Em um ano, o Cidacs já mostrou resultados positivos

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Mesmo num ambiente em que pelo menos R$3,2 bilhões foram cortados do orçamento do governo federal para ciência e tecnologia, o Centro de Integração de Dados e Conhecimentos para Saúde (Cidacs), implantado no Parque Tecnológico  de Salvador, teve resultados positivos na área de gerenciamento da informação e em pesquisa de dados, já em seu primeiro ano de funcionamento. Esse panorama foi apresentado durante o seminário “Pesquisa em Saúde no Brasil: Panorama e Perspectivas do Cidacs no Contexto Atual”,  que comemorou um ano de vida desse avançado ambiente de pesquisa na quarta feira, 6 de dezembro.

O volume de dados gerados com relação à saúde no Brasil foi de 153 exabytes em 2013 e a previsão é de que até 2020 alcance 2.314 exabytes. “O grande desafio do Cidacs é organizar e linkar esses dados para que se possa, quando estiverem unificados com dados rotineiros de pesquisas, agilizar o processo e o resultado de pesquisas”, afirmou o coordenador do Cidacs, professor Mauricio Barreto, titular da UFBA e pesquisador da Fiocruz-Bahia.

Esse desafio é enfrentado no Cidacs trabalhando-se sobre o conceito  de Big Data e o centro conseguiu já em sua caminhada inicial desenvolver sistemas próprios e eficientes de infraestrutura, segurança e privacidade, arquitetura de dados e computação científica, acesso e preservação de dados. “Uma estrutura eficiente e segura que conseguimos construir graças às parcerias realizadas neste primeiro ano”, ressaltou Barreto. O maior desafio do Cidacs para os próximos anos é criar um sistema de governança público, aberto e auditável.

No âmbito da pesquisa foram desenvolvidos os projetos:

  • Cidacs 2

    Comparação de dados e presença do vírus Aedes Aegypti

    Plataforma Zika – Plataforma de vigilância de longo prazo para a zika e microcefalia no âmbito do SUS;

  • Coorte de 100 milhões de brasileiros – Plataforma de estudos e avaliações contínuas dos determinantes sociais e efeitos do Programa Bolsa Família e outros programas de Proteção Social sobre a saúde;-
  • Tecnologias e Inovações em Sistemas de Informação para o SUS – Plataforma centrada na construção, avaliação e oferta de soluções em Saúde Digital para os Programas e ações do Sistema Único de Saúde;
  • Estudos de Equidade e Sustentabilidade Urbana e seus efeitos sobre a saúde – Plataforma que possibilita estudos e pesquisas centradas em questões relacionadas à equidade e a sustentabilidade de áreas urbanas e seus efeitos na saúde;
  • Bioinformática aplicada e Epigen – A primeira plataforma esta centrada na obtenção de dados de sequenciamento de DNA ou RNA por tecnologias de nova geração (NGS) e sua aplicação ao estudo de patógenos de importância clínica, como a Leishmania braziliensis, e vetores de doenças, a exemplo do mosquito Aedes aegypti. A segunda plataforma permite estudar a associação entre doenças complexas e as variantes genéticas encontradas na população brasileira, considerando a principal e mais importante característica: a diversidade.

Visão crítica

Em sua fala sobre o panorama geral do investimento em ciência, tecnologia e inovação no Brasil, o professor Luís Eugênio de Souza, coordenador do programa de pós-graduação do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA (ISC – UFBA), lembrou que em 2018 a previsão é de queda no orçamento federal de R$ 6,2 bilhões para R$ 4,6 bilhões. “Certamente a perda será maior, pois há uma diferença entre o previsto e o que é realmente investido. Raramente se investe o total previsto”, disse.

Em 2017 o Brasil investiu aproximadamente 0,45% do PIB em CT&I, muito abaixo percentualmente de Estados Unidos e China (2,5%), Coreia do Sul e Israel (4%) e de países europeus que até 2020 devem passar dos 3%. “É inadmissível que um país do tamanho do Brasil invista menos do que Israel. Qual a real intenção desses cortes?”, questionou Eugênio. Segundo ele, as consequências da redução orçamentaria são quase imediatas e afetam diretamente os pesquisadores que, sem verbas para pesquisa, acabam deixando o país para concluí-las em outra parte.

Foi justamente em cenários econômicos desfavoráveis que o fomento em CT&I colaborou para a retomada de muitos países como, por exemplo, a Coréia do Sul, hoje referência mundial em desenvolvimento tecnológico. “O retorno social para cada 1% de investimento em CT&I é de 9,92%”, disse Luís Eugênio. Ressaltou ainda que existem alternativas à conjuntura atual e o o que falta é um pouco mais de organização da comunidade científica para que haja uma reação.

Na mesa de abertura do seminário, além do coordenador do Cidacs, Maurício Barreto, estavam Marilda Gonçalves, diretora e pesquisadora do Instituto Gonçalo Moniz (Fiocruz Bahia), José Vivaldo Mendonça, secretário da Ciência, Tecnologia e Inovação do Governo do Estado da Bahia e Suani Tavares Rubim, chefe de gabinete da reitoria da UFBA, representanto o reitor João Carlos Salles.

Todos ressaltaram as parcerias que viabilizaram o Cidacs, cujas fontes principais de financiamento são editais da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), Wellcome Trust, NHR/UK e Newton Found/FAPESB.

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