Mulheres no topo da Nasa: estudantes vencem em Salvador e seguem para etapa mundial

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Grupo “Hypatia” – mulheres buscando soluções à desnutrição no mundo

Hypatia, reconhecida como a primeira mulher matemática do mundo, sendo também astrônoma, filósofa e figura influente em Alexandria, que viveu entre 360 e 415 anos depois de Cristo, foi a inspiração do grupo homônimo, formado integralmente por mulheres, vencedor da etapa local do Nasa Space Apps Challenge, promovida pela agência espacial norte-americana. Na equipe, duas estudantes da UFBA, outras duas do Senai Cimatec e duas designers.

A equipe ficou em segundo lugar na competição local do hackathon – evento que busca soluções inovadoras -, sendo realizado ao mesmo tempo em diversas cidades e países. Agora, segue para a etapa mundial. O projeto selecionado tem uma importante ambição: busca reduzir a desigualdade nutricional por meio de batatas transgênicas enriquecidas com vitamina B-12, componente encontrado em produtos de origem animal, mais caros e menos acessíveis aos pobres.

Uma das integrantes da equipe “Hypatia”, Clara Fernandez, de 26 anos, que é Bacharel em Saúde e cursa atualmente Biotecnologia, ambos pela UFBA, desmitifica o papel dos transgênicos. “É ainda tabu, porque os transgênicos desenvolvidos até agora deixam a planta resistente a agrotóxicos e isso faz com que a indústria do agronegócio utilize muito dessas substâncias química nas plantas, sendo este o principal problema e malefício às saúde”, diz. Contudo, ela esclarece que os transgênicos também podem ir em outra direção, com modificações que buscam aumentar o valor nutritivo e não prioritariamente ficar resistente a agrotóxicos.

“Queremos colocar a vitamina B-12 dentro de um alimento que seja universal, de fácil colheita. A batata suplantada com B-12 resolve o problema que a falta dessa vitamina acarreta, que podem causar problemas no sistema neurológico, no processamento de informações e, a maioria da população tem deficiência em B-12. Então, também resolveria essas questões, que é bem mais grave nos países subdesenvolvidos, cuja carne é muito custosa, o que diminui o seu consumo”, observa. Fernandez explica que  batata tem o propósito de diminuir a necessidade do consumo de carne, e, portanto, ajudaria na preservação do meio ambiente, “pois os custos de produção da carne não são só econômicos, mas também ecológicos (muita água gasta, muitas florestas destruídas)”.

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Live do evento com a participação da equipe “Hypatia”, do grupo “Cafeína” – vencedor em 2019, formado também por estudantes da UFBA – e Leka Hattori, diretora na Bahia do Founder Institute

A metodologia a ser implementada absorve conhecimentos de outros experimentos e estudos. A vitamina B-12, inclusive, teve boa receptividade na Arabidopsis thaliana, uma das espécies mais utilizadas na pesquisa científica atualmente e que serve como planta modelo.

A estudante de Biotecnologia explica que a ideia do projeto é de manipular a vitamina nas fases finais do desenvolvimento da planta para que ela se fixe na batata. “Como uma proteína, a própria planta inclusive pode consumir, por isso a ideia é colocar esse gene para ser produzida mais na fase tardia, através de técnicas de engenharia genética”, conta Clara Fernandez.

A equipe “Hypatia” é composta também pela estudante do curso de Biotecnologia da UFBA, Daniela Méria Ramos Rodrigues, 22 anos. Para ela, a participação no evento é uma experiência enriquecedora. “Primeiro, por fazer parte de uma equipe com mulheres incríveis. Segundo, por saber valorizar pessoas que não estão no seu ciclo de profissão e estudos”, afirmou Rodrigues, que fez também elogios à organização do evento, em especial pelas tutorias que avaliavam pontos fortes e fracos dos projetos.

Ao lado das estudantes de Biotecnologia da UFBA, fazem parte do “Hypatia” Beatriz Mota, 18 anos, Técnica em Mecânica de Precisão e estudante de Engenharia Mecânica, e Talia Silva de Oliveira, 20 anos, Técnica em Biotecnologia, ambas pelo Senai Cimatec. Completam o grupo duas designers, Michelle Villafuerte, 27 anos, e Ananda Savitri, 25.

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Arte conceitual de uma plantação em cápsula/NASA

Para além de democratizar o acesso ao nutriente que tem papel vital no bom funcionamento do organismo, a ideia do grupo pode auxiliar na alimentação dos astronautas, pois a batata pode ser plantada nas fazendas espaciais da Nasa, “o que resolveria o problema da nutrição dos astronautas, que costumam levar carne em pó e já cultivam batata no espaço”, fala Clara Fernandez.

É o segundo ano consecutivo que o evento traz estudantes da UFBA entre os ganhadores do evento da Nasa. Ano passado, a equipe “Cafeína” conquistou a etapa local e, em seguida, ficou entre os seis vencedores na fase mundial da competição (leia matéria completa). O projeto dos estudantes previa um dispositivo a ser instalado em cascos de navios, a fim de remover boa parte da sujeira dos oceanos, o Ocean Ride (“carona pelo oceano”, em tradução livre).

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