Congresso discute o futuro da democracia digital

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ILUSTRAÇÃO 2“’No momento em que muitos setores da sociedade questionam o papel da ciência, reiteramos nossa função de promover ciência de alto impacto que busca compreender como é possível produzir mais e melhores democracias por meio das tecnologias digitais”.

A afirmação é de Wilson Gomes, Professor Titular de Teoria da Comunicação na Universidade Federal da Bahia, UFBA, e coordenador o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT. DD) que promove, entre os dias 26 e 30 de outubro, a terceira edição do seu Congresso anual com a presença de especialistas nacionais e internacionais. O evento será realizado de forma online neste ano de pandemia, com o intuito de discutir as questões mais importantes sobre democracia, governo e política digitais. O INCT.DD tem sede na Faculdade de Comunicação (Facom), da UFBA.

A ideia é ampliar o escopo das discussões promovidas pelo Instituto e abordar temas como eleições e mídias digitais, os desafios dos parlamentos digitais, novas configurações da esfera pública e a plataformização e participação política online. O debate é aberto ao público em geral e será transmitido ao vivo pelo canal do Youtube do INCT.DD.

ILUSTRAÇÃO 3Nesse sentido, o professor Wilson destaca o esforço de conseguir ampliar, neste ano de pandemia e de recursos escassos, o escopo do evento, “pois contamos com a participação dos mais importantes pesquisadores internacionais do mundo na área de democracia digital. Uma oportunidade única de estreitar laços científicos e oferecer a nossos pesquisadores oportunidades de incremento das pesquisas, por meio das reuniões de trabalho fechadas e, também, das conferências abertas ao público”, afirma.

Entre os convidados internacionais estão pesquisadores como Jennifer Stromer-Galley (Syracuse University), Stephen Coleman (University of Leeds), Jean Burgess (Queensland University of Technology), Lance Bennett (University of Washington) entre outros.

E entre os pesquisadores brasileiros que também participarão do evento, Camilo Aggio, professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) é o único palestrante nacional. Ele vai falar sobre um aspecto particular das campanhas em mídias digitais: a ininterruptabilidade das campanhas políticas em plataformas digitais. “Discute-se muitos aspectos e particularidades, continuidades e descontinuidades, das chamadas campanhas online, mas creio que não se tem dado a devida atenção para o fato de que as plataformas de comunicação digital, que tem sido usadas para fins de comunicação política tornaram nosso calendário eleitoral (no que diz respeito às campanhas) algo ficcional”, afirma Camilo.

ILUSTRAÇÃO 4O exemplo, ele adianta para o Edgar Digital, “obviamente, é Jair Bolsonaro e as eleições de 2018. Enquanto seus adversários esperavam pelo início de 45 dias de campanha oficial em rádio e televisão e outros eventos mediático, como debates televisivos, Jair Bolsonaro e sua turma já faziam campanha há pelos 2 anos nas redes digitais. Vantagem muito improvável de ser tirada por seus adversário em 45 dias de campanha. Trata-se, portanto, de considerar o fato de que a mundo político ou, mais especificamente, os atores políticos com pretensões eleitorais, devem atentar para o fato de que se viabilizar eleitoralmente demanda um investimento estratégico contínuo nas redes digitais. Trata-se, em outras palavras, de considerar que a ideia de campanha permanente ganha novos contornos e uma dilatação significativa na interface com os ambientes online em que parte significativa da política da nação acontece”, conclui Aggio.

Segundo um dos organizadores do Congresso, o Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, professor Rodrigo Carreiro, os temas serão discutidos por meio da apresentação das pesquisas em andamento de toda a rede do instituto. São mais de 30 pesquisas sendo apresentadas e, como estão em andamento, elas são restritas à própria rede. Posteriormente, serão publicadas nos mais diversos periódicos nacionais e internacionais. Mas, pode-se adiantar, que são pesquisas que apostam na diversidade de abordagens sobre os fenômenos da comunicação e política que podemos observar no mundo atualmente. Ele afirma adiante que “tanto as conferências quanto as pesquisas apresentadas internamente refletem a diversidade científica apregoada pelo Instituto”.

ILUSTRAÇÃO 5Sobre a importância da realização do III Congresso do INCT.DD no mês que antecede as eleições no Brasil, Rodrigo respondeu:” O Congresso do INCT.DD é a reunião de parte considerável dos maiores especialistas em comunicação política do Brasil, principalmente com seu enfoque nas mídias digitais. As discussões sobre o atual pleito serão abordadas em alinhamento com o histórico de pesquisas que nossos pesquisadores já realizam ao longo dos anos, isto é, as questões atuais surgem e o debate ajuda a consolidar pesquisas atuais e fomentam a criação de novas perguntas, novas abordagens e novas ideias de estudos futuros”.

Ainda segundo Carreiro, “o evento busca refletir as inquietações científicas da nossa rede de pesquisa, que hoje conta com mais de 50 pesquisadores nacionais e internacionais, a partir dos principais acontecimentos políticos do Brasil e do mundo. O evento é uma oportunidade de reunir num mesmo espaço toda essa equipe para que as pesquisas sejam discutidas, ampliadas e melhoradas para, então, serem publicadas em periódicos de referência. Isso fortalece o trabalho em conjunto e ajuda na circulação da ciência produzida pelo Instituto.

ILUSTRAÇÃO 6Para a diretora da Faculdade de Comunicação, mestre e doutora em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA, professora Suzana Oliveira Barbosa, é muito importante poder vivenciar esse momento do III Congresso do INCT.DD. Ela lembra que “na verdade, a implantação do Instituto ocorreu efetivamente em 2017, o que para a Faculdade de Comunicação tem um grande significado, uma vez que, com o INCT.DD, a Facom e o seu programa de pós-graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas passaram a sediar um dos importantes centros nacionais de ciência e tecnologia e, especialmente, o único da área de comunicação. E além de ser o único na área, termos a coordenação do Instituto na Faculdade de Comunicação da Universidade Federal da Bahia, e no PosCom, tem um significado bastante relevante para a pesquisa e para a produção científica dentro da Universidade na área da Comunicação e Política da Democracia Digital.

Sobre o INCT.DD

O INCT.DD agrega diversos grupos e laboratórios de pesquisa nacionais e internacionais dedicados a explorar meios e modos de usar a tecnologia para produzir mais (e melhor) democracia. Com o laboratório central e a coordenação na Facom/UFBA, o Instituto conta com 54 pesquisadores-doutores, entre professores nacionais e internacionais, abrangendo 20 Programas de Pós-Graduação brasileiros nas áreas de comunicação, ciência política, administração, direito e interdisciplinar. No total, estão envolvidas na rede do projeto 23 centros internacionais de 23 instituições estrangeiras, incluindo centro de referência na área de democracia digital do mundo.

O Instituto trabalha com os temas mais relevantes no que diz respeito à comunicação política digital. As pesquisas, além de contarem com a participação de pesquisadores/as diversos do Brasil e do mundo, também reflete essa diversidade na discussão de assuntos como governo digital e suas implicações para a administração pública e para sua relação com o cidadão, parlamento digital e aos novos sistemas deliberativos (ainda mais em tempos de pandemia), democracia e os impactos das apropriações digitais para campanhas políticas, dentre muitos outros. Em suma, trabalham com os temas de impacto mais fundamental para o desenvolvimento democrático no mundo, segundo declarações do seu coordenador Wilson Gomes,também pesquisador e orientador no Programa de Pós Graduação em Comunicação e Cultura Contemporâneas da UFBA.

 

CONFIRA A PROGRAMAÇÃO

Segunda-Feira (26/10)

19h – Conferência de Abertura

Com: Stephen Coleman

Mediação: Rafael Sampaio (UFPR)

Terça-feira (27/10)

19h – Elections and Digital Media

Com: Jennifer Stromer-Galley e Camilo Aggio

Mediação: Arthur Ituassu (PUC-Rio)

Quarta-feira (28/10)

19h – Participation in Digital Environments

Com: Jean Burgess e Lance Bennett

Mediação: Kelly Prudencio (UFPR)

Quinta-feira (29/10)

19h – Algorithms and Robots in the Political Landscape

Com: Jane Fountain e Nardine Alnemr

Mediação: Christiana Freitas (UnB)

Sexta-Feira (30/10)

19h – Contemporary Configurations of the Public Sphere

Com: Lincoln Dahlberg e Hans Asenbaum

Mediação: Ricardo Fabrino Mendonça

*atividades realizadas na língua inglesa

QUEM SÃO OS PALESTRANTES CONVIDADOS

Stephen Coleman – Professor of Political Communication at the University of Leeds and Research Associate at the Oxford Internet Institute, University of Oxford.
Jennifer Stromer-Galley – Professora na School of Information Studies da Universidade de Syracuse (EUA).
Jean Burgess – Professor of Digital Media and Director of the Digital Media Research Centre (DMRC) at Queensland University.
Lance Bennett – Professor at University of Washington and founding director of the Center for Communication and Civic Engagement.
Jane Fountain – Professor of Political Science and Public Policy at UMass Amherst School of Public Policy.
Nardine Alnemr – PhD Candidate at University of Canberra and member of the Centre for Deliberative Democracy and Global Governance.
Lincoln Dahlberg – Professor and Researcher of media politics, digital democracy theory and practice.
Hans Asenbaum – Postdoctoral Fellow at Centre for Deliberative Democracy and Global Governance (Univsersity of Canberra)
Camilo Aggio- professor do Departamento de Comunicação Social da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG)

ORGANIZADORES DO EVENTO
Rodrigo Carreiro
Pesquisador em estágio pós-doutoral no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD), Doutor em Comunicação e Cultura Contemporâneas pela UFBA.
Maria Paula Almada
Doutora e mestre em Comunicação e Cultura Contemporâneas (Facom/UFBA) na linha de comunicação e política. Pesquisadora pós-doc (bolsista CAPES) do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT-DD).
João Senna
Possui Doutorado no PósCom (UFBA). Atualmente é pesquisador com bolsa de pós-doutorado no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT.DD)
João Guilherme Santos
Pesquisador no Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Democracia Digital (INCT-DD). Doutor em Comunicação pelo Programa de Pós-Graduação em Comunicação da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (PPGCom UERJ)

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