A universidade pública como lugar de resistência, criação e transformação

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A programação da UFBA no Fórum Social Mundial 2018 tanto quanto aquela proposta por vários de seus coletivos  abrem largo espaço para o debate sobre a relação da universidade com a sociedade e seu papel de resistência no atual momento político e socioeconômico brasileiro, em várias mesas ligadas ao tema.

Na quinta-feira, 15 de março, por exemplo, a partir das 9h, no salão nobre da reitoria da UFBA, a sessão sob o título “A Universidade e a Educação no contexto da Resistência Democrática” comporta duas mesas de reflexões e discussão sobre o tema, antecedidas por uma breve abertura. As falas nesse primeiro momento são do reitor João Carlos Salles, da diretora da Faculdade Latino-Americana de Ciências Sociais (Flacso-Brasil), Salete Valesan Camba, e do representante do Diretório Central dos Estudantes (DCE-UFBA), Bruno Araújo. Fecha esse ato inicial uma apresentação do Grupo Rum Alabê, que desenvolve  um belo trabalho de percussão ligado às tradições do candomblé, sob a coordenação de Iuri Passos, professor da UFBA.

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Iuri Passos: trabalho de formação no projeto Rum Alabê

Na primeira mesa de debates, a partir das 10 horas, estarão o sociólogo Boaventura de Sousa Santos, professor da Universidade de Coimbra, Portugal, e da Universidade Popular dos Movimentos Sociais (UPMS), instituição internacional criada no Fórum de 2003;  o professor Francisco Tamarit, ex-reitor da Universidade Nacional de Córdoba (UNC), Argentina, e coordenador da Conferência Regional de Educação Superior da América-Latina e Caribe (CRES 2018); as reitoras Márcia Abrahão Moura, da Universidade de Brasília (UnB), e Soraya Soub Smalli, reitora da Federal de São Paulo (Unifesp). Vão atuar como facilitadores os professores Paulo Costa Lima, da  UFBA, e Raiane Assumpção, da Unifesp.

"Nossa expectativa é a construção de uma rede educacional em defesa da universidade”, destaca Salete Camba, diretora da Flacso-Brasil

Salete Camba: “Nossa expectativa é a construção de uma rede educacional em defesa da universidade”

A partir das 11:30h, integram a segunda mesa os reitores Jaime Arturo Ramírez, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), e João Carlos Salles, da UFBA, a estudante Marianna Dias, presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), o professor argentino Pablo Gentili, secretário executivo do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (Clacso), e a estudante cubana Mirthia Brossard Oris, presidenta da Organização Latinoamericana e Caribenha de Estudantes (Oclae). Serão facilitadores as professoras Ana Maria Prestes, da UPMS e Flacso, e Olgamir Amancia, da  UnB.

Boaventura de Sousa Santos, da Universidade de Coimbra, participa do debate sobre a educação no contexto da resistência democrática

Boaventura de Sousa Santos, no debate sobre a educação no contexto da resistência democrática

“Nossa expectativa é reunir dirigentes de universidades nacionais e internacionais e representantes de instituições de classe que atuam dentro do campo da educação para a construção de uma rede educacional em defesa da universidade”, destaca Salete Camba. A inciativa pretende aproximar universidades e entidades de classe latino-americanas para a construção de estratégias coletivas em defesa da universidade pública, que vem sofrendo ataques, desde os sucessivos cortes e contingenciamento de verbas, às perseguição de dirigentes, cerceamento à liberdade de expressão de professores, etc. O evento terá transmissão online ao vivo através da TV UFBA.

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Reitor da UFMG, Jaime Arturo Ramirez: proposições quanto ao o papel da universidade pública

Outras abordagens à educação

A educação e a universidade serão tema de diversas outras atividades que integram a programação do FSM 2018. Uma delas é a mesa “O golpe na Educação; Posições da Anfope – Associação Nacional pela Formação dos Profissionais da Educação”, que ocorre na quarta-feira, 14, às 9h, no Instituto de Geociências – sala de videoconferência. Participam os professores Kátia Oliver de Sá, da Universidade Católica de Salvador (UCSAL), Cássia Hack, da Universidade Federal do Amapá (UNIFAP), e Raquel Rodrigues, da Universidade Estadual de Feira de Santana (UEFS).

Os ataques à educação pública, laica, de qualidade e socialmente referenciada, serão debatidos a partir do relato da Anfope sobre a luta histórica pelo direito à educação. Entre esses ataques flagrantes, segundo a Associação, constam medidas recentemente aprovadas ou ainda em tramitação nos legislativos federal, estaduais e municipais, como a reforma do ensino médio, o projeto escola sem partido, a base nacional curricular comum (BNCC) e as restrições orçamentárias para as universidades.

Celi Taffarel: “O Ministério da Educação continua adotando medidas que aprofundam o golpe"

Celi Taffarel: “O Ministério da Educação continua adotando medidas que aprofundam o golpe”

“O Ministério da Educação continua adotando medidas que aprofundam o golpe. E a mais recente delas é a intervenção na autonomia universitária, com ingerências como a não nomeação de reitores e todo um entulho autoritário que vem sendo aprovado por esse governo ilegítimo e golpista”, diz a professora Celi Taffarel, da Faculdade de Educação da UFBA, que coordena a atividade.

Secretária da Anfope para o estado da Bahia, Taffarel ressalta que a entidade se posiciona contra a padronização e o controle impostos pelo programa de residência pedagógica e contra a BNCC.

“Educação, Justiça e Direitos Humanos” é o tema da mesa proposta pelo Instituto de Humanidades, Artes e Ciências (IHAC), que acontece também na quarta-feira, a partir das 19h, na sala de videoconferência do PAF III, com a participação dos professores Milton Júlio de Carvalho Filho (UFBA), Vanessa Cavalcanti (UCSAL), da Promotora de Justiça e Coordenadora do Centro de Apoio Operacional dos Direitos Humanos do Ministério Público do Estado da Bahia, Márcia Regina Ribeiro Teixeira, e do representante da Anistia Internacional, Israel Campos.

O professor Milton Carvalho ressalta a importância da educação para os direitos humanos e espera despertar possibilidades de ativismo entre os estudantes, especialmente aqueles que vivem nas comunidades da periferia. “A educação para os direitos humanos não se faz apenas através da legislação, é preciso falar sobre os problemas cotidianos que afetam o Brasil e o mundo”.

“Outra questão é o lugar de fala das pessoas sobre as suas questões. Além dos ativistas já que estão engajados, queremos que as pessoas possam se tornar representantes da sua própria causa e tomem consciência de que há meios para isso”, afirma o professor. A mesa destacará também as lutas históricas de ativistas em países africanos e ativistas trans.

Kabengele Munanga participa da mesa de debate no dia 15/03, às 9 horas, na Escola de Enfermagem

Kabengele Munanga: refletindo por “Um Mundo sem Racismo, Intolerância e Xenofobia”

Na quinta-feira, 15, as questões étnico-raciais na educação básica e no ensino superior no Brasil estarão em evidencia na atividade programada para às 9h, na Escola de Enfermagem – Auditório 2.  Os professores Kabengele Munanga, da Universidade de São Paulo (USP), Jorgeval Andrade Borges, da Universidade Estadual do Sudoeste da Bahia (UESB), Beleni Grando, da Universidade Federal de Mato Grosso (UFMT), Maria Cecilia de Paula Silva (UFBA), José Ney Santos (UFBA) e a secretária de Educação Básica da Bahia, Elizabeth de Jesus da Silva vão propor reflexões e ações para “Um Mundo sem Racismo, Intolerância e Xenofobia”.

“Desde 2003 os conteúdos sobre as questões étnico-raciais são uma obrigação legal no currículo da educação básica. É necessário que esses conteúdos sejam trabalhados também no ensino superior, na formação dos professores. O debate apresentará o relato de experiências sobre como essas questões têm sido trabalhadas – e se têm sido. Serão discutidas ações e pesquisas desenvolvidas sobre essa temática nos dois níveis de ensino”, diz a professora Maria Cecília Silva.

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