UFBA debate gerenciamento integrado e mais sustentável de resíduos perigosos

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A UFBA tem dimensões comparáveis às de uma cidade de médio porte, com população permanente de 50 mil pessoas e população flutuante de cerca de 30 mil pessoas. Isso implica gerenciar um enorme volume de resíduos produzidos, entre os quais os de natureza química e radioativa, considerados perigosos, e dar a eles a destinação mais adequada, respeitando as questões ambientais e determinações legais. “Não é apenas gerenciar, mas transformar esse gerenciamento em pesquisa, extensão e atividades de ensino em nossa instituição”, disse o superintendente de Meio Ambiente e Infraestrutura da UFBA, Fábio Velame, no III Workshop de Gerenciamento Integrado e Mais Sustentável de Resíduos Perigosos na UFBA, realizado na sexta-feira, 24 de setembro – um dia inteiro voltado a debater e aprimorar a política de gestão de resíduos da UFBA.

Para além dessas dimensões de cidade, a UFBA “é uma comunidade, ou seja, é uma cidade que pensa, que dialoga, que se relaciona com o seu entorno, que compreende a dimensão de natureza e daquilo que gera como resíduo, e trata isso de forma responsável e sustentável. Ou seja, há gestão eficiente. E a gestão é eficiente quando visa o bem comum e o interesse da sociedade”, afirmou o reitor João Carlos Salles, que criticou o cenário atual de destruição do meio ambiente e das políticas ambientais no Brasil e ressaltou a Universidade como lugar de resistência, do conhecimento, da cultura, da vida e do meio ambiente, da sustentabilidade e da solidariedade.

Coordenador de Meio Ambiente da Sumai, Antonio Lobo destacou a atuação da universidade em diversos projetos na área da gestão ambiental, a exemplo da coleta seletiva para aproveitamento dos materiais recicláveis, que também gera emprego e renda para uma série de cooperativas que recebem esses materiais. Citou ainda a coleta de óleo vegetal, que, desde 2015, já conferiu a devida destinação a mais de 3 toneladas desse tipo de resíduo na Universidade; e a recomposição da vegetação e enriquecimento florístico, com plantio no campus de 1.600 mudas de espécies do bioma Mata Atlântica; e as campanhas educativas nas redes sociais.

Coleta de resíduos químicos no campus da UFBA, em 2018

Coleta de resíduos químicos no campus da UFBA, em 2018

A minimização de riscos e acidentes perigosos na gestão de resíduos perigosos foi tema de uma das mesas de debates integrante da programação do evento. O professor Clarivaldo Sousa, da Universidade Federal do Recôncavo da Bahia (UFRB), fez referência à lei 12.305/2010, que instituiu a Política Nacional de Resíduos Sólidos e tem entre os seus objetivos a proteção da saúde pública e da qualidade ambiental. Destacou a orientação de buscar, na medida do possível, a não geração desses resíduos, ou a sua redução e reutilização, reciclagem, tratamento, bem como a disposição final ambientalmente adequada. Em relação aos resíduos perigosos, apresentou classificações que elencam pilhas e baterias, lâmpadas fluorescentes, material hospitalar, tintas (que são inflamáveis e podem ser tóxicas), produtos químicos e radioativos.

Outro participante da mesa, o professor Israel Rosa, da Universidade Federal de Lavras (UFLA), ressaltou que a legislação institui que todo gerador de resíduos, seja pessoa física ou jurídica, é responsável por sua destinação e pelos danos que eventualmente vierem a ser provocados. Conforme estudo apresentado, os diversos resíduos produzidos na universidade têm origem nos hospitais universitários, laboratórios em geral, restaurantes e lanchonetes, construção civil, entre outros espaços. O professor falou sobre a importância de assegurar as condições adequadas de armazenamento, transporte, tratamento e disposição final dos resíduos para evitar acidentes e minimizar os riscos. O evento contou ainda com a presença de representante da sociedade civil, Nestor Matias, gestor do Lar Irmão José, e teve mediação de Estelle Mendonça, química e servidora da Coordenação de Meio Ambiente (CMA-SUMAI).

sumai

Na mesa 2, o coordenador do evento e do Núcleo de Recursos Naturais da Sumai, Gilmar Sales, evidenciou a necessidade do trabalho coletivo em todo o processo de gerenciamento de resíduos, que precisa contar com o apoio dos fiscais de cada unidade geradora de resíduos, dos diretores das unidades universitárias, dos trabalhadores dos laboratórios, das empresas coletoras e de toda equipe da superintendência, trabalhadores terceirizados e estudantes. “A comunicação é o coração do trabalho”, afirmou, enfatizando o papel dos workshops realizados para contribuir com as ações de planejamento e educação ambiental, assim como a produção de cartilhas com orientações sobre como lidar com os resíduos e como tornar todo o processo mais sustentável. A atividade contou com a participação do diretor da Ambserv, Juarez Vecina, e mediação de Ighor Barreto (CMA-Sumai).

A terceira mesa do workshop debateu o tema “Riscos de Contaminação do Meio Ambiente e Gestão Sustentável de Resíduos Perigosos”, com as convidadas Beatriz Inês Almeida (UCSAL), Sarah Rocha (Igeo/UFBA) e mediação de Carina Oliveira (CMA-Sumai).

A parte final do evento foi dedicada à atividade de planejamento e coleta de resíduos químicos na UFBA, comandada pelo coordenador Gilmar Sales, que confirmou a coleta programada para o dia 30 de setembro e apresentou a relação de unidades contempladas. Conforme explicou, os tonéis para acondicionamento dos resíduos são enviados para as unidades no dia anterior, a tempo de preparar o material que será transportado pelos caminhões que realizam a coleta. O momento foi também uma oportunidade para tirar dúvidas dos fiscais e demais colaboradores envolvidos no processo acerca das condições de armazenamento e transporte, os quantitativos e prazos de coleta.

O coordenador de Meio Ambiente, Antônio Lobo, afirmou que montar a logística de resíduos perigosos na Universidade não foi uma tarefa fácil, dada a dimensão da instituição e as especificidades das suas diversas unidades, além do grande volume de resíduos acumulados nos campi. Essa logística, acrescentou Lobo, vem sendo aperfeiçoada permanentemente, em um processo compartilhado e integrado que envolve a Sumai, as unidades universitárias e toda uma rede de colaboradores.

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