Pesquisadora da UFBA identifica poluentes na Antártida e vence prêmio “Para Mulheres na Ciência”

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Professora de Oceanografia do Instituto de Geociências da UFBA, Ana Cecília Albergaria Barbosa pesquisa a presença de substâncias poluentes na Antártida

Professora de oceanografia do Instituto de Geociências da UFBA, Ana Cecília Albergaria Barbosa pesquisa a presença de substâncias poluentes na Antártida

A presença de substâncias poluentes na Antártida demonstra como a atividade humana tem afetado todo o planeta. Identificar essas substâncias na região faz parte da pesquisa de Ana Cecília Rizzatti de Albergaria Barbosa, professora de oceanografia do Instituto de Geociências da UFBA, que coletou amostras de sedimentos e outros materiais em viagem ao continente gelado realizada nos meses de outubro e novembro de 2019, pouco antes do início da pandemia.

Cecília Albergaria está entre sete pesquisadoras vencedoras do prêmio “Para Mulheres na Ciência”, promovido anualmente desde 2005 pela Unesco, pela Academia Brasileira de Ciências (ABC) e pela empresa L’Óreal. A pesquisadora da UFBA venceu na categoria ciências químicas, que integra a premiação junto com as categorias ciências da vida, ciências físicas e matemática. A iniciativa tem o propósito de estimular a participação feminina na ciência brasileira e concede uma bolsa-auxílio de R$ 50 mil a cada uma das pesquisadoras.

Cecília Albergaria explica que poluentes encontrados na Antártida podem ter diferentes origens, como os derramamentos de petróleo no mar ou a queima de carvão ou florestas. Outras fontes possíveis são os pesticidas usados em grandes lavouras e até mesmo hábitos cotidianos, como a utilização de perfumes, são responsáveis pela emissão de poluentes que vão parar na atmosfera. “Para preservar o planeta, é fundamental repensar o nosso consumo”, avalia.

“Compostos voláteis usados em regiões tropicais, de clima quente, atingem camadas altas da atmosfera, viajam pelo planeta e, depois, se depositam em lugares mais frios, como a Antártica”, explica a pesquisador do Igeo. A migração de animais marinhos e aves contaminados para a região também é apontada como outra forma pela qual os poluentes se espalham. “No caso dos hidrocarbonetos, a poluição pode acontecer de forma local, com o uso de combustíveis fósseis em navios que vão à Antártica e pelas estações de pesquisa que usam diesel para gerar energia”, acrescenta.

A viagem realizada por Cecília Albergaria para coletar as amostras percorreu o Estreito de Bransfield e a Baía do Almirantado, onde fica a estação de pesquisa brasileira no continente. A expedição contou com as participação de Tatiane Combi, também professora no Igeo, e foi financiada através de dois projetos apoiados pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq): o projeto Carbmet e o projeto Mephysto. As atividades foram realizadas a bordo de navio da Marinha do Brasil. O país é signatário do Protocolo de Madri, que ratifica o Tratado da Antártida, com o objetivo de promover o desenvolvimento de atividades voltadas para a preservação do meio ambiente.

O programa "Para Mulheres na Ciência", promovido pela L’Oréal Brasil, em parceria com a UNESCO no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC) premiou pesquisadoras das áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática

O programa “Para Mulheres na Ciência”, promovido pela L’Oréal Brasil, em parceria com a UNESCO no Brasil e a Academia Brasileira de Ciências (ABC), premiou pesquisadoras das áreas de Ciências da Vida, Ciências Físicas, Ciências Químicas e Matemática (Foto: © Divulgação L’Oréal)

“O prêmio é o reconhecimento do trabalho. É muito importante para mim, pessoalmente e profissionalmente, e também para incentivar outras mulheres na ciência”, afirma Albergaria, que lamenta a realidade atual do país, que perde talentos e potenciais pesquisadores por falta apoio e financiamento à ciência.

Seu interesse pela ciência e a paixão pelo mar surgiram ainda na infância. “Desde muito cedo, tinha contato com temas de ciências discutidos em casa”, afirma, recordando a convivência com os pais, então pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Criada no interior de São Paulo, Cecília encantou-se pelo mar em viagens realizadas com a família ao litoral do Estado. Aos 9 anos, já sonhava ser bióloga marinha. A escolha pela oceanografia veio anos mais tarde, no colégio, quando em contato com os conhecimentos das ciências químicas.

A viagem em 2019 foi a quarta ida da pesquisadora à Antártida. A primeira foi em 2004, ainda como estudante em iniciação científica. As amostras coletadas na sua viagem mais recente deverão ser analisadas no Laboratório de Geoquímica Marinha da UFBA e no Centro de Excelência em Geoquímica do Petróleo, Energia e Meio ambiente (Lepetro/Igeo), em busca de três tipos diferentes de poluentes: hidrocarbonetos policíclicos aromáticos, poluentes orgânicos persistentes e contaminantes emergentes. As avaliações possibilitarão verificar a concentração dessas substâncias nas amostras coletadas, bem como identificar a sua origem.

As outras vencedoras do prêmio “Para Mulheres na Ciência” 2021 foram: na área de Ciências da Vida, Letícia Couto, bióloga e professora da Universidade Federal de Mato Grosso do Sul (UFMS); Lilian Catenacci, professora da Universidade Federal do Piauí (UFPI); Marta Giovanetti, virologista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz); e Thaísa Michelan, professora da Universidade Federal do Pará (UFPA); na área de Ciências Físicas, Ingrid Barcelos, do Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM); e na Matemática, Fernanda De Bastiane, professora da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE).

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