Impacto da pandemia na economia criativa vem sendo devastador, aponta pesquisa

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Em um universo de mais de 2.600 indivíduos e organizações que compõem setores da economia criativa de todo o Brasil, 78% disseram que cancelaram entre 50% e 100% de suas atividades em abril, por conta da pandemia do novo coronavírus. Em maio, esse percentual foi de 76%. Esses e outros resultados estão no relatório final da pesquisa “Impacto da Covid-19 na Economia Criativa”, realizada pelo Observatório da Economia Criativa da Bahia (Obec-BA), rede de núcleos vinculados às universidades federais do Brasil sediada no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia (IHAC/UFBA).

Os dados apontados pela pesquisa integram uma apresentação promovida pelo “Idéias do Sesc SP” no dia 18 de agosto, às 17h30, com participação de Gilberto Gil (músico, compositor e ex-ministro da Cultura), Paulo Miguez (professor do IHAC e vice-reitor da UFBA), Danilo Santos de Miranda (diretor do Departamento Regional do Sesc SP) e Daniele Canedo (docente da UFRB e coordenadora do Obec-BA).

O relatório mostra ainda que, em média, 83,7% das organizações e indivíduos alegam ter sido muito impactados pela suspensão de atividades e indicam maior dificuldade de captação de recursos junto a entidades privadas e públicas. E que 65,8% das organizações tiveram que fazer algum tipo de redução de contratos, enquanto um pouco mais da metade (50,2%) teve que demitir colaboradores.

Ainda no primeiro trimestre deste ano, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) informava que o setor criativo empregava aproximadamente 1,9 milhões de pessoas (1,6% dos ocupados) no Brasil, sendo que, destes, cerca de 44% atuava de maneira autônoma.

Hoje, segundo dados da pesquisa do Obec, 88,7% dos indivíduos e 86,8% das organizações acreditam que as atividades ficarão restritas até o fim de 2020 ou além. E 87,4% das organizações acreditam que suas receitas estarão comprometidas até o final de 2020. Metade deste grupo acredita que a diminuição segue em 2021. A crise agrava um cenário de imprevisibilidade no setor: 51% dos indivíduos não têm como estimar a quantidade de cancelamentos para o segundo semestre de 2020, e 65% das organizações não têm como fazer essa estimativa para 2021.

Em meados de março, no começo da pandemia no Brasil, o Observatório entendeu a necessidade de levantar e analisar dados e, com esse objetivo, reuniu um grupo interinstitucional de colaboradores e lançou a primeira pesquisa de abrangência nacional.

A pesquisa teve início em 27 de março de 2020 e ficou aberta até o dia 23 de julho. O total de respondentes foi 2.608, sendo 969 organizações e 1639 profissionais/indivíduos O total de respostas validadas foi 1.910, sendo 1.293 de indivíduos e 617 de organizações. Foram 5 boletins com resultados preliminares, incluindo o especial sobre a Lei 14.017/2020, a Lei Aldir Blanc, e o relatório final, que está sendo lançado no evento do SESC.

MEDIDAS EMERGENCIAIS

O auxílio emergencial é a medida mais citada pelos indivíduos, entre as principais necessidades do setor, no atual momento. As organizações solicitam desoneração tributária, o perdão de dívidas e apoio na manutenção, incluindo suspensão de contas de custeio e apoio para pagamento de funcionários. Ainda de acordo com os resultados da pesquisa, 55% indicam como necessidade principal a adoção de estratégias digitais de relacionamento com público, venda de produtos e prestação de serviços, seguida de acesso a serviços e equipamentos para trabalho remoto, com necessidade demonstrada de treinamento e capacitação.

O Observatório de Economia Criativa da Bahia integra uma rede de núcleos vinculados às universidades federais do Brasil instituída em 2014, com o objetivo de produzir informações e conhecimento e gerar experiências e experimentações sobre a economia criativa local e estadual. Sediado no Instituto de Humanidades, Artes e Ciências da Universidade Federal da Bahia (IHAC/UFBA), o Obec-BA agrega docentes, discentes e técnicos da UFBA, da UFRB, da UNEB, bem como de outras instituições públicas, como a Secretaria da Cultura do Estado da Bahia.

Para assistir ao evento acesse youtube.com/sescsp.

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