Estatística marca gol de placa com predições para a Copa de 2018

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Ambiente descontraído de bar foi espaço para apresentação de aplicações da estatística às predições de eventos esportivos. Foto: Thiago Barboza

A seleção brasileira entre as três primeiras colocadas e a partida final da Copa do Mundo 2018 disputada entre os times da Alemanha e Brasil parecem simples palpites de torcedores, numa conversa informal de mesa bar, mas na segunda noite do Pint of Science 2018, em Salvador, as afirmações foram apresentadas como previsões calculadas estatisticamente pelo Centro de Estudos do Risco do Departamento de Estatística da UFBA (CER-UFBA), durante a palestra “Marcando um gol de placa: a estatística do futebol”, realizada pelo professor Paulo Henrique Ferreira da Silva, no bar Caranguejo do Porto, na Barra.

No ambiente descontraído do bar, o professor introduziu o tema mostrando como os números estão presentes na vida cotidiana, “desde levantar pela manhã e conferir as horas; calcular o tempo para chegar ao trabalho até as notícias na TV sobre índices da inflação ou de aumento de doenças.  Já que frequentemente, “usamos números para a tomada de decisões em nossa vida, ninguém precisa odiar ou ter medo dos números”, racionalizou.  Nessa linha, Silva apresentou como a ciência estatística pode ser aplicada habilmente ao mundo esportivo, fonte de entretenimento e, principalmente, ao futebol que desperta paixões na maioria dos brasileiros.

Previsão de resultados de eventos esportivos e detecção de talentos são duas frentes em que modelos estatísticos e sistemas computacionais desenvolvidos pelo CER-UFBA realizam pesquisas e desenvolvem aplicações, baseadas num modelo estatístico que leva em conta dados objetivos e subjetivos para realizar previsões, explicou o docente.  De acordo com ele, as informações objetivas são provenientes dos rankings oficiais de instituições esportivas, resultados de jogos anteriores e análise de especialistas esportivos e as subjetivas provêm das opiniões de aficionados que acompanham os jogos.

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O professor do Departamento de Estatística da UFBA, Paulo Henrique Ferreira da Silva, falou sobre as pesquisas do Centro de Estudo do Risco (CER) relacionadas às predições para a Copa 2018. Foto: Thiago Barboza

Nesse modelo – baseado na Estatística Bayesiana, que trabalha uma medida condicional da incerteza, associada a ocorrência de um evento, dada a informação disponível – os dados são reunidos e considerados para a realização dos cálculos probabilístico, esclareceu Silva.  “Por levar em conta muitas variáveis, o nosso modelo é o único que não aponta o Brasil com um favoritismo exclusivo para ser o campeão da Copa da Rússia, enquanto vários sites nacionais de previsão o fazem, advertiu o professor.

O cuidado em ponderar vários elementos para antecipar prognósticos é uma prática observada pelos grupos de pesquisa que Silva faz parte, desde os torneios mundiais de 2006, 2010 e 2014, ele informou.  De acordo com o docente, o fato da modelagem preditiva abordar alternativas ao que vem sendo trabalhado no meio, possibilitou que eles, antecipadamente, soubessem que a seleção da Espanha seria a campeã da copa de 2010, quando todos se surpreenderam.  “Por considerarmos vários fatores e situações típicas do momento, o grupo de estatísticos anteviu o resultado da competição e por isso,  nos tornamos tema de várias matérias jornalísticas em sites esportivos nacionais e internacionais, comemorou.

A aplicação também operou assertivamente em relação à competição do Brasileirão 2017, contou Paulo Henrique, lembrou que eles acertaram várias previsões de resultados, inclusive, contrariando todas as indicações, que o Vitória não seria rebaixado para a segunda divisão. Além de incentivar a interação de usuários, provocar reportagens na imprensa nacional e internacional, impulsionar visitas ao site e diversas simulações, a previsão esportiva, baseada no modelo descrito, gerou a produção de artigos acadêmicos para periódicos científicos de dentro e fora do país, dissertações de mestrado e trabalhos de conclusão de cursos (TCC), de universidades que trabalham em parceria com os pesquisadores da UFBA.

Junto com as predições para eventos esportivos, também é possível ao modelo estatístico antecipar quem serão os atletas mais bem-sucedidos. Ampliando a atuação dos “olheiros”, é possível identificar talentos para o mundo dos esportes,  estabelecendo comparação entre atletas, em tempo real.  Paulo Henrique explica que a metodologia científica adotada coleta dados em escolas e centros esportivos, armazena em plataforma online, realiza análises estatísticas, testes práticos, emite relatórios e elabora rankings de alta performances que podem ser alimentados e consultados por especialistas de vários lugares, possibilitando que trabalhem juntos em tempo real e apontem em menor tempo o surgimento ode craques, explicou.

 

Prognósticos para a Copa de 2018

PrevisãoEsportiva

Site lançado pelos pesquisadores do CER-UFBA.

A palestra do Pint of Science foi a oportunidade para o lançamento do site Previsão Esportiva (www.previsaoesportiva.com.br),  administrado pelos pesquisadores – alunos de graduação e pós-graduação – integrantes do CER-UFBA. A ferramenta, cujo objetivo é agregar interessados ao desenvolvimento metodológico estatístico para dados esportivos, realiza previsões que são obtidas a partir de um modelo que leva em conta os resultados dos jogos, levando em conta fatores como mando de campo, poder de ataque e poder de defesa de cada equipe do campeonato.

Entre as predições para o mundial da Rússia, o Brasil tem 69% de chances de terminar como líder do Grupo E, seguido da Suiça, Sérvia e Costa Rica, arriscou o professor.  O modelo também aponta que entre os três primeiros possíveis classificados “não se pode apontar com precisão quem poderá vencer, pois além de muitas variáveis serem capazes de interferir no resultado, os índices de chances estão muito próximos: Alemanha com 16,93%; Espanha com 15,95% e Brasil com 12,80%.  Como “o futebol é uma caixinha de surpresas, teremos que aguardar para ver como será desembolado o meio-de-campo”, assegurou.

Apesar da alta probabilidade de acontecer uma final entre Brasil e Alemanha, Silva não acredita na possibilidade da repetição de um outro placar de 7 X 1. “Esse resultado, nenhum modelo e nem ninguém, foi capaz de prever”, ironizou o professor que é graduado, mestre e doutorado em estatística, pela Universidade Federal de São Carlos (UFSCAR).

 

 

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