Estudo revela existência de 14 mil espécies de plantas na Amazônia

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Professor Domingos Cardoso do Instituto de Biologia da UFBA

Uma pesquisa, liderada pelo professor Domingos Cardoso do Instituto de Biologia da UFBA e por Tiina Särkinen, do Jardim Botânico Real de Edimburgo, Escócia, e que envolveu 44 pesquisadores de diferentes países da América do Sul, da Europa e dos Estados Unidos, revelou a existência de 14.003 espécies de plantas com sementes na maior floresta tropical úmida do planeta, a Amazônia. O levantamento, que confronta a incongruência de dados publicados até então, compilou e analisou as informações disponíveis em diferentes herbários e museus, reunindo o trabalho acumulado ao longo dos anos por centenas de especialistas em taxonomia – ramo da Biologia responsável pela catalogação e classificação dos seres vivos. O estudo foi publicado na última edição da revista Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS).

Para Cardoso, o conhecimento das espécies viabiliza a conservação de áreas prioritárias e o avanço de estudos evolutivos e ecológicos. “A região sempre atraiu a atenção de cientistas, de conservacionistas – estudiosos da biodiversidade – e da população mundial, disse o pesquisador, informando que “ainda assim, não se sabia ao certo o número de espécies de plantas conhecidas em suas florestas, com estimativas variando de dezenas a centenas de milhares”.

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A catalogação das espécies envolveu os nove países da região amazônica

As plantas com sementes foram o objeto de estudo central nesta análise. Elas abrangem as gimnospermas, cujas sementes não são protegidas por frutos, e angiospermas, que têm suas sementes envoltas por um fruto. Menos da metade dessas espécies, 6.727, são árvores, “um número bem menor do que aqueles apresentados em trabalhos publicados até então”, revela Cardoso. Em sua opinião, a diferença entre as estimativas anteriores e os números apresentados no estudo não diminuem o reconhecimento da grande diversidade de plantas da Amazônia, “elas apenas ressaltam a enorme lacuna no conhecimento taxonômico que ainda precisamos preencher”.

No artigo, Cardoso e seus colegas de pesquisa argumentam que o número aparentemente baixo de espécies está mais próximo aos dados reais de plantas com sementes da Amazônia quando comparados a outras estimativas mais conservadoras baseadas na previsão estatística de dados ecológicos. Essa incongruência encontra explicações em números inflacionados, que muitas vezes replicam ou ainda acrescentam espécies não originárias do bioma.

“O trabalho mostra de maneira emblemática a importância da taxonomia para o conhecimento da nossa biodiversidade e a necessidade de apoio contínuo a esses estudos”, diz Domingos. Ele cita o Flora do Brasil 2020, projeto que reúne 700 pesquisadores e cataloga dados valiosos sobre formas de vida, substrato e tipos de vegetação, como uma importante iniciativa na área.

“A publicação dessa lista não significa que a flora amazônica já esteja completamente conhecida. Muitas novas espécies de plantas são descobertas todos os anos, tanto no campo como em herbários e museus, e grande parte da vasta Amazônia continua pouco conhecida ou mesmo inexplorada”, afirma o professor, citando que “as coleções biológicas de museus e herbários seriam, assim, o testemunho material da existência dessas plantas”.

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Amazônia é a maior floresta do planeta. Foto: Ricardo Azour

O trabalho publicado na revista mostra o papel fundamental dos catálogos de abordagem taxonômica para os estudos em biodiversidade. “Sem essa base científica podemos estar colocando em risco nossa biodiversidade, patrimônio único e insubstituível, simplesmente por falta de um conhecimento realmente qualificado”, finaliza Domingos Cardoso, que atualmente integra o Programa de Apoio a Pesquisadores Emergentes (PRODOC) da UFBA. O projeto também tem a atuação de outra professora da UFBA, Nádia Roque do Instituto de Biologia.

O artigo Amazon plant diversity revealed by a taxonomically verified species list está disponível no site da revista Proceedings of the National Academy of Science (PNAS)

 

*Foto de capa: Fabian Michelangeli

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