Antropologia feminista e empoderamento de mulheres em debate

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Subhadra Channa é presidenta da Associação de Antropologia Indiana

“Como feminista, nós estamos encarando uma posição crítica. Estamos tentando avaliar criticamente todas as formas de discriminação”, observou Subhadra Channa, professora de antropologia social da Universidade de Deli, Índia, que estuda grupos marginalizados da sociedade indiana. Ela e estudiosos de mais de 12 países estiveram no pós-evento do congresso mundial da International Union of Anthropological & Ethnological (IUAES). O encontro foi realizado no Centro de Estudos Afro-Orientais da UFBA (Ceao), localizado no Largo Dois de Julho, entre os dias 23 e 26 de julho.

Com o título “What About Women in the History of Anthropology?”, o evento fez um amplo movimento de discussão das mulheres na antropologia e percorreu questões relacionadas à educação, gênero e empoderamento de mulheres. Alcançou também a história da antropologia feminista em diferentes contextos, e, em seu último dia, formou o grupo de trabalho sobre epistemologia feminista e práticas de pesquisa, alcançando debates sobre corpos e experiências.

Pesquisa resgata trajetória acadêmica de Zahidé Machado Neto

O pioneirismo acadêmico da feminista Zahidé Maria Neto, socióloga e professora da UFBA entre a década de 50 e início dos anos 80 foi revisitado pelo professor Felipe Fernandes, líder do Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação (GIRA) da UFBA. Para além de expor a trajetória pessoal, a pesquisa buscou reinscrever na história dos feminismos brasileiros o ativismo da professora Zahidé, que foi diretora do CEAO em 1961. “Em tempo hostil às pesquisas sobre a mulher, Zahidé ajudou a constituir um campo cujos frutos ainda são colhidos”, disse Fernandes.

Zahidé pesquisou sobre o papel da mulher como força de trabalho, o papel da criança do sexo feminino na divisão de trabalho domiciliar e as questões de violência doméstica. “A autora situava as mulheres num contexto amplo tendo em vista compreender o processo discriminatório que as subordinavam, seja no trabalho ou em casa”, afirmou o professor.

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Felipe Fernandes é líder do Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação (GIRA) da UFBA

Felipe Fernandes lembrou também que, há 10 anos, foi criado o primeiro curso de Bacharelado em Gênero e Diversidade da América Latina. Também em 2008, o curso de Bacharelado Interdisciplinar em Humanidades ganhou a área de concentração de “Estudos de Gênero”. Ele também destacou o papel do Núcleo de Estudos Interdisciplinares sobre a Mulher (Neim) da UFBA, um dos primeiros grupos de estudos sobre a mulher na América Latina.

Adriana Piscitelli, professora da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e editora associada do International Journal of Feminist Politics foi outro importante nome dos estudos antropológicos presentes no evento. Ela falou sobre a necessidade de considerar a pluralidade de feminismo e destacou as experiências de pesquisas na Unicamp. Piscitelli também deu destaque à primavera das mulheres, quando, em novembro de 2015, milhares de mulheres tomaram as ruas do país em prol da igualdade de gênero e em luta contra a violência e a opressão.

Faye Harrison é professora da Universidade de IIlinóis

Faye Harrison, professora da Universidade de IIlinóis, EUA, e importante nome dos estudos sobre mulheres e gêneros também esteve no evento. “Existe um completo silêncio  e um apagamento da parte ética da história do desenvolvimento da antropologia nos EUA, assim como na antropologia mundial, que, basicamente trataram indígenas, afrodescendentes como objetos de estudo, fontes de novos dados, em vez de sujeitos intelectuais, capazes de retribuir  como interlocutores, capazes de contribuir como parceiros dentro da antropologia profissional. Ela presidiu a International Union of Anthropological & Ethnological (IUAES) de 2013 a 2018.

O evento foi coordenado pelo Grupo de Estudos Feministas em Política e Educação (GIRA/UFBA) em parceria com os programas de pós-graduação em Antropologia (PPGA), em Estudos Interdisciplinares em Mulheres, Gênero e Feminismo (PPGNEIM) e em Estudos Étnicos e Africanos (Pós-Afro). Mais informações: http://www.womeninanthropology.ufba.br.

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