Encontro internacional de arquitetura debate os desafios de preservação do patrimônio arquitetônico

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A UFBA recebeu, nesta última semana, o ArquiMemória 5, encontro internacional sobre preservação do patrimônio edificado. No encontro, realizado pela Faculdade de Arquitetura da UFBA e pelo Instituto dos Arquitetos do Brasil – Bahia, arquitetos de mais de 20 países debateram os desafios de preservar o patrimônio arquitetônico face a expansão mercantilista crescente em todo mundo e que afeta principalmente nos grandes centros urbanos. O tema principal “O global, o nacional e o local na preservação do patrimônio” convidou os participantes a refletir sobre a importância do contexto local na concepção de projetos de preservação como alternativa à globalização e a especulação imobiliária.

'Casa en Construccíon' sede do coletivo Al Borde

‘Casa en Construccíon’ sede do coletivo Al Borde

O modelo europeu de preservação do patrimônio histórico é referencial para a arquitetura mundial, porém em um mundo globalizado enfrentamento uma forte crise econômica e social, os olhares se voltam para os ‘países periféricos’ em busca de novas soluções. “Compreender as especificidades de cada local é um grande desafio. Entender que intervir em cidades da América Latina é totalmente diferente do que intervir em cidades europeias pois existe um alto grau de informalidade que precisa ser levado em conta”, destaca Nivaldo Vieira de Andrade, professor da UFBA e presidente do Instituto de Arquitetura do Brasil (IAB).

Nesse contexto se destaca o coletivo Al Borde do Equador que desenvolve projetos em Quito a base de reutilização e escambo de materiais. Fundado em 2007 o coletivo recebeu diversos prêmio entre eles o Prêmio de Projeto do Ano do Museu de Design de Londres (2015). Para David Barragán, integrante e fundador do coletivo, ‘o arquiteto é como um médico que fica doido quando vê uma enfermidade, logo quer consertar. E este é o diferencial do coletivo nos envolvemos com projetos que farão a diferença’. O Al Borde trabalha com o envolvimento da integral da comunidade em seus projetos pois entendem que cada pessoa usando suas habilidades no que realmente tem interesse o projeto ganha vida e se integra melhor com a comunidade.

Hotel restaurado por Edward Rojas em Chloé

Hotel restaurado por Edward Rojas em Chloé

Já o chileno José de Nordenflycht apresentou o trabalho do arquiteto Edward Rojas que nos anos 70 dedicou-se a preservar a arquitetura das comunidades da ilha de Chiloé no extremo sul do Chile, início da Patagônia chilena. “O local o impressionou pois era de difícil acesso na época e não existiam arquitetos. Tudo foi construído pelos moradores locais devido às necessidades. E são construções belíssimas”, relata Nordenflycht.

Tecnologia e preservação

Na sala principal do Teatro Castro Alves o professor da UFBA, Paulo Ormindo de Azevedo falou sobre a influência da tecnologia na divulgação do patrimônio cultural: “A difusão digital colaborou para a banalização do patrimônio cultural através da reprodução generalizada. As pessoas saem cada vez menos de duas casas para assistir um concerto ou visitar um museu”, e da importância no processo de preservação: “Hoje é possível construir estruturas 3D de forma mais simples, prática e precisa, além de auxiliar no restauro de obras de arte sem a necessidade de intervenção brutal mantendo conservada a obra original”.

Centro histórico de Salvador

Centro histórico de Salvador

O ArquiMemória 5 é a terceira edição consecutiva do encontro, realizado em Salvador desde 2008. A edição é preparatória para o 27° Congresso Mundial de Arquitetos que acontecerá em 2020 no Rio de Janeiro. O evento também comemorou os 80 anos de criação do Serviço de Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Sphan), atualmente Iphan, e os 50 anos de criação da Fundação do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (FPAC), atual IPAC.

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