Aventura, aprendizagem e romance a caminho do Alaska

Download PDF
Aleixo

Enfim, Aleixo Belov (segundo à direita) e tripulação em Seward, Alaska – essa e demais fotos, à exceção de duas, e todos os vídeos, são de Leonardo Papini

Em 16 de junho passado, o veleiro Fraternidade chegou a Seward, Alaska, seis meses e meio depois de sua partida do porto de Salvador, em 3 de dezembro de 2016. De lá, o comandante Aleixo Belov, 74 anos, um ucraniano que cedo se fez baiano e mais adiante viajante do mundo, enviou um vídeo do trecho final da viagem no Pacífico (https://mail.google.com/mail/u/0/#search/olivia%40ufba.br/15ccb5e280c39147?projector=1), fotos e uma saudação especial para a UFBA, por meio de Olívia Oliveira, diretora do Instituto de Geociências (IGEO).

“Aleixo Belov e sua tripulação desejam agradecer a todos que ajudaram a cumprir esta tarefa, aos que supriram minha falta na Belov Engenharia Ltda durante minha ausência e aos que torceram ou rezaram para que nossa missão fosse realizada”, ele disse num trecho da mensagem. Tinha passado por nove portos, muitas aventuras, paisagens deslumbrantes, e chegara ao destino. A partir daí, pode começar a planejar a longa viagem de volta.

Alasca-III -Aleixo-21-junho-2017

De Honolulu, no Havaí, a Seward, no Alaska, em 16 dias graças aos bons ventos

Alguns dias antes da partida do Fraternidade, em 21 de novembro passado, o reitor João Carlos Salles tinha manifestado o apoio institucional da UFBA à viagem organizada e comandada por Belov que, entre os sete tripulantes, incluía uma ex-aluna do curso de Oceanografia do IGEO, Anita Oliveira, 26 anos. Já no Panamá, a ela se integraria um mestrando do mesmo curso, Rafael Fonseca Ribeiro, orientando do professor José Landim Domingues, coordenador, entre outras atividades, do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Ambiente Marinho Tropical (INCT-AmbTrop).

Aliás, Landim orientara também Anita no TCC (trabalho de conclusão de curso) e, diga-se já, esse não era o único elo entre ela e Rafael. Namorados, ao se encontrarem no percurso do Fraternidade entre o Canal do Panamá – que rendeu algumas das melhores cenas dos vídeos de narrativa da viagem do Fraternidade, veja links mais abaixo – e a impressionante Ilha de  Galápagos, com direito a passagem pela bela Ilha de Cocos, eles acrescentaram uma boa pitada de romantismo à travessia. Ficaram noivos. Mas são eles mesmos que melhor contam essa e outras passagens nos belos depoimentos (abaixo), que escreveram especialmente para o Edgardigital.

Desdobramentos românticos à parte, Olívia observava na reunião de 21 de novembro com Belov, no IGEO, não ter dúvidas de que ”conhecimentos técnicos e científicos” resultantes da viagem iriam “incorporar bagagem acadêmica à instituição”. Era, a rigor, uma reiteração de parte do que havia sido destacado na homenagem prestada ao navegador e engenheiro formado pela Politécnica da UFBA, durante o Congresso Brasileiro de Oceanografia no começo daquele mês, no Instituto.

Aleixo congresso

Belov, homenageado no Congresso Brasileiro de Oceanografia – divulgação IGEO

“Aleixo Belov nasceu em 09 de janeiro de 1943 em um subterrâneo de Merefa, na Ucrânia, durante a Segunda Guerra Mundial, já na zona ocupada pelas tropas alemãs”, começava o relato biográfico preparado especialmente para a ocasião. “Para fugir dos horrores da guerra, seu pai, Dimitri Belov, agrônomo, resolveu emigrar e se afastar da linha do front acompanhado de sua mulher Zinaida Belov, médica, e seus dois filhos Olga Belov de 3 anos e Alexey Belov de apenas 7 meses”.

Pai, mãe e filhos Belov, depois de muito perambular pela Europa, chegaram a Gênova, “onde embarcaram no General Hoolbroock”, um navio de transporte de tropas que havia passado a transportar emigrantes. “Escolheram o Brasil por ser um país de grande extensão territorial, que com certeza estaria precisando de agrônomos. Foi assim que o pequeno Alexey Belov fez sua primeira viagem marítima. Ele chegou ao Brasil em junho de 1949, já com 6 anos de idade e passou a chamar-se Aleixo Belov”.

O perfil biográfico conta que, em Salvador, Aleixo Belov “terminou o primário, depois o ginásio, o curso científico, cursou Engenharia Civil na UFBA e naturalizou-se brasileiro, abdicando a nacionalidade ucraniana. Dez anos depois, tornou-se professor da disciplina intitulada Portos, na mesma escola onde estudou”.

As viagens – e os livros que as narraram – viriam para valer a partir de 1980, com o Três Marias, o veleiro que ele mesmo construiu. Depois de três voltas ao mundo nessa embarcação, “assim que Aleixo Belov conseguiu recursos suficientes, resolveu construir o Veleiro Escola Fraternidade para dar uma oportunidade a jovens brasileiros de navegar e poder transmitir o que conseguiu aprender nas 3 viagens anteriores”

É ainda o relato biográfico coordenado por Olívia Oliveira que lembra a quarta volta ao mundo e o treinamento de 26 alunos ao longo de sua realização. “Saiu em 16 de janeiro de 2010” e voltou após 21 meses, “depois de parar em 38 portos, percorrer todos os oceanos, o Mar Vermelho, o Mar Mediterrâneo, o Mar Negro e visitar inclusive a Ucrânia e, nela, o lugar em que nasceu”. Esse lhe valeu a concessão pela Presidência da República do título de “Cavaleiro da Ordem do Mérito Naval” e duas medalhas.

Outra viagem, com 10 pessoas, aconteceu por cinco meses a partir de 21 de outubro de 2013, rumo à Antártica. E por último, veio em 2016 a viagem ao Alaska. São muitos os vídeos narrando essa viagem e o Edgardigital deixa, a título de amostra, os links de três deles:

  1. o primeiro, disponibilizado em 30 de janeiro, mostra de perto a travessia do Oceano Atlântico para o Pacífico pelo Canal do Panamá : https://www.youtube.com/watch?v=t2RiL8mqOhg&t=66s
  2. o segundo, de 14 de fevereiro, mostra a beleza da Ilha de Cocos, pertencente à Costa Rica: https://www.youtube.com/watch?v=IqJPvj8ZdS0
  3. o terceiro, publicado em 24 de fevereiro, observa a fascinante Galápagos, com sua Estação Científica Charles Darwin e sua fauna tão especial: https://www.youtube.com/watch?v=mj3NuNpOm4c

 

Depoimento: Anita Oliveira

Rafael_Aleixo e Anita_

Anita, Aleixo e Rafael: Ilha de Cocos, depois de aprendizado intensivo

Ao receber o convite para participar da expedição ao Alaska a bordo do Fraternidade senti como se meu coração tivesse congelado por alguns milésimos de segundos. Foi uma emoção avassaladora saber que aquele sonho, da menina amante do mar e da mulher que há pouco havia se tornado oceanógrafa, em breve seria uma realidade. E não demoraria muito, zarparíamos em menos de 1 mês.

As expectativas foram sempre as melhores possíveis. Sabia que algo de muito engrandecedor e belo estava por vir. O convite inicial que Aleixo me fez foi para realizar apenas a primeira pernada que foi até Natal, mas logo que começamos a nos conhecer como tripulantes me veio a notícia de que eu poderia fazer até a viagem completa, se assim os ventos permitissem. Assim, acabei ficando quase três meses a bordo do Fraternidade e participei das pernas Salvador x Natal, Natal x Grenada, Grenada x Panamá (atravessando o Canal do Panamá), Panamá x Galápagos (passando pela Ilha de Cocos).

            Para quem está velejando pela primeira vez tudo é novo e desafiador. Tudo em todos os sentidos – conseguir comer e beber água mesmo estando nauseada, conseguir cozinhar com o barco adernando, conseguir dormir no calor tropical, conseguir ir ao banheiro, conseguir tomar banho de água salgada… todos os dias são tão iguais e tão diferentes. É uma evolução diária até você sentir que está começando a se adaptar e a se sentir em casa no veleiro Escola.

Rafael e Anita_Mergulho

Mergulho em dupla: poder compartilhar cada lugar foi um sonho

Quando esse ponto chega, aí sim, você começa a aprender como um veleiro funciona. Daí em diante o aprendizado é intenso. Começa uma busca incessante pelo conhecimento da arte de velejar, como as velas se chamam, como elas funcionam, quais velas usar em cada condição de vento, como elas devem estar posicionadas para aumentar a velocidade do barco, como monitorar a direção e a intensidade do vento, como saber a hora de rizar as velas e esperar aquela ventania diminuir, como interpretar os sinais da natureza, quando ligar o motor, quando desligá-lo etc.

Nesse contexto de aprendizado e adaptação, as pessoas com as quais você está convivendo têm um papel muito importante. Principalmente por ser um ambiente restrito, pequeno e sem privacidade, é fundamental que todos saibam respeitar os limites individuais de cada um e somar para que o trabalho em equipe seja sempre prazeroso. Com relação a isso, tive muita sorte com a tripulação do Fraternidade e conhecer pessoas como Lito, Papini, Herman, Alana e Carlinha foi um verdadeiro presente. O capitão eu já conhecia da Belov Engenharia, onde trabalhei por 2 anos e meio, mas isso não impediu que diariamente eu me surpreendesse com sua simplicidade, inteligência, seu esforço em passar o conhecimento e sua generosidade admirável.

Como profissional, não desenvolvi nenhuma pesquisa científica e esse também nunca foi o propósito de ter sido convidada como oceanógrafa. Na verdade, o que Aleixo busca ao convidar estudantes para o veleiro escola é passar o conhecimento da navegação, das velas e de como é viver sobre as águas por um tempo desconhecido. Nesse sentido, pude aprimorar alguns conhecimentos e descobrir outros novos que me fascinavam. O conhecimento teórico que eu tinha sobre circulação atmosférica, ventos e correntes me ajudaram a compreender em muitos momentos o que estava acontecendo e como aqueles fatores afetavam a nossa navegação. Porque passaríamos dias sem sentir ao menos uma brisa a empurrar as velas, que correnteza superficial estaria a diminuir ou acelerar a nossa velocidade, como otimizar o nosso tempo entendendo o padrão de ventos comuns de uma região, e principalmente como reconhecer os sinais da natureza e assim nos proteger de situações adversas.

            Sem dúvida nenhuma, essa viagem me proporcionou conhecer lugares incríveis e inesquecíveis. Entre eles, dois lugares me marcaram pra sempre, Ilha de Cocos e Galápagos. Ilha de Cocos pertence a Costa Rica e é simplesmente o Parque Marinho mais bem preservado do mundo onde a diversidade de vida marinha nos impressiona a todo tempo. O lugar é o mesmo de 500 anos atrás, pois não há moradores, apenas guardas. A visibilidade da água é algo encantador e a facilidade em encontrar tubarões nos traz uma mistura de medo e encanto a qual apenas se pode sentir ao mergulhar naquelas águas.

DCIM100MEDIADJI_0600.JPG

Ilha de Cocos: o parque marinho mais bem preservado do mundo

            Não foi a toa que Darwin encontrou nas Ilhas Galápagos o lugar ideal para ser o seu canteiro científico. Conhecemos apenas a Ilha de Santa Cruz e a vida marinha lá também é algo que acredito não haver igual no mundo. Ao andar pelas ruas o encontro com leões marinhos, pelicanos e iguanas é constante e super interessante. O mergulho que fizemos lá foi um dia que ficará guardado pra sempre nas nossas memórias. Pudemos ver tubarões galha branca, tubarões martelos, raias, tartarugas, moreia e uma diversidade de peixes magnífica.

            No meio dessa experiência magnífica, a saudade que eu e Rafa sentíamos um do outro era um verdadeiro desafio que precisávamos superar, ainda mais pela falta de comunicação diária. Quando surgiu a oportunidade de ele ir me visitar no Panamá e ainda participar de uma pernada junto à tripulação, fiquei numa alegria e expectativa que não cabia no peito. Os dois meses que já estávamos longe parecia uma eternidade. O reencontro não podia ter sido mais lindo e começamos a viver aquele mês intensamente. A viagem pra mim então ficou completa, pois a solidão de alguns momentos não mais existia e poder compartilhar cada lugar com ele foi um sonho.

            Quando estávamos em Galápagos um dia passeando vimos um hotel decorado com um ar super romântico e então descobrimos que aquele era o “Valentine’s Day”. Rafa, sem me falar nada, foi lá ver como seria o jantar daquela noite e então me convidou pra irmos lá comemorar o que seria, no Brasil, o nosso dia dos namorados. Foi então que veio a surpresa do noivado. O momento do pedido de casamento e aquelas alianças lindas que ele mesmo havia escolhido com tanto carinho antes de viajar foi um gesto de amor que me emocionou profundamente. O fato ainda de ele ter conseguido conter a ansiedade e esperar o momento certo para o pedido me encantou ainda mais. A união deu um passo lindo naquela noite.

Desde que saí de Salvador sem saber até onde iria nem quando voltaria, tinha apenas a certeza que a viagem a bordo do Fraternidade duraria até o momento em que a minha felicidade e paz pesassem mais do que os possíveis contratempos que viriam a acontecer. E quando cheguei em Galápagos decidi que a hora de voltar tinha chegado, mas que com certeza estaria levando de volta comigo uma bagagem de muita realização e crescimento, no sentido mais amplo que possa existir.  

 

Depoimento: Rafael Fonseca Ribeiro

Rafael e Anita

Rafael e Anita: um pedido de casamento milimetricamente planejado – foto Carla Rebouças

Olá, sou Rafael Fonseca, Oceanógrafo, estudante do curso de mestrado em geologia marinha da UFBA. Contarei aqui um pouco da minha experiência, vivida durante a viagem no veleiro escola Fraternidade de Aleixo Belov.

Logo quando entrei em Oceanografia fiquei sabendo dessas viagens de Aleixo Belov, percebendo também que alunos deste curso tinham chance de participar. Inclusive, logo na época que soube um aluno da época (Marcelo Caetano) tinha acabado de retornar.

Soube que Aleixo iria para a sua próxima aventura (rumo ao Alasca), com vagas para estudantes, através de minha namorada (Anita) que trabalhava na empresa dele na época. Ela mostrou interesse de ir à viagem, e foi convidada por ele pouco tempo depois. Perguntei se teria como eu ir também, mas por sermos namorados, ele disse que não iria levar o casal para lua de mel (rsrs brincando).

DCIM100GOPROGOPR3064.

Mergulho de Rafael em Galápagos, ilhas que deslumbraram Charles Darwin

Anita partiu para a viagem no dia 3 de dezembro de 2016, sem saber quando voltaria. A saudade já apertava no peito, mas sabia que era por uma boa razão, afinal ela também tinha esse sonho de conhecer os mares. No passar do tempo, com a viagem prosseguindo, cada vez a saudade apertava e eu ficava imaginando quando encontraria Anita novamente. Consegui juntar um dinheiro para encontrar com ela em alguma parada. A principio seria no Caribe, para o réveillon, porém as passagens estavam caras, e o veleiro Fraternidade também não tinha uma ilha certa para atracar. Decidimos então que eu iria encontrar com eles ou no Panamá ou em Galápagos, existindo ainda a possibilidade de eu participar da travessia Panamá-Galápagos. Acabou acontecendo justamente o que eu desejava, participar da travessia. Fui então matar a saudade de Anita e ao mesmo tempo realizar um sonho de participar de uma aventura no mar, o que sempre desejei. Antes de ir, me surgiu uma a ideia de ficar noivo durante a viagem, sendo Galápagos o lugar escolhido por conta de ser um lugar de ambos (eu e Anita) sonharem em conhecer.

Cheguei na Cidade do Panamá e esperei 1 dia até o Fraternidade chegar na parte do Pacífico (eles estavam na porção do Atlântico esperando para fazer a travessia do canal do Panamá). Encontrei Anita, matamos a saudade e comecei a me adaptar com a embarcação e tripulantes durante os dias que ficamos no Panamá. Partimos então para Galápagos, porém antes de sair, um inglês que conhecemos na marina disse para Aleixo sobre a Ilha de Cocos, esta pertencente à Costa Rica. Segundo ele essa ilha tinha sido o lugar mais lindo que ele tinha visitado. Aleixo decidiu mudar o curso que tinha realizado em sua ultima viagem por aquele trecho, e então ir conhecer essa ilha.

Durante a travessia aprendi muitas coisas que sempre tive vontade, porém nunca tinha tido oportunidade. Conheci mais sobre velejar, o nome de cada vela e como elas funcionavam, senti como é passar tanto tempo no mar, ambiente que sempre estudei, mas nunca tinha tido tanto contato como naqueles dias. Os conhecimentos oceanográficos não eram tão úteis na pratica de velejar, mas me ajudava a entender várias coisas que aconteciam. Por exemplo, o porquê da falta de vento naquele trecho que cruzamos, resposta da baixa pressão existente na área (região dos doldrums – refere-se a zona de convergência intertropical). Pela falta do vento, velejar nessa região era um pouco complicado, e por conta disso passamos muito tempo com os motores ligados.

O trabalho na embarcação era dividido em turnos de 3 em 3 horas, com duas pessoas por turno, sendo que o capitão (Aleixo) estava sempre de prontidão em todos.  Nos momentos vagos ou estávamos tentando dormir (difícil em todo momento por conta do calor) ou lendo livros (tinha muitos no barco e era muito incentivado por Aleixo).

Demoramos aproximadamente sete dias até chegar a Ilha de Cocos, e já fomos recebidos por diversos golfinhos saltitando em frente à embarcação. Como não tínhamos noção de nada sobre essa ilha, tudo seria uma surpresa, e foi. Essa ilha possui uma formação vulcânica, com basaltos colunares expostos, e uma vasta mata verde viva como em poucos lugares tinha visto. Uma das coisas mais impressionantes dessa ilha era a quantidade de cachoeiras que existia ao redor dela. Fomos recebidos por dois guardas florestais que nos explicou que aquela ilha era uma zona de proteção marinha, sendo uma das regiões mais preservadas do mundo, tanto em terra quanto na parte aquática. Ele nos disse que essa ilha é abrigo para onze espécies de tubarões, realmente um raro lugar.

Mergulhamos (snorkeling) e o azul da água era realmente uma coisa inimaginável. A água era completamente cristalina, com uma vida marinha pulsante, inclusive muitos tubarões. Eu, sendo oceanógrafo, não poderia estar mais contente. Por ser uma ilha vulcânica, os minerais das rocas proporcionavam riqueza do solo para aquela floresta tão exuberante, e também riquezas para a proliferação da vida marinha. Principalmente por ter uma grande proteção por parte do governo Costa Riquenho, a ilha era daquela forma, segundo os guardas florestais, da mesma forma que era há 500 anos. Passamos apenas um dia nessa ilha, porém muito intenso e marcante. Sem sombra de dúvidas o lugar mais lindo que já fui. Agradeço muito ao inglês que deu esse conselho para Aleixo.

Mergulho_Galápagos

Mergulho, e depois pedido de casamento em Galápagos

Saímos da Ilha de Cocos e fomos em direção a Galápagos. A viagem durou aproximadamente seis dias, onde pude aprender mais e mais sobre a navegação e principalmente sobre avida (não tem como por em palavras). Em todo esse tempo fiquei me segurando para dar a aliança para Anita (tinha trazido comigo de Salvador, e já fazia uns 20 dias de viagem). Em Galápagos ficamos apenas mais dois dias no barco e fomos para um Hostel. Anita tinha decidido que também voltaria, por conta de fatores pessoais que ela vinha lutando e esperava que a minha chegada a ajudaria a seguir, porém, por escolha dela, quis voltar.

Já no Hostel, curtindo nossos últimos dias em Galápagos, também com os tripulantes do Fraternidade, fizemos o melhor mergulho das nossas vidas. Nesse mergulho vimos vários tubarões Martelo (sonho de muito tempo), além e tubarões Galápagos, Galha Preta, Galha Branca, arraias e muitas outras belezas.  Até este momento ainda não havia dado a aliança para ela. Estava tentando achar um momento especial, e foi ai que encontrei um restaurante na beira da praia com um jantar especial para o Valentine’s day. Noivamos em uma linda noite no paraíso, momento muito especial em minha vida.

Dois dias depois do noivado voltei para Salvador. Nessa viagem aprendi muito, e passei admirar ainda mais o capitão Aleixo Belov. Antes só o conhecia por livros e conversas com outras pessoas. Na viagem pude conviver e ver o quão grande, sábio e generoso ele é. Observei nele uma pessoa que tem gosto por aprender (está sempre estudando durante a navegação), gosta muito de ensinar e passar seus conhecimentos, não sendo atoa o nome de seu barco (Veleiro Escola Fraternidade). Só tenho a agradecer a ele, por ter me ajudado com as passagens, por ter me ensinado muito sobre a navegação, mas principalmente por ter me proporcionado viver esses momentos únicos, conhecendo paraísos a bordo do Fraternidade.                   

 

 

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*
*
Website