UFBA sedia seminário de Filologia e contribui para a formação de pesquisadores

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Comissão organizadora do IX SEF: professoras Fabiana Prudente, Eliana Brandão, Rosa Borges, Alícia Lose, Célia Telles, Risonete Batista, Lívia Magalhães e Alvanita Almeida.

A Universidade Federal da Bahia sediará de 5 a 7 de setembro o Seminário de Estudos em Filologia (SEF), evento que  se constituiu como espaço de debates visando à difusão das pesquisas em Filologia e formação de docentes pesquisadores, dedicados à área em universidades baianas, entre elas a própria UFBA e as universidades Estadual de Feira de Santana (UEFS), do Estado da Bahia (UNEB) e Católica do Salvador (UCSal).

A realização do SEF desde 2006 e a atividade de vários pesquisadores da área em seu Instituto de Letras, contribuíram para que a UFBA se tornasse “referência nos estudos filológicos, já que várias instituições tradicionais de outros estados fecharam suas cadeiras de Filologia e a disciplina deixou de existir nos currículos dos seus cursos de Letras”, assegurou a diretora do Instituto de Letras da UFBA e pesquisadora da área, professora Risonete Batista.

Nesta nona edição em que o tema será a Filologia em diálogo: descentramentos culturais e epistemológicos, o evento destacará diferentes perspectivas dos estudos filológicos, pensadas, também, em função dos descentramentos necessários aos estudos contemporâneos, distribuídos nos seguintes eixos que se relacionam à área: teorias e práticas editoriais; História da Língua; literatura, ensino, memória, humanidades digitais e questões teóricas da contemporaneidade.  Nesta edição, a abertura contará com a conferência “Linguística Românica: um olhar sobre o que fazemos”, proferida pela docente mais antiga em atividade na área, a professora decana do ILUFBA, Célia Telles, que abordará aspectos históricos que consolidaram a área na Bahia.

O IX SEF, cuja expectativa da comissão organizadora é reunir cerca de 300 pesquisadores da Bahia e de outros estados, também homenageará a pioneira, professora Rosa Borges, pelos seus 28 anos de ensino de Filologia na UFBA e exercício como docente e pesquisadora que contribui para ampliar o diálogo entre campos de saber e descentramentos epistemológicos através da Filologia”.  Integrante do grupo de pesquisadores da unidade, Borges realiza pesquisa em textos do teatro baiano que foram censurados na década de 1970, época da ditadura militar.

Tais pesquisas são relevantes porque “impedem que possamos acreditar nos textos deslocados da materialidade da forma que eles foram produzidos”, afirma a professora Fabiana Prudente, também organizadora do IX SEF.  Para ela, “é significativo voltar a fazer pesquisa nas fontes primárias que podem servir de base para a fomentação de outras pesquisas em diversas áreas que se utilizam de registros documentais”.

O Seminário de Estudos Filológicos é um evento bienal que visa trazer à tela pesquisas no campo da Filologia e de áreas afins. A proposta do SEF se ancora na memória da Semana de Filologia Românica realizada em 1964 e dos Seminários de Filologia Românica, realizados dos anos 1960 aos anos 1990, pelo pioneiro professor Nilton Vasco da Gama, emérito da Universidade Federal da Bahia e fundador da cadeira de Filologia Românica desta universidade.

O evento assumiu o caráter itinerante, ocupando as diferentes universidades da Bahia. Ano a ano foram propostos temas pertinentes aos debates contemporâneos em Filologia, que passamos a elencar: em 2007, Filologia e História: múltiplas possibilidades de estudo, sediado na UEFS; em 2008, A Filologia e a preservação do patrimônio Cultural escrito: arquivos, acervos, edições e estudos, que teve lugar na UFBA; em 2009, Filologia e estudos da linguagem: o léxico em questão, na UCSal; em 2010, Filologia: diálogos possíveis, nas Faculdades São Bento. A partir de então, optou-se pela realização bienal do evento.  Mais informações sobre o IX SEF em http://www.studia.ufba.br .

 

Forte tradição filológica na Bahia

Como ciência que se ocupa do estudo científico do desenvolvimento de uma língua ou de famílias de línguas, em especial à pesquisa de sua história morfológica e fonológica, baseada em documentos escritos e na crítica dos textos redigidos nessas línguas, a Filologia “fala de história, literatura, língua, questões culturais, memória, passado presente e mexe com o deslocamento entre passado e presente que é atualizado com nossas práticas de leitura, segundo a  professora Rosa Borges.  “Ela possibilita ler a história de sua sociedade a partir dos documentos que trabalhamos”, acrescentou.

Atualmente, na universidade Federal da Bahia, todos os trabalhos e projetos da área, estão concentrados em duas linhas: mudanças linguísticas na românica e crítica textual, informou a docente mais antiga na área, Célia Telles.  Ela conta que a Filologia sempre esteve nos cursos de Letras da UFBA, nas línguas neolatinas e clássicas, desde a década de 1950, tempo do pioneiro professor Costa Varges, responsável pela formação do pesquisador Vasco da Gama, primeiro da cursar Filologia românica, em Paris, nos idos de 1954.

De acordo com ela, em 1955, aconteceu o I Simpósio de Filologia Românica no Rio de Janeiro e na volta, Gama assumiu a respectiva cadeira na UFBA. Em 1972 houve a reforma dos cursos de Letras, na universidade e, no ano seguinte (1973), entraram as primeiras turma das Letras Vernáculas, cerca de 70 estudantes, que fariam a disciplina obrigatória e anual de Filologia Românica, dividida em duas partes – teórica e prática, disse Telles.

Após outra reforma da Universidade, ela se transformou em quatro disciplinas obrigatórias que continuam até hoje nos cursos de Letras. Em 1976 com a criação do programa de pós-graduação, uma das sub-áreas era filologia românica e a partir de 1995, ficou com uma linha independente até hoje, na pós-graduação, lembrou a docente. “Poucas universidade ocupam-se desse campos de estudos, mas até hoje, nós da UFBA, valorizamos as pesquisas neste campo, concentradas na área da pós-graduação História e Funcionamento das Línguas naturais, na qual a Filologia é uma linha forte onde estão os pesquisadores do CNPQ.

De acordo com a pesquisadora Alícia Duhá Lose, que trabalha com a pesquisa dos acervos históricos do Mosteiro de são Bento, “o trunfo para continuar mantendo a área viva e tornar-se uma referência nacional, foi a capacidade das pesquisadoras da UFBA de acompanhar o tempo com pesquisa claras e objetivas, mediante a captação de recursos e realização de eventos. O campo tornou-se uma área viva e formadora de pesquisadores. Inovando, mudando os suportes, inclusive realizando trabalhos que utilizam o suporte da Internet”, concluiu Lose.

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