UFBA e Petrobras investem em pesquisa de soluções em eficiência energética

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Pesquisas visando desenvolver soluções em eficiência energética na Refinaria Landulpho Alves (RLAM), com o objetivo de reduzir o consumo de recursos naturais e o lançamento de gases de efeito estufa, serão incentivadas através de um termo de cooperação assinado entre a Universidade Federal da Bahia e a Petrobras. São esperados impactos positivos nos âmbitos científico, tecnológico, econômico e ambiental a partir da parceria.

O termo de cooperação assinado na terça-feira (18/03) prevê que a Universidade irá atuar em parceria com a empresa na produção de conhecimento e soluções na área de energia, subsidiando a companhia na tomada de decisões estratégicas. Contribuirão na parceria os programas de pós-graduação em engenharia química e em engenharia Industrial, e os cursos de graduação de engenharia química, engenharia de produção e engenharia mecânica da Escola Politécnica.

assinatura UFBA - PEtrobras

Reitor João Carlos Salles e Geraldo Márcio Muniz, da RLAM

O reitor João Carlos Salles ressaltou a qualidade da produção teórica da UFBA e o compromisso social da universidade para o compartilhamento de conhecimento. “É uma associação feliz entre as duas partes para a construção de um saber prático como resultado de uma reflexão mais aprofundada que é própria da universidade”, afirmou.

Gerente de otimização da RLAM, Geraldo Márcio Muniz participou do evento para celebração do termo de cooperação, representando o gerente geral da refinaria, William França. Ele avalia que a parceria entre as duas instituições agregará valor e contribuirá para a gestão da companhia, que tem na área de eficiência energética um de seus focos principais.

Tatiana Dumet, diretora da Escola Politécnica, destaca a importância das ações promovidas pela academia junto às empresas. “Formamos os profissionais para o mercado de trabalho, e as empresas trazem suas demandas até a universidade, que tem grande interesse de contribuir e se manter sempre atualizada, sobretudo na área tecnológica em que as mudanças são muito rápidas em inovações e produtos.”

Também participou da cerimônia o professor Salvador Ávila Filho, coordenador do projeto “Pesquisas de Soluções Tecnológicas em Eficiência Energética na Refinaria Landulpho Alves”. Docente do departamento de engenharia mecânica que trabalhou por 18 anos na indústria, ele pondera que a universidade nem sempre está em sintonia com as questões do setor industrial e que os temas dos trabalhos de conclusão de curso de graduação e pós-graduação muitas vezes estão distantes das demandas do mercado de trabalho.

“Nosso objetivo é fazer pesquisas aplicadas a partir de demandas apresentadas pela indústria, que, dessa maneira, terá o interesse em investir para a solução dos seus desafios, financiando pesquisas e bolsas de estudos”, afirma Ávila.

Na primeira fase do projeto, a redução no consumo de água e de energia será o tema que norteará as pesquisas. “A Bacia de Pedra do Cavalo está com apenas 24% do nível de seu reservatório, o que significa uma ameaça de falta de água para Salvador e vários municípios do sertão baiano. Com isso, as indústrias ficam impedidas de usar água de boa qualidade – utilizando apenas aquela proveniente de chuvas e água de reuso”.

O professor acredita que, se o cenário atual de crise hídrica permanecer, haverá interrupção no fornecimento de água para muitas indústrias no Estado. “A formação de engenheiros tem que se ocupar dessas questões importantes, a exemplo falta de recursos essenciais, como água e energia, o que representa um risco de paralisar a atividade industrial”, alerta.

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Refinaria Landulfo Alves, localizada em Mataripe, na Região Metropolitana de Salvador

Ávila afirma que, por uma exigência da Empresa Baiana de Águas e Saneamento (Embasa), deverá ser promovida uma redução da água utilizada pela refinaria da ordem de 300 metros cúbicos. O grupo de pesquisa já aponta a viabilidade imediata de uma economia de 100 metros cúbicos, caso sejam aplicadas as soluções apresentadas. O valor total da demanda poderá ser atingido com o investimento contínuo nas pesquisas.

O grupo também participa do desenvolvimento de um método de cálculo para medição do lançamento de gases de efeito estufa na atmosfera com base nas metas globais definidas pela Agência Internacional de Energia. “Precisamos agora do apoio necessário para implementar essa medição, com investimentos em equipamentos e softwares”.

Outro resultado esperado com o desenvolvimento da cooperação é a capacitação de recursos humanos, tanto pela universidade quanto pela empresa, que se compromete a abrir as suas portas aos estudantes universitários para experiências práticas na refinaria, entrevistas junto a grupos de operadores e compartilhamento de conhecimento. Através da parceria com os cursos de pós-graduação da UFBA, os funcionários da refinaria também terão a oportunidade de avançar em sua formação.

Os planos de trabalhos com duração de 18 meses serão divididos em quatro partes com diferentes assuntos que irão nortear as pesquisas: sistemas de resfriamento e redução no consumo de água e de energia; controle na fonte de perda e reuso de água em torre de resfriamento; sistemas de aquecimento, combustão e recuperação de energia; e confiabilidade e rendimento das operações e motores elétricos. “Alguns problemas não serão resolvidos em um curto espaço de tempo, mas tenho uma visão clara de que precisamos fazer essa aproximação dos temas pesquisados na universidade com as demandas da indústria”, avalia Ávila.

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