Inaugurado novo espaço do centro nacional de referência em pesquisa de democracia digital

Download PDF
facom1Dan Figliuolo

Professores Fábio Velame, Paulo Miguez (vice-reitor), João Carlos Salles, Suzana Barbosa, Othon Jambeiro e Thierry Lobão (coordenador de pesquisa da Propci)

O Centro de Estudos Avançados em Democracia Digital (CEADD) da Faculdade de Comunicação (Facom) ganhou novo espaço na manhã da quinta-feira, 01 de fevereiro, em meio às celebrações dos 30 anos da unidade. Estruturado a partir de três linhas de pesquisa – democracia digital, governo eletrônico e comunicação política online -, o centro lidera o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia Democracia Digital (INCT-DD), rede de laboratórios e centros de pesquisa associados que envolve 26 grupos de pesquisa brasileiros, em 20 instituições, e 23 grupos internacionais, incluindo três dos quatro maiores centros na área de democracia digital do mundo. “A sede do instituto é aqui, mas ela se estende a outras instituições, que trabalham de forma articulada, na pesquisa, produção de inovação e de tecnologia”, explica o professor Wilson Gomes, um dos dois coordenadores do INCT-DD.

Na cerimônia de inauguração, o reitor João Carlos Salles ressaltou a importância do novo e espaçoso ambiente de pesquisa e destacou especialmente o reconhecido peso acadêmico de seus coordenadores, os professores Othon Jambeiro e Wilson Gomes. Explicou como sua compreensão a respeito da seriedade dos estudos científicos comandados por ambos foi um componente relevante em sua determinação de apoiar o projeto, viabilizado com recursos da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). Respondia, assim, ao agradecimento que em sua fala Othon Jambeiro fizera a seu empenho pessoal para tornar realidade a adequada infraestrutura material do INCT-DD. João Carlos Salles destacou também o esforço contínuo da diretora da Facom, Suzana Barbosa, para que o projeto caminhasse bem, e agradeceu particularmente à equipe do Superintendente de Meio Ambiente e Infraestrutura, Fabio Velame, que atuou incansavelmente para que as obras ocorressem a contento e no prazo.

“O projeto é tão importante que era preciso fazê-lo real”, disse Othon Jambeiro ao historiar os desdobramentos do centro contemplado no edital de infraestrutura da Finep em 2008 até o final/começo feliz da quinta-feira passada. Suzana Barbosa também agradeceu à administração da universidade, em especial ao trabalho da Reitoria, da Pró-Reitoria de Pesquisa, Inovação e Criação (Propci) e da Sumai. “É com alegria que recebemos vocês aqui hoje para inaugurar mais um espaço na Faculdade, num dia que também é de comemoração dos 30 anos da Facom como uma unidade universitária autônoma”, disse, destacando a história de luta e engajamento da Faculdade, que tem hoje cerca de 800 estudantes, somados os da graduação, do mestrado e do doutorado.

Uma liderança em democracia digital

“Como fazer governos melhores – eficientes e eficazes – e mais democráticos, que incluam o cidadão no sentido de mais participação, mais cidadania, mais colaboração?”. Essa é uma questão essencial para o centro de estudos avançados, segundo o professor Wilson Gomes, que divide a coordenação da CEADD com o colega Othon Jambeiro. Contribuem também, nas atividades de pesquisa do centro, André Lemos e Marcos Palácios, da Facom, e o professor José Gomes Pinho, da Faculdade de Administração.

facom3Dan Figliuolo

João Carlos Salles e Wilson Gomes

“Tudo aquilo que tenha a ver com digitalização do governo é objeto de nosso interesse”, diz o professor. Ele enfatizou a necessidade de construção de mecanismos “que ajudem a transformar governos em instituições mais democráticas”. Pesquisador CNPq 1A, Gomes afirma ser necessário “introduzir um vírus democrático nos governos digitais”, do contrário “eles ficarão restritos à questão da eficiência, da redução de custos do governo”. É importante também introduzir questões democráticas, mais participação, possibilidade de escutar as pessoas e os grupos que queiram contribuir, “enfim, possibilitar a cooperação dos cidadãos”, detalha.

O INCT-DD, que comemora também um ano de existência, agrega praticamente todos os grupos e laboratórios nacionais que atuam nas linhas relacionadas ao tema da democracia digital no país. Serviços públicos prestados digitalmente estão entre as inovações implementadas pela rede de pesquisadores, a partir da colaboração de projetos de digitalização e da formulação de políticas públicas de prestação de serviços digitais.

Há também contribuições aos chamados “governos abertos e dados abertos” – voltados à produção de mais transparência e participação popular. Crowdsourcing – baseada no aproveitamento da colaboração de usuários da web. Uso de big social data, em tradução, o acompanhamento de questões, opiniões e propostas dos cidadãos. Governo inteligente, estruturado sobre o esforço governamental de oferta de dados com licenças abertas, o que facilita sua reutilização. Por fim, as cidades inteligentes, voltadas à prestação de serviços à população por meios digitais.

“Mais empoderamento das minorias, mais proteção e garantias para os cidadãos, a possibilidade de acompanhar as ações do governo, mais transparência” são elencados como principais contribuições da democracia digital na visão de Wilson Gomes, autor dos livros Transformações da política na era da comunicação de massa, pela editora Paulus (2004 e 2008), Jornalismo, fatos e interesses, editora Insular (2009). Segundo ele, o estudo em democracia digital é “uma tendência que não tem volta e uma dessa ideias que veio pra ficar”.

O CEADD recebeu verbas da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep), por meio de recursos de fundo de infraestrutura (CT-Infra 2008). Para os laboratórios e compra de equipamentos, recebeu financiamento do programa de apoio a núcleos de excelência (Pronex), ligado ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O instituto de pesquisa baiano receberá também financiamento ao longo de seis anos do governo federal, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb).

A infraestrutura do centro de estudos, com 800 metros quadrados de área construída, tem dois laboratórios para abrigar pesquisadores de diferentes áreas do conhecimento, preocupados com questões de democracia digital. Cada um tem capacidade para 21 pessoas. O CEADD abrange ainda sala de conferência, uma sala de coordenação, copa, e o projeto de extensão “escola de democracia digital” – o espaço também funcionará como auditório -, e oito gabinetes para professores visitantes.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

*
*
Website