser relativizada”.

O reitor da UFBA, que classifica o volume como um livro “que fala de inacabamento”, também discorreu sobre o título da obra – “A Última invenção de Pascal”.  Segundo ele, o matemático, físico, inventor, escritor e teólogo do século XVII goza da atribuição da criação do transporte coletivo.

Tal fato, que tornou visível o espírito coletivo, serve como “imagem para os desafios dos projetos de sociabilidade, travando uma discussão com os paradigmas conflitantes da Filosofia”, afirma o docente. E à luz dessa imagem de uma coletividade é que se constrói as teias e tramas que redefinem a nossa marca mais individual”, disse ele.  A ilustração dessas teias está esboçada na arte da capa do livro, elaborada pela artista Helga Santana.

SERVIÇO:
Livro: “A Última Invenção de Pascal” – João Carlos Salles
Editora Quarteto
Disponível na loja virtual da Quarteto: www.editoraquarteto.com.br
Aquisições até o dia 15/07/2020 terá exemplar autografado pelo autor

Um comentário em “Livro de João Carlos Salles reúne reflexões sobre “inacabamento e coletividade”

  1. Espero que este valioso livro em breve esteja disponível na biblioteca da Faculdade de Filosofia e Ciencias Humanas da UFBA.

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