Pesquisadores da UFBA lideram 3 dos 11 projetos selecionados pelo CNPq para investigar impactos do óleo no litoral

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Óleo na Praia do Forte, Bahia, em 2019

Três projetos de pesquisa coordenados por professores da UFBA foram selecionados no disputado Programa Ciência do Mar, do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), em parceria com a Marinha do Brasil, que incentiva iniciativas de enfrentamento às consequências do derramamento de óleo na costa brasileira em 2019, maior desastre ambiental da história do país, que atingiu 1.009 localidades de 11 estados.

Ao todo, onze projetos foram selecionados entre 141 propostas. Juntos, irão dividir R$ 6 milhões em investimentos, distribuídos de acordo com as especificidades e exigências de cada projeto. Entre eles, o trio da UFBA: o estudo epidemiológico do impacto do derramamento de óleo bruto na costa da Bahia, voltado à saúde, ambiente e segurança alimentar, liderado pela professora Rita de Cássia Franco Rêgo, da Faculdade de Medicina; a rede cooperativa de desenvolvimento de protocolos para avaliação de zonas costeiras impactadas por derramamento de óleo e aplicação de biotecnologias para remediação (Rebicop), sob coordenação da professora Olívia Oliveira, do Instituto de Geociências; e a pesquisa sobre impactos subletais do derramamento de óleo sobre as funções ecológicas chaves de ecossistemas marinhos na costa da Bahia, gerenciado pelos professores Jailson Andrade, do Instituto de Química, e Zelinda Leão, do Instituto de Geociências.

Confira, a seguir, mais detalhes de cada projeto:

 

PPGSAT tem segundo projeto aprovado para avaliar impactos do derramamento de óleo

oleo3É a segunda vez que o Programa de Pós-Graduação em Saúde, Ambiente e Trabalho (PPGSAT) da Faculdade de Medicina da UFBA aprova projeto de pesquisa para avaliar os impactos do derramamento de óleo no litoral brasileira. O projeto é assinado pela médica Rita de Cássia Franco Rêgo. Enquanto no início de 2020, que, no ano passado, fora selecionada pelo programa Capes Entre Mares, da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes).

O projeto do PPGSAT irá investigar os males que o óleo provoca à saúde, ambiente e segurança alimentar. O público-alvo são comunidades afetadas no litoral do da Bahia. Reconhecendo diversos saberes, a pesquisa é desenhada de modo a incentivar ações em conjunto com as comunidades, por meio da Pesquisa Participativa Baseada na Comunidade (PPBC), modelo que busca o envolvimento equitativo de membros da comunidade, representantes organizacionais e pesquisadores em todas as etapas processo de pesquisa e intervenção.

Rita de Cássia dá destaque à maturidade dos estudos desenvolvidos dentro do PPGSAT, que, desde 2007, desenvolve pesquisas e ações de extensão sobre a saúde dos pescadores artesanais na Bahia e no Brasil. “A aprovação deste projeto integra esse contexto de ampla experiência construída por meio de diálogo permanente com lideranças dos pescadores”, observa a professora.

O projeto busca responder como o derramamento de óleo bruto impacta a saúde de comunidades afetadas, por meio da produção de tecnologias de saúde em conjunto com as comunidades para o acompanhamento e cuidado da população exposta. Será feita uma importante conexão com dados fornecidos pela pesquisa do INCT AmbTropic IIuma iniciativa conjunta das Universidades Federais da Bahia, de Pernambuco e do Rio Grande do Norte, sediada no Instituto de Geociências sobre contaminação do pescado e do marisco, proporcionando uma visão ampliada da contaminação

Somando forças, uma equipe de 22 pesquisadores, de diferentes programas de pós-graduações, departamentos e institutos da UFBA assinam o projeto, numa parceria que atravessa diversas disciplinas e abrange as áreas de saúde, ciências ambientais, ecologia, oceanografia, química, geoquímica, estatística, antropologia, microbiologia, entre outros. Nessa união de saberes da UFBA, além do PPGSAT, atuam o Instituto de Biologia, o Instituto de Geociências, a Escola Politécnica e seu Departamento de Engenharia Ambiental, e o Instituto de Matemática e Estatística, por meio do Departamento de Estatística, e o Instituto de Ciências da Saúde. Há ainda parcerias com pesquisadores de outras instituições nacionais e internacionais, entre elas a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), o Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia de Santa Catarina (IFSC), a Universidade da Carolina do Norte em Chapel Hill, nos Estados Unidos, e a Universidade de Barcelona, na Espanha.

 

Protocolos para avaliação dos impactos e uso de biotecnologias para remediação

Com um time de especialistas já habituados em avaliar os impactos de derramamento de óleo em zonas costeiras em várias regiões do mundo, a Rede Cooperativa de Desenvolvimento de Protocolos para Avaliação de Zonas Costeiras Impactadas por Derramamento de Óleo e Aplicação de Biotecnologias para Remediação (Rebicop) está instalada no Instituto de Geociências da UFBA, sob a liderança da professora Olívia Maria Cordeiro de Oliveira, diretora da unidade.

A rede tem a meta de desenvolver estudos científicos, tecnológicos e de inovação, em busca de estabelecer protocolos para avaliação de zonas costeiras impactadas pelo derramamento de óleo e aplicação de biotecnologias para remediação. Objetivo que se alinha ao Plano de Ação em Ciência, Tecnologia e Inovação para os Oceanos, do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações (MCTIC). O projeto contribuirá para a produção científica nacional, e a geração de conhecimentos científicos, tecnológicos e em inovação relacionados ao derramamento de óleo ocorrido em 2019. O Centro de Excelência em Geoquímica – Petróleo, Energia e Meio Ambiente (Lepetro) , do Instituto de Geociências da UFBA será a sede da Rede.

A Rede é formada por especialistas de diversas áreas, de outras unidades da UFBA, de outras instituições de ensino do país e do exterior, a exemplo da Escola Politécnica, do Instituto de Química, do Instituto de Ciências da Saúde e do Instituto de Biologia. De outras instituições, participam a Universidade Federal de Alagoas (UFAL), a Universidade Federal do Piauí (UFPI), a Universidade Federal de Sergipe (UFS), a Universidade de Brasília (UnB), a Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e a Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS). Fortalecendo a internacionalização, atuam o Memorial Newfoundland University, do Canadá, o AIR Centre e a Universidade do Porto, ambos de Portugal, entre outros.

 

Os impactos na grama marinha e nos recifes de corais entre a Baía de Todos os Santos e a Baía de Camamu

oleo4Sob coordenação dos pesquisadores Jailson de Andrade e Zelinda Leão, a investigação acerca dos impactos subletais do derramento de óleo sobre funções ecológicas chaves de ecossistemas marinho na costa da Bahia foi outro projeto escolhido pelo edital do CNPq. Com experiências originadas de espaços de excelência – a exemplo do INCT Energia e Ambiente, do Centro Interdisciplinar de Energia e Ambiente (CIEnAm) e do Projeto Kirimurê, que agrega educação, ciência, tecnologia e inovação – o estudo terá como espaço de ação doze pontos da região localizada entre a Baía de Todos os Santos e a Baía de Camamu.

O estudo fará a investigação dos bancos de grama marinha e dos recifes de corais dessa região, escolha justificada porque “além de serem sensíveis, criarem condições propicias à sedimentação, [podem] assim reter o próprio óleo decantado ou sedimento e microplástico que adsorvem razões deste óleo”, descreve o projeto aprovado. O objetivo central é avaliar a presença de marcadores petrogênicos orgânicos e inorgânicos e assim de verificar a ocorrência de efeitos subletais (ou seja, tóxicos, ainda que não necessariamente levem à morte).

“Dentre as principais funções ecológicas chaves que podem ser afetadas nesses ecossistemas, destacam-se as funções de teia trófica que pode estar sendo contaminada desde a base por distintas vias como a produção primária, detritívoros ou filtradores e a função de biocontrução dos recifes de corais que mantêm a complexidade estrutural responsável pela grande diversidade biológica desses ecossistemas”, afirma a proposta.

De acordo com o projeto, “entender como essas funções ecológicas chaves estão sendo afetadas é um grande desafio. Abordagens das ciências químicas assim como seus avanços tecnológicos em novos métodos de análise e dispositivos são necessários para abordar de forma inovadora essas questões”.

O projeto irá se debruçar em investigar a presença de hidrocarbonetos e metais, traços derivados do petróleo são considerados um dos principais tipos de poluição que ameaça ambientes marinhos e eventos de derrames de petróleo são de significativa preocupação. Mais recentemente, os microplásticos também têm sido considerados em estudos de poluição petrogênicia pois absorvem concentrações de metais e compostos orgânicos na superfície, servindo como um vetor de transporte no ecossistema.

 

Relembre outras ações da UFBA no enfrentamento da poluição causada pelas manchas de óleo em 2019:

Óleo no litoral: UFBA reúne pesquisadores de diversas áreas que têm se dedicado ao tema – 26/11/2019

UFBA tem 2 dos 12 projetos selecionados pela Capes para pesquisar impactos do óleo no litoral – 24/01/2020

UFBA tem mais um projeto selecionado pela Capes para pesquisar impactos do óleo no litoral – 02/03/2010

 

 

 

 

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