Observatório da Universidade aponta para crescente desemprego no Nordeste durante a pandemia.

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O comportamento do mercado de trabalho do Brasil, até o mês de maio, já demonstrava alguns sinais de potenciais efeitos decorrentes da pandemia da Covid-19. A taxa de desemprego, por exemplo, aumentou em 0,7 ponto percentual (de 12,2% para 12,9%) entre março e maio, de acordo com a Pesquisa Nacional por Amostra nos Domicílios, PNAD.

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Taxa de desocupação entre as Unidades da Federação: 1º trimestre de 2020

Por outro lado, os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (CAGED) mostram que, no acumulado do ano até julho, foram perdidos 1.092.578 empregos formais celetistas (saldo de admissões e desligamentos no período). As regiões Nordeste (21,5%) e Sudeste (59,7%) respondem por 81% dos empregos formais perdidos no período e por quase 80% dos pedidos de seguro-desemprego no país. Os resultados mais recentes, do 2º trimestre, destacam a Bahia como o estado que apresentou a maior taxa de desemprego do país (cerca de 20%).

Esses números estão no primeiro de uma série de boletins sobre o mercado de trabalho do Nordeste e a pandemia da Covid-19, lançado no fim do mês de agosto, e que apresenta uma análise da evolução recente dos principais indicadores do mercado de trabalho do Brasil, a partir do comportamento das suas macrorregiões, com base nos dados da PNAD Contínua (IBGE) e da Relação Anual de Informações Sociais – RAIS (Ministério da Economia – ME).

O SEGUNDO BOLETIM

O segundo boletim do Observatório Mercado de Trabalho do Nordeste e COVID-19, que será divulgado agora em setembro, abordará as desigualdades regionais no mercado de trabalho a partir da análise da base de dados dos beneficiários do Auxílio Emergencial, medida tomada pelo governo para assegurar as condições mínimas de sobrevivência à parcela da população mais atingida pela crise.

De acordo a professora Roberta Rocha, do Departamento de Economia da UFPE/CAA e pesquisadora do GeTrab-UFBA, os dados da Controladoria Geral da União, até o mês de julho, mostram que “em torno de 31% da população brasileira (com base na estimativa populacional de 1º de julho de 2020 do IBGE) foi beneficiada pelo auxílio emergencial. Entre as grandes regiões, 37% da população do Nordeste receberam o auxílio, seguido das regiões Norte (36%), Centro-Oeste (29%), Sudeste (28%), e Sul (24%). Entre as Unidades da Federação, Piauí e Bahia lideram este ranking, com um quantitativo de 39% e 38%, respectivamente”, adianta a professora Roberta.

COM O FOCO NO NORDESTE

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Taxa de informalidade entre as Unidades da Federação: 1º trimestre de 2020

Os boletins integram o projeto de extensão da Universidade Federal da Bahia “Observatório Mercado de Trabalho do Nordeste”, realizado pelo Grupo de Pesquisas em Economia do Trabalho da UFBA (GeTrab-UFBA), em colaboração com pesquisadores de outras Universidades Federais da região Nordeste, e busca contribuir com a geração e difusão de conhecimentos sobre o desempenho do mercado de trabalho da região Nordeste do Brasil diante da pandemia mundial da Covid-19 (coronavirus disease).

O GeTrab é um grupo de pesquisas em Economia do Trabalho vinculado à Faculdade de Economia da Universidade Federal da Bahia e certificado pelo CNPQ. O grupo iniciou suas atividades em abril de 2019 e possui pesquisadores da UFBA e de outras instituições de ensino superior do Brasil. Seu objetivo é realizar estudos na área de Economia do Trabalho e contribuir com o desenvolvimento de pesquisas regionais e locais associadas à geração de emprego e renda e aos diferenciais de desempenho entre os mercados de trabalho. Além disso, o grupo busca impulsionar a produção de conhecimentos para subsidiar a formulação de políticas públicas e promover a difusão do tema na Universidade Federal da Bahia e entre as instituições da economia local e regional.

Segundo professores e Instituições envolvidas, o projeto se mostra relevante, diante do cenário vivenciado mundialmente, pois os efeitos econômicos e sociais decorrentes da pandemia da Covid-19, imediatos e futuros, podem ser mais intensos em uma região que já apresentava os piores indicadores do mercado de trabalho nacional, com altas taxas de informalidade e desemprego, e um maior grau de vulnerabilidade social e econômica de sua população. Portanto, ao contribuir com a análise do comportamento do mercado de trabalho da região, o projeto propõe levantar evidências que possam subsidiar a formulação de políticas públicas mais eficazes.

Para a professora Diana Gonzaga, do Departamento de Economia da UFBA e Coordenadora do GeTrab-UFBA,” o observatório surge como uma proposta de reunir pesquisadores de diferentes universidades públicas do Nordeste, especialistas na área de trabalho e desigualdades, para produzir conhecimento sobre o desempenho do mercado de trabalho da região diante da pandemia da Covid-19 e subsidiar as discussões em torno da formulação de políticas públicas que considerem as diferenças espaciais observadas”.

Ainda segundo a professora e coordenadora, o mercado de trabalho da região Nordeste já apresentava evidências de baixo dinamismo e dificuldade de absorver uma grande parcela de seus trabalhadores no segmento formal, mesmo antes da pandemia. “Ao analisar os dados da PNAD Contínua (IBGE), informa Diana, observamos que as taxas de informalidade e de desemprego no Brasil estavam em torno de 40% e 12,2%, enquanto no Nordeste essas taxas eram de 53% e 15,6%, no 1º trimestre do ano”.

E acrescenta, falando da situação na Bahia:” Os resultados mais recentes, do 2º trimestre, destacam a Bahia como o estado que apresentou a maior taxa de desemprego do país (cerca de 20%), ou seja, o cenário que já não era bom, desde a recessão econômica de 2015, pode acentuar as desigualdades regionais pré-existentes no mercado de trabalho”.

Contato do Grupo: getrab@ufba.br

Professores Instituições Envolvidos: Diana Gonzaga (Coordenação UFBA), Adelson Santos (UFRPE/UAST), Danyella Brito (UFPE/CAA), Everlândia Souza (UFRPE/UAST), Mércia Cruz (UFPB), Roberta Rocha (UFPE/CAA) e Stélio Lombardi Filho (UFBA)

Informações sobre o Observatório e os Boletins:
https://sites.google.com/view/getrab-ufba/pesquisas/observat%C3%B3rio-mercado-de-trabalho-do-nordeste-e-covid-19?authuser=0

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