Audiojogo, estufa inteligente, avião e carros: conheça os projetos da UFBA na Campus Party

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Jorge Batista, egresso do BI da UFBA que levará invenções à CampusParty Bahia

Jorge Batista, egresso do BI da UFBA, levará impressora 3D e outras invenções à Campus Party Bahia

Em clima de animação e expectativa, desenvolvedores de tecnologia e inovação da Universidade Federal da Bahia preparam-se para expor seus projetos e estar à frente da realização de diversas atividades na Campus Party Bahia (CPBA), que acontece nos próximos dias 9 a 13 de agosto, na Arena Fonte, em Salvador (BA). Estudantes de vários cursos da UFBA figuram como maioria entre os projetos acadêmicos de criação e inovação que serão destaque no espaço Campus Future da CPBA, que terão também a presença de representantes dos corpos docente e discente da Universidade entre os realizadores de painéis, oficinas e workshops, durante as atividades do evento tecnológico.

Em meio às novidades, “engenhocas” e atividades da Campus, será possível encontrar vários professores e estudantes de unidades da UFBA, como o Departamento de Computação do Instituto de Matemática (DCC/UFBA), a Escola Politécnica, o Núcleo de Pós-Graduação em Administração da Escola de Administração (NPGA/UFBA) e o Espaço Aberto de Criação e Inovação – IHACLab-i. Além dos sete projetos de inovação  – AudioBreu, Carpoeira Baja, Axé Fly Aerodesign, KRT UFBA, Nova Órtese Elétrica, Smart Estufa e JustStep – que estarão na exposição aberta, também será possível conferir apresentações de temas propostos por membros da comunidade UFBA, como uma aplicação para tornar as academias de ginástica mais tecnológicas e inovadoras, um painel sobre software livre na educação, um workshop sobre artes gráficas e muitos outros.

A Campus Party é um evento internacional de tecnologia que acontece no Brasil há 10 anos, voltado para interessados em conhecer novidades e tendências do mundo geek, obter ideias empreendedoras antenadas à sociedade digital e estabelecer contatos com investidores interessados em projetos inovadores. A CPBA funcionará ininterruptamente (24h durante os cinco dias) em sua área restrita voltada para quem possui ingressos, que já estão esgotados; mas também há um espaço aberto, a Open Campus, que funcionará nos dias 10 e 11/08, das 10h às 21h e no dia 12/08, das 10h às 18h.

Sete projetos desenvolvidos por estudantes de graduação e pós-graduação da UFBA figuram entre os 20 trabalhos selecionados dentre dezenas de iniciativas acadêmicas que foram submetidas por universitários de centros de pesquisas de todo o Brasil. Após terem sido analisados por uma comissão julgadora de conteúdo da Campus Party Bahia, os projetos da UFBA que ganharam o direito de participar da exposição gratuita no espaço Campus Future – disponível à visitação do público durante a Open Campus – estão descritos abaixo:

AudioBreu

Gravação Foley BreuUm jogo eletrônico do gênero suspense/terror constituído exclusivamente por recursos sonoros: esse é o Audio Breu, jogo idealizado com a proposta de ser inclusivo e proporcionar o mesmo nível de interação para jogadores portadores ou não de deficiência visual. O audio game é desenvolvido por mestrandos em Comunicação e em Composição além de estudantes de graduação em Letras e Artes Cênicas com “a intenção de que seja disponibilizado gratuitamente em sites e plataformas de distribuição de jogos, a fim de alcançar o público interessado em contos de suspense/terror e que busque uma experiência narrativa e interativa diferenciada, incluindo portadores ou não de deficiência visual, explicou o desenvolvedor Tharcísio Vaz, que cursa mestrado em composição na Escola de Música da UFBA.

O game conta a história de Marco, um jovem que, ao perder a visão aos 15 anos de idade, vai morar na casa de seu avô na pequena cidade de Angaquara, onde ouve estranhos relatos de pessoas desaparecidas e assassinadas na gruta da cidade, conta Tharcísio. Com o argumento de que Marco deve investigar o ocorrido e encontrar seus amigos e avô desaparecidos, “o jogo propõe uma inovação no gênero do Audio Game, informa o estudante, explicando que ele traz “uma maior liberdade de exploração e uso das quatro camadas de áudio (locuções, ambiência, trilha e efeitos sonoros) de forma a ampliar o controle e a sensação de imersão no jogador”.

O projeto está sob orientação do professor da UFBA Guilherme Bertissolo e co-orientação da professora Lynn Alves, da Universidade do estado da Bahia (UNEB). A parte musical é acompanhada pelo Mestrado em Composição da Escola de Música da UFBA e os demais aspectos do projeto (Game Design, Programação, Sound Design e Roteiro) estão sendo desenvolvidos de forma independente pela empresa de jogos eletrônicos soteropolitana Team Zeroth, em parceria com o Studio Vaz.

A ideia, segundo Tharcísio Vaz, nasceu em 2014, após uma palestra no SBGames 2014 sobre acessibilidade em games e pesquisas sobre o gênero. Em parceria com Felipe Barros, que é graduado em Design pela UFBA, eles perceberam que os jogos do gênero careciam de maior desenvolvimento narrativo e exploração dos elementos sonoros de forma a proporcionar maior liberdade de navegação ao jogador.  “Assim, tivemos a ideia de desenvolver um áudio game que contemplasse esses aspectos junto com uma narrativa que se adequasse à experiência de jogo idealizada e formas de captar investimento para o desenvolvimento do produto”, informou.

Depois de conhecer o conto “Rubros” – escrito pelo estudante de Letras Antonio Caetano, adaptado para a história de Breu – e obter contemplações no Prêmio Ideias Inovadoras 2015 pela Fapesb e no edital setorial Culturas Digitais 2016 da Secult, o projeto foi viabilizado e tem previsão de lançamento para novembro de 2017. Além da equipe composta por Tharcísio Vaz, mestrando em Composição; Vicente Reis, mestrando em Comunicação; Victor Santos – graduado em Ciência da Computação; Antonio Caetano, estudante de Letras e Leandro Villa, graduado em Artes Cênicas, o projeto conta com a participação de 15 atores e seis músicos profissionais.

Carpoeira Baja

carpoeira bajaO projeto Carpoeira Baja da Escola Politécnica da UFBA desenvolve todas as etapas de fabricação de um carro para uso fora de estrada, conhecidos como off road. Os automóveis são pensados para disputas em terrenos espinhosos para um carro normal, cujos obstáculos vão desde pedras e barrancos a pedaços de madeira. Este tipo de competição é chamado de Baja, nomenclatura dada pela Sociedade de Engenharia Automotiva (SAE), que promove a disputa no Brasil, México, Índia e Estados Unidos, o que inspirou o sobrenome do projeto. Já o Carpoeira, para Lucas Calmon, busca lembrar as raízes baianas pela aproximação com capoeira e, em um segundo sentido, faz referência à modalidade que eles disputam.

Como em competições automobilísticas consagradas, os carros devem obedecer a algumas regras. Os veículos devem ter a estrutura de aço, ter espaço para apenas um piloto, quatro ou mais rodas transportar pessoas com até 1,90 m de altura, pesando até 113,4 kg e motor padrão de 10HP, que é o motor de cortador de grama. Lucas Calmon explica que, “pode parecer fraco, mas com nossa engenhosidade fica bem potente”. Os sistemas de suspensão, transmissão, freios e o chassi são desenvolvidos pela própria equipe, que conta com oficina especializada na Escola Politécnica,  a mesma que dá suporte a outros projetos, como o KRT UFBA.

Os carros competem duas vezes por ano, nas etapas regional e nacional do SAE, e os três primeiros colocados no país disputam a versão internacional. As melhores colocações nas competições foram um 3º lugar na etapa regional, em 2015, e 16º na nacional, em 2016 (veja aqui o vídeo da competição).  A equipe é composta por estudantes de Engenharia Mecânica, Engenharia de Produção, Engenharia Elétrica, Engenharia de Controle e Automação, Bacharelado Interdisciplinar de Ciência e Tecnologia, cursos que o edital da SAE permite. A cada seis meses, acontece um concorrido processo seletivo para novos integrantes, orientados pelo professor Ailton Júnior e co-orientados por Jaya Ismar. Saiba mais sobre o projeto no site do Carpoeira Baja.

Axé Fly Aerodesign

AxéFly_Projetar, dimensionar e construir uma aeronave cargueira radio-controlada é o desafio de cada ano da Equipe Axé Fly Aerodesign.  O grupo – composto por estudantes dos cursos de engenharia mecânica e elétrica, orientados pelos professores Aline Silva de Engenharia Mecânica e  Leonardo Vasconcellos de Engenharia Elétrica – todo ano atua em moldes semelhantes à realidade das grandes equipes de engenharia, seguindo critérios da competição SAE Brasil Aerodesign, para elaborar um novo aeromodelo, observando os aspectos técnicos, financeiros, logísticos e sociais. Depois de concluído, o projeto aeronáutico participa de uma competição para ser avaliado por engenheiros da Embraer, conglomerado transnacional brasileiro que fabrica aviões comerciais.

Além dos conhecimentos desenvolvidos no ramo da aeronáutica, a equipe Axé Fly também participa de eventos de cunho social com o intuito de incentivar jovens ao desenvolvimento tecnológico. A Axé Fly vem do projeto Aero UFBA, que nasceu por volta de 2001 como equipe Orugan e foi interrompido por cerca de 10 anos, sendo reativado e fortalecido em 2012 como Axé Fly e, desde então, vem conseguindo resultados satisfatórios na competição anual. Atualmente, os membros da equipe são Álvaro Assis de Souza, Bruno Nascimento Menezes, Daniel Queiroz Farias, David Passos de Azevedo, Marcos Rodriguez da Silva, Matheus Pestana Silva e Pedro Giallorenzo Meirelles do curso de Engenharia Mecânica e Gisele Rodriguez Da Silva e Vitor Argiles Azoubel  do curso de Engenharia Elétrica. Acompanhe as novidades pela Fanpage do Axé Fly aerodesign.

KRT UFBA

KRT UFBAA Equipe KRT UFBA da Escola Politécnica exporá seus protótipos de carros de alto desempenho – tipo Fórmula, desenvolvidos com o objetivo de proporcionar uma experiência prática da futura profissão para os estudantes dos cursos de Engenharia. Os protótipos foram concretizados sob a coordenação do professor do Departamento de Engenharia Mecânica Ailton Junior, com a colaboração de vários docentes e estudantes que atuam desde o desenvolvimento do projeto até a manufatura e validações dos testes dos carros em alta velocidade.

A Equipe KRT compete na Fórmula SAE, categoria automobilística universitária idealizada para simular o mercado de carros tipo Fórmula, avaliar potenciais demandas de clientes e contribuir para a formação sólida dos futuros engenheiros. Entre as mais de 50 equipes de diversas universidades brasileiras, a KRT UFBA ficou no 16º lugar, na última etapa da competição realizada em 2016, no Brasil.

O grupo foi constituído na Escola Politécnica em 2001, mas somente competiu pela primeira vez em 2011, ainda sem carro, apresentando só projetos. Desde então, o grupo participou de outras quatro competições, levando um carro para competir em todas as etapas, que são voltadas para testar o desenvolvimento do produto, sem fins lucrativos e constante aprendizado dos alunos integrantes como das engenharias mecânica, elétrica, de produção, de controle de automação de processos e do bacharelado interdisciplinar em ciência e tecnologia. Saiba mais sobre o projeto KRT UFBA em http://www.formulasae.ufba.br

Nova Órtese Elétrica para Auxílio da Marcha Humana

Esquema Geral FuncionamentoFruto de um trabalho desenvolvido durante o mestrado em Mecatrônica pelo Programa de Pós-Graduação em Mecatrônica (UFBA), o projeto Nova Órtese Elétrica para Auxílio da Marcha Humana, desenvolvido pelo doutorando em Mecatrônica na UFBA, Vitor Sotero dos Santos, é um sistema composto por uma palmilha instrumentada com sensores piezorresistivos com o objetivo de promover uma eletroestimulação muscular transcutânea do paciente em tratamento de problemas relacionados à marcha do caminhar.

O projeto nasceu durante um atendimento a um paciente hemiparético (com perda parcial da movimentação e sensibilidade de metade do corpo), quando Vitor notou a necessidade de aplicar a eletroestimulação que se adaptasse ao paciente, pois não era possível que o mesmo executasse o movimento no momento que o aparelho ligava. “Era necessário desenvolver um equipamento que promove a eletroestimulação na fase de marcha escolhida pelo fisioterapeuta, fazendo com o aparelho adapte-se ao paciente”, contou Vitor.

“A marcha humana é um dos principais meios responsáveis por mover o corpo para frente, podendo apresentar alterações funcionais com parâmetros alterados, como a cadência e velocidade. A diminuição de força muscular dos membros inferiores pode causar alterações, e os fisioterapeutas usam vários recursos terapêuticos para o fortalecimento muscular, dentre eles a eletroestimulação muscular transcutânea (EMT)”, explicou o estudante. Esse procedimento consiste na aplicação terapêutica de corrente elétrica nos grupos musculares, e pode ser realizada através de uma órtese elétrica, cujas opções têm preços não acessíveis no mercado e não estão disponíveis nos serviços de saúde.

A órtese desenvolvida por Vitor possui um módulo de comando que realiza o tratamento dos sinais dos sensores, comunicação com software especialista e chaveamento das saídas da eletroestimulação para controle na fase de marcha escolhida pelo fisioterapeuta. Para ele, é possível que seja comercializável com valor mais acessível do que os existentes no mercado, mas ainda serão necessárias algumas etapas, como realizar a patente da órtese, registro do software e testes em humanos.

Smart Estufa 

Voltado para automação de hortas e cultivos urbanos com a possibilidade de criar um ambiente controlado e protegido para o cultivo, o projeto Smart Estufa é desenvolvido por estudantes do curso de Engenharia de Controle e Automação de Processos com a preocupação de promover o desenvolvimento eficiente de uma planta, mantendo estáveis as condições do ambiente em que ela cresce.

O estudante Caio Bonfim conta que, após sua equipe realizar muitas pesquisas, percebeu que o produto desenvolvido pode ser “a solução para o cultivo em grandes centros urbanos, onde a poluição, falta de tempo e de espaço, são na maioria das vezes, obstáculos para que as pessoas cultivem plantas (flores, hortaliças, legumes, germinação, plantas medicinais, entre outros). A smart estufa protege o cultivo das interferências externas (poeira, poluição, ventos fortes, insetos e pragas), otimiza a eficiência do desenvolvimento da planta (através da estabilidade entre as variáveis controladas), ocupa o espaço de um móvel, ou até mesmo pode ser um ambiente projetado e construído em alvenaria para poder receber o sistema de automatização”. O estudante entende que “todos esses fatores aliados permitiram perceber o potencial do projeto e visualizar a possibilidade de comercialização”.

Ele explica que “o desenvolvimento da planta é eficiente, pois a iluminação não depende da posição do sol, que causa momentos de sombra ou de muita luminosidade; da proteção contra os ventos fortes, que quando não matam, retardam o crescimento dos vegetais; da temperatura que estará controlada e poderá ser a ideal”.  Além disso, “a irrigação automatizada é baseada na umidade do solo, sem correr o risco de que esse solo encharque ou seque, respeitando os limites e necessidades da planta”, acrescenta Caio. Ele assegura que também “é possível pensar em controles mais específicos, como monitoramento de PH do solo, concentração de gás carbônico (CO2) no ambiente interno da estufa, nutrição específica para cada estágio de crescimento e sistema de vídeo monitoramento”.smart estufa

A  smart estufa oferece um serviço totalmente customizado de acordo com as características do vegetal e as finalidades planejadas. O modelo criado é totalmente baseado na automatização e possibilita o controle através de um aplicativo que roda em qualquer smartphone.  “Mas é necessária uma conexão com a internet, pela qual serão feitas todas as configurações para o perfeito funcionamento do equipamento”, alerta o desenvolvedor Caio. O projeto foi idealizado durante as aulas do primeiro semestre do curso, quando os estudantes Caio Bonfim Landim, Gabrielle Desireé, Marcel França, Marcos Filipe e Vicente Penido formaram uma equipe para apresentar um trabalho na disciplina de Introdução à Engenharia de Controle e Automação, ministrada pelo professor Yuri Guerrieri. Desde então, o professor Guerrieri tornou-se orientador do projeto da estufa “inteligente” com apoio de vários professores, além de um laboratório e suportes técnico e teórico para implementação das ideias e melhorias.

JustStep – Piso Tátil integrado a mensagem de voz 

O projeto JustStep – Piso Tátil integrado a mensagem de voz  consiste em um sistema de localização para interiores com o objetivo de beneficiar, especialmente, pessoas com deficiência visual.  Desenvolvido pela estudante do curso de Engenharia Elétrica da UFBA, Lorenna Vilas Boa, a tecnologia assistiva gera mensagens de áudio para a pessoa com deficiência visual,  a partir do seu caminhar sobre o piso tátil de alerta, informando as possíveis direções que podem ser seguidas pelo indivíduo.  A pesquisa também está ligada ao Pólo de Inovação Salvador do O Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia da Bahia (IFBA).

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