UFBA e Fiocruz Bahia desenvolvem projeto para uso de inteligência artificial no combate à Covid-19

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a plataforma de Inteligência Artificial para auxiliar na pesquisa e Projeto resultará no desenvolvimento de uma plataforma para auxiliar na pesquisa e tomada de decisões referentes à pandemia de Covid-19 no Brasil

Plataforma para auxiliar na pesquisa e tomada de decisões referentes à pandemia de Covid-19 no Brasil será desenvolvida pelo projeto

Um projeto da UFBA em parceria com a Fiocruz Bahia utilizará inteligência artificial (IA) para combater o novo coronavírus. Denominado “AI as Service for tackling the Covid-19 in Brazil” [IA como serviço para enfrentar a Covid-19 no Brasil, em tradução livre], o trabalho será desenvolvido sob a liderança dos professores da UFBA Marcos Ennes Barreto (AtyImoLab/Departamento de Ciência da Computação) e Mauricio Lima Barreto (Cidacs/Fiocruz Bahia).

“O principal objetivo desse projeto é desenvolver uma plataforma de Inteligência Artificial para auxiliar na pesquisa e tomada de decisões referentes à pandemia de Covid-19 no Brasil”, afirma o professor Marcos Barreto. Ele explica que o termo “inteligência artificial (IA) se refere ao desenvolvimento de programas computacionais capazes de aprender e a tomar decisões a partir dos dados que eles processam, de forma similar ao que nós humanos fazemos. Uma das diferenças é que modelos de IA são desenvolvidos para resolver um problema específico com base num conjunto de dados, enquanto humanos têm uma inteligência mais ampla e generalista, capaz de ser aplicada a diferentes tipos de  problemas”.

Promissor, o projeto já atraiu financiamento da Google e está inserido no contexto da Rede CoVida, iniciativa de colaboração científica e multidisciplinar para o enfrentamento da crise sanitária global. A rede surgiu em março deste ano, com a união entre o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para a Saúde (Cidacs) e a Universidade, e conta hoje com aproximadamente 180 pesquisadores de todo o Brasil, de diversos campos de saberes, que atuam para apoiar a tomada de decisões de gestores no combate a Covid-19 com informações científicas confiáveis, a partir do monitoramento dos casos e evolução da doença no Brasil, desenvolvimento de modelos matemáticos e computacionais para predição e análise de dados, síntese e disseminação de evidências científicas com base na crescente literatura sobre o tema.

"Espera-se que muito do aprendizado sobre a Covid-19 possa servir, no futuro, para o enfrentamento de outras doenças e eventuais epidemias", prevê Marcos Barreto, professor associado do Departamento de Ciência da Computação da UFBA e pesquisador colaborador do CIDACS

“Espera-se que muito do aprendizado sobre a Covid-19 possa servir, no futuro, para o enfrentamento de outras doenças e eventuais epidemias”, prevê Marcos Barreto, professor associado do Departamento de Ciência da Computação da UFBA e pesquisador colaborador do Cidacs.

Segundo antecipa Barreto, será utilizado um conjunto de ferramentas de Inteligência Artificial para desenvolver uma plataforma que permita manipular uma grande quantidade de bancos de dados relativos à Covid-19 e prover respostas para questões de pesquisa e de saúde pública. Os dados do Cidacs, que integra cerca de 50 bancos de dados públicos, nos âmbitos federal, estadual e municipal, e desenvolve projetos arrojados – como, por exemplo, a coorte com 100 milhões de brasileiros para estudo das determinantes sociais e dos efeitos de políticas e programas sociais sobre os diferentes aspectos da saúde na população – serão fonte de relevantes informações para o desenvolvimento de algoritmos que deverão embasar os modelos de IA.

As informações, que deverão ser sistematizadas e disponibilizadas em uma plataforma de acesso aberto, podem ajudar a responder perguntas importantes, analisando efeitos de médio e longo prazo da pandemia, inclusive prevendo cenários futuros. “Também   queremos  agregar   informações   sobre   a   extensa   literatura sobre  Covid-19  e  fornecer  mecanismos  que permitam às pessoas  consultar estas informações de forma fácil”, planeja o professor sobre a plataforma, que contará com recursos de bibliometria para permitir a síntese e disseminação da produção científica que vem se acumulando sobre o tema, a exemplo das pesquisas mais atuais sobre potenciais vacinas.

Financiamento e desenvolvimento

O projeto foi selecionado em uma chamada internacional da Google, dentro do programa Covid-19 AI for Social Good, que vai destinar recursos financeiros para ações de IA e análise de dados desenvolvidas por organizações sem fins lucrativos e universidades. O programa irá financiar 31 projetos em todo o mundo. No Brasil, foram contemplados somente dois projetos: o da UFBA-Fiocruz e um outro, do Hospital Israelita Albert Einstein, de São Paulo. Serão destinados 76,6 mil dólares para a realização do projeto na Bahia, além de créditos na plataforma Google Cloud, totalizando o valor de 189,2 mil dólares.

A plataforma, que será desenvolvida nos próximos 12 meses, vai permitir a integração de uma grande quantidade de dados de saúde, socioeconômicos e de outros domínios diretamente relacionados ao cenário da pandemia. Processados por meio de IA, esses dados poderão ajudar a identificar padrões de ocorrência de eventos; relações entre fatores que facilitam ou potencializam a transmissão da doença e a quantidade de casos observados; monitorar novos casos para identificação de possíveis cenários de novas transmissões; ajudar na análise de diferentes cenários de distanciamento social, abertura e fechamento de locais públicos, bem como de diferentes políticas e ações empregadas para o enfrentamento da doença, entre várias outras questões de pesquisa e saúde pública.

De acordo com o pesquisador da UFBA, a inteligência artificial consegue processar um volume muito grande de dados em tempo relativamente baixo e é capaz de identificar padrões dentro desses dados e analisar cenários complexos. Informações como, por exemplo, os padrões de deslocamento das pessoas e os dados sobre o crescimento da Covid-19 em determinado bairro, cidade ou região, podem ajudar a revelar tendências, antecipar ações e evitar novas infecções. Podem também ajudar a responder perguntas como ‘qual é o efeito da abertura das escolas?’ ou ‘quando deve ser aberto o comércio?’, explica Barreto. “A plataforma tem como objetivo organizar os bancos de dados e disponibilizar modelos de inteligência artificial com algoritmos para responder perguntas importantes”, resume.

Conforme planejado, um grupo de epidemiologistas deverá definir as perguntas a serem respondidas pela plataforma. O projeto conta ainda com uma equipe de profissionais na área da ciência de dados, saúde coletiva, nutrição, entre outras. “Espera-se que muito do aprendizado sobre a Covid-19 possa servir, no futuro, para o enfrentamento de outras doenças e eventuais epidemias”, prevê Marcos Barreto.

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