Música no bar para falar de pesquisa em artes

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A música, seu papel na sensibilização das pessoas e suas facetas culturais sustentaram a apresentação de Paulo Costa Lima, compositor e professor da Escola de Música da UFBA, no RedBurger N Bar, na noite de encerramento do Pint of Science. Gago apaixonado, de Noel Rosa, Toccata and Fugue in D minor, de Bach, Águas de Março, de Tom Jobim e Beba Coca-Cola, de Gilberto Mendes, foram algumas das composições que serviram de trilha ao verdadeiro happening que ele comandou e lhe permitiu, sempre com intensa participação do público, enfatizar os encontros  entre o erudito e o popular na música e as convergências entre pesquisa científica e criação.

Para ilustrar a música ocidental barroca, foi feita uma performance conjunta com o público, unindo a composição de autoria de Lima, Iô-iá, com a música Armatae face et anguibus, interpretado pela cantora lírica Cecília Bártoli e o grupo musical II Giardino Armonico. Numa viagem pela diversidade musical e cultural, ele exibiu também trechos de músicas dos índios do Xingu, dos Inuit (povo esquimó que habita regiões árticas do Canadá, Alasca e Groenlândia), e dos aborígenes australianos.

De cara, Lima questionou: como a ciência e a música se entrelaçam através da pesquisa? Ele respondeu citando o vínculo existente desde sempre entre música e a tecnologia. “Elas sempre andaram juntas, o furo na flauta de osso de 30 mil anos atrás tinha que ser feito num lugar específico para emitir determinado som”. Destacou também enfoques e metodologias de outras áreas de estudos para a pesquisa em música, citando a educação como exemplo. “Como se aprende violino melhor e mais rápido? Quando a educação desenvolve determinadas metodologias de ensino, isso afeta a própria música”.

Paulo Lima abordou sua própria pesquisa a respeito da vida e da obra do compositor suiço-brasileiro Ernst Widmer (1927-1990), personagem chave na história da Escola de Música da UFBA. “Em sua música, há uma travessia da cultura germânica para a baiana. Percebi que esse tipo de travessia, transcultural, na verdade é uma presença na obra de outros músicos: em algum momento, há uma travessia, um tempo de passagem”. Ao observar que “construções artísticas são construções de cultura”, questionou: “é a Bahia que cria sua música ou a música cria a Bahia? Apesar dos problemas sociais e econômicos do estado, a Bahia é vista como um laboratório de alegria sonora. A alegria é um componente de resistência”, enfatizou.

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