Cultura científica e percepção pública da ciência serão debatidas na Facom

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Carlos Vogt - NET

Vogt e as indagações sobre a percepção pública da ciência

O professor Carlos Vogt, criador e coordenador do Laboratório de Estudos Avançados em Jornalismo da Universidade Estadual de Campinas (Labjor-Unicamp), fala na próxima quinta-feira, 24 de agosto, às 15 horas, no auditório da Faculdade de Comunicação da UFBA, sobre “Cultura Científica e Percepção Pública da Ciência”. A palestra é patrocinada pela própria Facom, pelo Programa de Pós-Graduação em Ensino, Filosofia e História das Ciências da UFBA e mais a Academia de Ciências da Bahia (ACB).

Poeta festejado e linguista respeitado, ex-reitor da Unicamp (1990-1994) e ex-presidente da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp, 2002-2007), secretário de Ensino Superior do Estado de São Paulo (2009-2010) e presidente da Fundação Universidade Virtual do Estado de São Paulo, Univesp (2012-2016), entre numerosos outros cargos relevantes, Vogt é um dos grandes responsáveis pela difusão do conceito de cultura científica no Brasil e por estudos de percepção pública da ciência levados a efeito em São Paulo e outros estados brasileiros, em articulação com parceiros ibero-americanos.

Entre suas contribuições teóricas originais nesse campo está, por exemplo, a exploração da ideia de espiral da cultura científica, um esforço significativo para compreender os percursos sociais da informação sobre a produção de conhecimento científico, desde a comunicação entres pares até a mais ampla divulgação de resultados de pesquisa científica para a sociedade através da mídia.

Espiral da cultura científica

Vogt esteve em Salvador em 2012, a convite do então presidente da ACB, professor Roberto Santos, justamente para expor numa conferência sua visão e experiência nos estudos de percepção pública da ciência. As possibilidades e resultados por ele apresentados foram estímulo suficiente para que a Academia baiana se decidisse a patrocinar no ano seguinte um amplo estudo sobre a percepção pública da ciência em Salvador, com suporte técnico do Instituto Datafolha, coordenado por Othon Jambeiro, professor da Facom, e Maurício Barreto, professor do Instituto de Saúde Coletiva, ambos membros fundadores da Academia.

Em reportagem bastante detalhada, publicada na edição 217 da revista Pesquisa Fapesp, de março de 2014, os resultados da pesquisa feita na Bahia aparecem lado a lado com um outro estudo feito em São Paulo. “Um dos desafios iniciais do Labjor foi a definição de indicadores adequados que pudessem ser usados em vários países e regiões de modo a criar um padrão metodológico passível de comparação e análise. O trabalho do laboratório da Unicamp tem gerado frutos em outras fronteiras do país e, em 2013, depois dos contatos do coordenador do Labjor com a comunidade acadêmica da Bahia, a metodologia serviu de base para uma pesquisa patrocinada pela Academia de Ciências da Bahia”, diz o texto assinado pela jornalista Carolina Rossetti de Toledo.

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A reportagem prossegue com informações de Jambeiro: “Depois de muitos debates sobre o futuro da educação científica, chegamos à conclusão de que tínhamos dados objetivos sobre o ensino de ciência, mas não havia informação sobre a percepção pública da produção acadêmica na Bahia”, E após explicar toda  a metodologia do trabalho, a elaboração dos questionários e sua adaptação ao caso baiano, a jornalista observa que  “uma etapa permite que os entrevistados citem espontaneamente as áreas de interesse e os temas que consideram polêmicos. Na sequência, são realizadas perguntas mais específicas e os entrevistados são convidados a avaliar os riscos e benefícios da pesquisa espacial, dos transgênicos, da nanotecnologia, por exemplo. Também devem ponderar sobre afirmações do tipo: ‘Hoje em dia, a ciência é mais importante do que a fé?’ ou ‘Ciência e tecnologia tornam nossas vidas mais saudáveis?’. Em conjunto, as respostas obtidas constroem uma poderosa ferramenta capaz de pontuar os principais temas de interesse da população e sua opinião sobre o estado atual do desenvolvimento científico do Brasil”.

Segundo o material publicado pela Pesquisa Fapesp, o maior problema encontrado nas pesquisas enfocadas, tanto a da Bahia, com 404 entrevistados de Salvador, quanto a de São Paulo, com 1.511 paulistas de 109 cidades do estado, era o desconhecimento da população sobre as instituições que produzem ciência no Brasil. “Parcela expressiva não sabia citar, espontaneamente, uma universidade ou instituto. Apenas 17% dos paulistas conheciam uma instituição que trabalha com pesquisa em saúde. Em São Paulo, o índice chegava a 10% entre as pessoas com escolaridade de nível fundamental ou das classes D e E.  As instituições mais citadas foram a Universidade de São Paulo (USP), a Unicamp e o Instituto Butantan. Em Salvador, esse padrão se repete e 87% das pessoas não sabem nomear uma instituição que financia a ciência na Bahia”.

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Segundo Othon Jambeiro, “foi chocante saber que a percepção das pessoas é muito reduzida quanto às universidades e os institutos financiadores de pesquisa no estado, mesmo entre a população de maior renda”. Entre as instituições mais citadas pelos soteropolitanos estavam a Fundação Oswaldo Cruz, a Fundação de Amparo à Pesquisa da Bahia (Fapesb), a Petrobras e a UFBA.

O texto completo da reportagem publicada em 2014 pela Pesquisa Fapesp está em http://revistapesquisa.fapesp.br/2014/03/10/para-melhor-informar/.

Em sua nova visita a Salvador, Carlos Vogt deve incluir em sua fala os desdobramentos mais recentes do conceito de cultura científica e da busca por novos e mais complexos indicadores de ciência, tecnologia e inovação, capazes de ampliar a acuidade e a profundidade dos estudos de percepção pública da ciência.

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