Com recorde de atividades, Congresso mostra que a UFBA é “espaço de resistência e afirmação da vida e da democracia”

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artes-aberturaMais de 1.100 horas de transmissões ao vivo, em 27 salas simultâneas, assistidas por cerca de 90 mil pessoas – o que, a uma média de 4 vídeos por espectador, resulta em aproximadamente 325 mil visualizações. Mais de 28,6 mil inscritos – sendo 16 mil da comunidade UFBA – , realizando ou assistindo a mais de 900 mesas, 100 atividades gravadas e 135 intervenções artísticas, em cindo dias de um evento – cuja realização mobilizou cerca de 300 pessoas, entre profissionais e monitores voluntário.

Os números são expressivos, mas, como sempre, servem apenas para ajudar a dimensionar o impalpável: a enorme vitalidade da comunidade UFBA, que não deixa o reitor João Carlos Salles mentir quando afirma que o Congresso é “espaço de resistência e de afirmação da vida e da democracia”.

Iniciada pelo já tradicional toque dos alabês do projeto Rum Alagbê, regidos por Iuri Passos; pelo berimbau do mestre Nenel; e pelos violoncelos da Orquestra Sinfônica da UFBA, conduzidos pelo maestro José Maurício Brandão, com as solistas Vanda Otero e Flávia Albano, a sexta edição do Congresso – a segunda na modalidade online – foi marcada por uma intensa programação. Mesas de discussão, vídeo-pôsteres e atividades artísticas, tudo realizado de forma remota e segura, num momento em que o distanciamento social se faz cada vez mais necessário, em razão do crescimento do número de contaminados e mortos pela pandemia no país.

Essa triste realidade, que atinge toda a população, foi lembrada pelo reitor João Carlos Salles no discurso de abertura – vídeo mais assistido do evento, com média de 3 mil espectadores simultâneos e mais de 26 mil visualizações ao todo – em 22 de fevereiro (leia o discurso na íntegra). “Os números são simplesmente aterradores: mais de 246 mil mortes, de sorte que, mesmo brevemente, temos o dever de refletir sobre o que ampara tamanho desatino, tamanho absurdo”, disse o reitor, em uma reflexão sobre a conjuntura política e institucional, em que criticou visões negacionistas, que recusam a Ciência, em prol da disseminação de práticas violentas e preconceituosas.

“Em plena segunda onda da pandemia, há a previsão de que, no Brasil, se somarão ao total acumulado um milhão de novos casos e 20 mil novos óbitos a cada 17 dias. Tais números, tomados em conjunto, configuram uma tragédia sanitária nacional sem precedentes em magnitude e duração; traduzem enorme sofrimento e guardam ainda o fato de que, na ausência de políticas públicas de vulto, marcadores sociais elevam as taxas de mortalidade nos grupos mais vulneráveis da sociedade, desamparados por atos e omissões, pelo desconexo das ações e por atitudes que agravaram a transmissão e fizeram crescer o número de mortos”, observou o reitor.

vacinaA necessidade de vacina para todos foi lembrada pelo reitor João Carlos Salles como “única campanha legítima neste momento”. Entremeado ao discurso, foi exibido um vídeo retratando a intervenção urbana realizada por docentes, discentes e técnico-administrativos da UFBA e da UFRB, com a participação de artistas do grafite, que pintaram a frase “Todos Pelas Vacinas”, em letras garrafais, nos campi das duas universidades.

Salles também informou a comunidade sobre a grave situação orçamentária que aflige as instituições de ensino superior do país. “A atual proposta de lei orçamentária não prevê o mero bloqueio de recursos, mas sim o corte de recursos discricionários das universidades e institutos federais”. O corte nas universidades federais supera 1 bilhão de reais, “ou seja, cerca de 18% em relação à proposta de lei orçamentária de 2020”. Na UFBA, o corte representa aproximadamente 30 milhões em custeio e cerca de 6,5 milhões em verbas do Plano Nacional de Assistência Estudantil, “com consequências as mais perversas”, alertou.

reitorO reitor sinalizou ainda o espírito de perseguição à autonomia universitária presente em um ofício circular enviado pelo MEC em 07 de fevereiro, que recomenda “providências como a criação de mecanismos de denúncia ou, se preferirem, de delação, na forma de disponibilização de “canais físicos e eletrônicos para receber denúncias”, etc. “O espírito dessa recomendação, já em sua origem, deveria saber o MEC, é ilegal e inconstitucional”, afirma o reitor.

Diante do quadro, Salles foi categórico: “a UFBA não se abate. Nunca seremos reféns do absurdo, nem cúmplices de qualquer polidez destrutiva (…) Sabemos bem quem somos e, em nosso trabalho cotidiano, variado e intenso, são mais que suficientes os indícios, os sinais de que, em uma instituição que depende do diálogo, a representação do conhecimento há de ser mais forte que a da ignorância”, comenta.

Ao finalizar, o reitor convidou à esperança. “Que se abra, pois, o caminho da reflexão e que nossa UFBA se expresse inteira em nosso Congresso, como um espaço de resistência e de afirmação da vida e da democracia. Afinal, carregada de saberes, lutas, raças, gêneros e história, a UFBA guarda, quando inteira e em seu melhor, a força imensa e tamanha de um anjo de terra que pensa, trabalha, dança e sonha”.

Confira a abertura do II Congresso Virtual da UFBA:

 

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