Laboratório auxilia o ensino da matemática com uso de modelos concretos

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Torre de Hanói, um dos modelos matemáticos presentes no Lema

Uma base com três estacas e n número de discos com diâmetros diferentes é objeto de uma lenda que envolve templos, sacerdotes e algumas regras. Apenas um disco pode ser removido por vez e é obrigatório que os discos fiquem um sobre o outro a partir de uma ordem crescente de diâmetro, o que forma uma espécie de quebra-cabeça baseado na remoção dos discos de um pino para outro.

Esses são os princípios da Torre de Hanói, um dos modelos matemáticos presentes no Laboratório de Ensino de Matemática e Estatística da UFBA (Lema). “É um bom modelo para se aplicar à teoria, a exemplo da indução – [um método de prova matemática usado para demonstrar a verdade de um número infinito de proposições]-, mas é um jogo, que envolve também história da matemática”, explica Cristiana Valente, coordenadora do laboratório.

Por meio dele e de cerca de outros 200 modelos que compõem uma espécie de museu didático voltado à aprendizagem, é possível ilustrar a teoria de uma matéria que tradicionalmente tem seus modelos expostos em duas dimensões, seja no quadro na sala de aula seja em cadernos e livros.

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O Lema está localizado no 1º andar do Instituto de Matemática

Cristiana Valente explica que os modelos servem para facilitar a compreensão, visualizar e manusear assuntos que muitas vezes se atêm a visão teórica. “Os modelos ajudam os estudantes a entenderem a geometria do modelo para fazer cálculos e tem modelos que servem para ilustrar a teoria. “É aplicação da teoria de uma maneira divertida e tátil, despertando o interesse dos alunos”, diz Valente.

“Os modelos concretos têm o objetivo principal de facilitar o aprendizado da matemática. De interagir com modelos de conteúdo de teorias que viram ou que irão ver, facilitando o entendimento da matemática”, diz a coordenadora. “É complicado desenhar modelos espaciais nos quadros. É muito mais fácil você aprender a matemática com modelos concretos, principalmente de geometria espacial. E tem também a parte de jogos que é a maneira divertida de entender matemática, em que o aluno está brincando e aprendendo, tudo isso, facilitando a aprendizagem em matemática”, observa.

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Retratos com grandes nomes da matemática ilustram o Lema

Instalado em 1996, o laboratório se encontra no primeiro andar do Instituto de Matemática e ocupa as salas 148 e 149 do prédio. Ao entrar, além de peças geométricas e jogos, o visitante encontra retratos de importantes matemáticos. Entre eles, o retrato de Carl Gauss (1777-1855), conhecido como o príncipe da matemática, que construiu com régua e compasso um polígono – linhas fechadas formadas apenas por segmentos de reta que não se cruzam apenas em suas extremidades – de 17 lados. Ou o francês Henri Poincaré (1854 – 1912), grande divulgador da ciência moderna e autor da conjuntura de Poincaré, provada apenas100 anos depois de sua formulação. O rosto da alemã Emmy Noether (1882-1935), que lecionou por anos sem receber pagamento em razão do preconceito contra a mulher na Academia – entre seus feitos, ela provou o teorema de Noether e contribuiu significantemente para álgebra abstrata e teoria dos grupos – também enfeita as paredes do Lema.

A centralidade do Lema no ensino de matemática resultou em duas disciplinas obrigatórias para o curso, Lema 1 e Lema 2, fruto da última formulação curricular. Projeto de extensão, o laboratório desenvolve também atividades de ensino e pesquisa e soma dois livros publicado pela Edufba: “Superfícies isométricas ao plano – construção de modelos concretos com cilindros e cones” de 2010 e “Livros Sólidos e Superfícies – construção de Modelos Concretos” de 2011.

O Lema realiza exposições de seu acervo em eventos científicos e também agenda visitas guiadas. Os modelos matemáticos abrangem os níveis de ensino fundamental, médio e superior. Interessados em agendar visitas podem fazer por pelo telefone (71) 3282-6265 ou pelo site do laboratório. “Aqui têm modelos em que se pode mexer, se pode criar, tudo buscando incentivar o aluno na visualização e aprendizagem”, convida Valente.

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