Dia Nacional da Ciência celebra a educação em país que ainda forma poucos pesquisadores

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Nelson Pretto, professor da UFBA e conselheiro da SBPC

O Dia Nacional da Ciência e o Dia Nacional do Pesquisador é comemorado neste domingo, 08 de julho. A data celebra o conhecimento científico num país que, segundo dados da Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), tem 7,6 doutores para cada 100 mil pessoas. Em comparação, o Reino Unido apresenta 41 titulados para a mesma proporção de pessoas.

“O desenvolvimento científico e tecnológico é algo fundamental e estruturante para o futuro do país”, fala Nelson Pretto, conselheiro da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC) e membro da Academia de Ciências da Bahia. Para ele, que também é professor da Faculdade de Educação da UFBA, celebrar a data é fundamental, pois o atual momento exige uma maior participação da sociedade na defesa da ciência e da educação do país, “uma vez que estamos acompanhando severos ataques às instituições científicas, com profundos cortes em seus orçamentos, o que, seguramente, comprometerá de forma grave o futuro do país”.

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As Universidades são os principais agentes de pesquisa do país. A UFBA, com seus 72 anos, já graduou mais de 105 mil alunos e titulou cerca de 3 mil doutores e 12 mil mestres. Nos últimos 10 anos, o número de mestrado e doutorado pulou de 40 e 17 para 70 e 46, respectivamente. Para o coordenador de pesquisa da pró-reitoria de pesquisa, criação e inovação, Thierry Lobão, esse saldo positivo deve ser acompanhado com o crescimento em investimento na educação.

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Thierry Lobão, coordenador de pesquisa da Propci

“Falta ainda uma percepção da importância da ciência e da tecnologia no país, ambos são responsáveis por um retorno grande a médio e longo prazo”, diz Lobão. Ele cita países como os EUA, Coréia do Sul e Japão que, após forte investimento nas ciências, tornaram-se potência econômicas. A diminuição de verba à educação, por outro lado, atinge um longo espectro, segundo o coordenador. “Do estudante de graduação que deixa de receber uma bolsa de iniciação científica ao pesquisador já estabelecido que deixa de adquirir insumos que necessita para operar os estudos”.

Salvador já antecipou os festejos do dia da ciência e do pesquisador com o desfile “Dois de julho em Defesa da Ciência”, durante a comemoração da independência da Bahia, na última segunda-feira. “O Brasil faz ciência de boa qualidade não a restringindo a apenas uma região. Ela acontece em todos os lugares. Mas o que vemos claramente é diferentes tratamentos de como a ciência é divulgada no sul, norte, nordeste. A região sudeste tem a maior concentração dos investimentos, de pesquisadores, com artigos de grandes impactos, mas o Brasil todo tem uma distribuição nesse sentido, de produção de conhecimento”, observa Nelson Pretto. Para exemplificar, de acordo com dados da Capes, estados do sul e sudeste superam em quase 7 capes-bolsas-regiaovezes o número de concessão de bolsas de pós-graduação.

Pretto fala também que é preciso mais investimento em pesquisa sem a preocupação de uma aplicação imediata dos resultados. “Muitas vezes a pesquisa científica demora anos sem um resultado imediato, mas ela é base para alguma outra solução, indicação ou pista para que seja possível encontrar uma nova substância para um remédio de cura para uma doença, para uma nova metodologia para educação, uma nova solução científica e tecnológica para os transportes, entre outros”, declara Pretto.

Ele também coordena o Polêmicas Contemporâneas, que na próxima segunda feira, 09 de julho de 2018, a partir das 19 horas, no auditório Leopoldo Amaral, na Escola Politécnica da UFBA (Federação), debaterá Direitos Humanos e desobediência civil nas lutas sociais: criminalização dos protestos. O evento tem transmissão ao vivo pelo canalpolemicas.faced.ufba.br.

 

 

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