Publicado pela Edufba, livro de João Augusto Rocha sobre Anísio Teixeira vence prêmio nacional de editoras universitárias

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Breve História da Vida e Morte de Anísio Teixeira - desmontada a farsa da queda no fosso do elevador, de João Augusto de Lima Rocha

O livro, que já está em sua segunda tiragem, é muito bem aceito pelos leitores.

Publicado pela Editora da Universidade Federal da Bahia (Edufba), o livro “Breve História da Vida e Morte de Anísio Teixeira: desmontada a farsa da queda no fosso do elevador”, do professor da Escola Politécnica da UFBA João Augusto de Lima Rocha, alcançou o primeiro lugar na categoria Ciências Humanas do 6º prêmio da Associação Brasileira de Editoras Universitárias (Abeu).

Publicada em 2019, a obra concorreu com mais três finalistas em sua categoria.  Segundo o professor João Augusto – organizador da Fundação Anísio Teixeira na Bahia e membro do Conselho Curador da instituição –, o livro defende que a morte do educador baiano, Anísio Teixeira, não foi um acidente e apresenta justificativas que indicam que a ditadura militar poderia desejar que Teixeira fosse assassinado. (Leia mais abaixo)

A importância temática da obra se dá porque Anísio Teixeira foi um educador singular, cuja contribuição levou a inovações relevantes na política educacional, na administração escolar e na pedagogia, implantadas de 1924 a 1971, no Brasil. Da educação infantil até a pós-graduação, tudo que é considerado inovação educacional advém das universidades e das escolas que Teixeira concebeu e implantou. “É de seu esforço que se consolida, no Brasil, a luta pela escola pública, universal, gratuita e laica, baseada no princípio, difundido amplamente por Teixeira, segundo o qual é por meio da escola pública que a democracia implanta-se e consolida-se na sociedade”, relata o autor.

Para a diretora da Edufba, Flávia Garcia Rosa, “essa premiação confirma nossa qualidade, sobretudo, nesse momento em que as instituições públicas estão sendo tão afetadas por tantas questões, como por exemplo, a falta de recursos”, disse Rosa. “É uma conquista muito merecida, pela seriedade do tema, pelo autor-pesquisador e, principalmente, pelo trabalho de equipe. A obra é fruto de um trabalho bem-sucedido e longo, iniciado numa cadeia, dede o autor, passando por vários profissionais, até quando o levamos ao leitor que se interessa e aceita ler”, afirma a diretora, informando que o livro já está na segunda tiragem.

A premiação da Abeu tem o objetivo de incentivar a qualificação das edições das casas editoriais universitárias e fomentar a produção técnico-científica, em relação tanto à excelência dos conhecimentos veiculados pelos títulos quanto à concepção estética das edições.  Devido ao contexto da pandemia de Covid-19, os vencedores de cada categoria foram anunciados numa live transmitida pelo canal da Abeu no YouTube, na noite de 26 de novembro.

Nesta sexta edição, a Comissão Organizadora do Prêmio ABEU analisou obras submetidas por editoras universitárias de todo o país, em oito categorias: Ciências Humanas, Ciências Sociais, Ciências da Vida, Ciências Naturais e Matemáticas, Ciências Sociais Aplicadas, e Linguística, Letras e Artes – no que concerne a conteúdos; além de Projeto Gráfico, no que concerne ao produto final do processo editorial; e Tradução.

Hipótese, pesquisa e evidências

João Augusto de Lima Rocha

O autor João Augusto de Lima Rocha, no lançamento da obra no ano de 2019.

O professor João Rocha realizou uma pesquisa rigorosa, por mais de trinta anos, com o objetivo de esclarecer pontos obscuros relacionados à explicação divulgada na imprensa sobre a morte do professor Anísio Teixeira, devido a uma queda – acidental ou criminosa –  no fosso de um elevador, no Rio de Janeiro, em 11 de março de 1971.  De acordo com Rocha, inicialmente, ele não partiu da hipótese de que Teixeira foi assassinado pelo regime militar.

Ainda sem preocupação com a formulação de hipóteses, o pesquisador recolheu informações de familiares que acompanharam as buscas, após o desaparecimento do educador, em março de 1971. Depois, ele examinou o noticiário dos jornais cariocas, em torno da data do desaparecimento e obteve informações de uma longa matéria, divulgada no jornal Última Hora (RJ), da edição de 15 de março daquele ano.

Ao avaliar as possibilidades de acidente ou de crime, ele percebeu “que a explicação era muito simplista, sem qualquer suporte em provas concretas e, com o tempo, foi-se evidenciando que a versão foi construída com a finalidade de esconder a verdade, no interesse da ditadura”, conta pesquisador. “A questão ainda não está completamente explicada, mas, na medida em que provo definitivamente, no livro, que ele não caiu no fosso do elevador, tudo leva a crer que foi assassinado, com grande probabilidade de que isso tenha ocorrido após tortura, em instalação militar no Rio de Janeiro, entre 11 e 12 de março de 1971”, acrescentou.

Para ele, “a hipótese do assassinato está embasada em informações dadas, independentemente, por dois intelectuais conservadores de elevada expressão, que as obtiveram em meios militares muito acreditados, porquanto ligados diretamente à coordenação da repressão política”. Somente no final de 1988 foi que ele obteve a informação crucial, “dada pelo então senador Luiz Viana Filho, que me falou sobre telefonemas trocados entre ele e militares de alta patente, entre 11 e 13 de março de 1971, na busca de esclarecimento para o desaparecimento do educador”, revelou Rocha.

“Enfim, consolidou-se a possibilidade de que Anísio tenha sido sequestrado no trajeto que ele iniciou na Fundação Getúlio Vargas, na manhã de 11 de março de 1971. O sequestro foi para levá-lo, sob coerção ilegal, a dar depoimento em instalação da Aeronáutica, no Rio, após o momento em que, contraditoriamente, já teria caído no fosso do elevador onde o corpo foi encontrado, dois dias depois”, conta o professor.

Ele entrevistou o médico e crítico literário baiano Afrânio Coutinho, também amigo próximo de Anísio, que apresentou mais evidências sobre a possibilidade de ser falsa a tese da queda no elevador. Daí em diante, ele admitiu a hipótese do assassinato, corroborada também por informação da família do educador.

Rocha ficou mais de 20 anos de posse dessas informações, para revelá-las, publicamente, somente em agosto de 2012. Após a divulgação, que teve grande repercussão na imprensa, em novembro daquele ano, a Comissão Nacional da Verdade (CNV) aceitou investigar o assunto. “A CNV não concluiu a investigação, mas, em 2014, entregou à família do educador fotografias e a cópia do auto do exame cadavérico de Anísio, documentos aos quais tive acesso e que me permitiram provar que a queda no fosso do elevador não foi mais que uma farsa, a serviço de quem tinha interesse em esconder a verdade sobre a morte de Anísio Teixeira”, concluiu o autor do livro premiado.

Sobre o autor

João Augusto de Lima Rocha graduou-se em engenharia civil pela UFBA, em 1972 e fez o mestrado em engenharia civil, na Coppe/UFRJ, em 1976. Seguiu carreira de professor na Universidade Gama Filho, no Rio de Janeiro, a partir de 1975, e, em 1978, foi para a Universidade Federal da Paraíba, em Campina Grande. No final de 1980, foi chamado para a UFBA, onde havia passado em concurso para professor assistente, no ano de 1977. Foi presidente do Sindicato dos Professores das Instituições Federais de Ensino Superior da Bahia (Apub), de 1985 a 1987. Após 37 anos de atuação como docente na UFBA, aposentou-se como professor titular da Escola Politécnica.

Rocha organizou a Fundação Anísio Teixeira, na Bahia, que iniciou suas atividades em 1989. Foi diretor executivo da Fundação de 1989 a 1992 e, logo a seguir, pró-reitor de graduação da UFBA. Fez o doutorado em Engenharia de Estruturas, na USP/São Carlos, concluído em 1999. De lá até o momento, é membro do Conselho Curador da Fundação Anísio Teixeira.

Seu primeiro contato com a obra de Anísio Teixeira deu-se em 1970 quando era membro do Diretório de Engenharia Civll da UFBA (diretor de Cultura) e encontrou na biblioteca do Diretório, o livro “Vida e educação”, de John Dewey, o filósofo e educador norte-americano que influenciou Anísio por toda a vida. A tradução foi de Anísio, e o prefácio, de sua autoria, tomava metade do livro!  Ele conta que ficou entusiasmado com a leitura e releu o livro várias vezes. Em 1987, foi convidado pelo Instituto Anísio Teixeira (IAT), do governo da Bahia, para participar de um projeto de recuperação da memória dos principais educadores do estado, e “a mim coube a parte referente a Anísio Teixeira”, lembrou Rocha.

Na pesquisa, juntamente com a participação da pesquisadora Laura Mônica Amaral Baleeiro, foi descoberto um conjunto significativo de documentos na casa natal do educador, em Caetité. O IAT publicou uma edição fac-símile das correspondências inéditas de Anísio Teixeira então encontradas, que alcançou grande repercussão. Foi isso que deu condições para o início do movimento que culminou com a criação da Fundação Anísio Teixeira, instalada em 21 de setembro de 1989, sob a coordenação de João Rocha. “Daí em diante passei a dedicar-me intensamente à obra de Anísio”, revelou o docente e escritor premiado.

Ficha técnica do Livro

Título: Breve História da Vida e Morte de Anísio Teixeira: desmontada a Farsa da Queda no Fosso do Elevador

Autor:  João Augusto de Lima Rocha

Idioma: Português

Editora: Edufba

Ano de publicação: 2019

Páginas: 286

*Com informações da Edufba

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