Um modelo de segurança em conformidade com o espírito da Universidade

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O ponto de partida da política de segurança de uma grande universidade pública como a UFBA deve ser a defesa de valores como abertura, acolhimento, generosidade e reconhecimento, que conformam a essência de uma instituição dessa natureza. Para garantir esses princípios, é certamente indispensável o investimento em vigilância e monitoramento, iluminação e zeladoria, em paralelo ao estímulo contínuo à promoção de atividades científicas, culturais e artísticas, ao diálogo com a comunidade no seu entorno e políticas especiais de assistência aos membros mais vulneráveis da comunidade universitária.

Essa é, em síntese, a concepção que norteia a política de segurança da UFBA, nas palavras do reitor João Carlos Salles. “Queremos criar segurança por um método que costumo dizer que é o mais difícil, porque se baseia na ideia de que não há suspeitos ou penetras, não propõe fechar seu espaço com muros, não se pauta pelas visões de segurança do condomínio ou da cidade”, ele diz. 

O reitor ressalta que a UFBA não é e não pode ser pensada como um condomínio fechado em si mesmo, “onde um grupo de pessoas consideradas iguais se isola e passa a vigiar, identificar e filtrar penetras”.  Tampouco pode ser entendida, para construir sua segurança, como uma cidade, “onde não há fronteiras nem sentidos definidos para cada espaço, e as pessoas costumam ser tratadas previamente como suspeitos por sua aparência física, cor da pele ou determinados comportamentos”. Circular pelo campus é diferente de circular pela cidade, assim como é diferente de circular por um condomínio ou um shopping center, diz. “Na UFBA não pode haver, a priori, suspeitos nem penetras”.

Nem cidade, nem condomínio, a UFBA é antes uma comunidade, de cerca de 50 mil pessoas, “múltipla e diversa por definição, cujo traço em comum deve ser somente a natureza das atividades – de gestão, ensino, pesquisa e extensão universitária – que cada grupo ou indivíduo desenvolve no espaço acadêmico”.

Para estimular que uma comunidade tão grande e diversa ocupe intensamente o campus e seja capaz de reconhecer a si mesma, a administração precisa conceber e propor ao mesmo tempo novas práticas culturais, de que são grandes exemplos os congressos da UFBA ou o acolhimento no espaço da universidade de um evento como o Fórum Social Mundial, e novos mecanismos, como o UFBACard ou os adesivos de identificação de veículos, o programa de iluminação e de poda de árvores e limpeza (ver http://www.edgardigital.ufba.br/?p=9325, http://www.edgardigital.ufba.br/?p=9253 e http://www.edgardigital.ufba.br/?p=9015). 

A UFBA investe, atualmente, cerca de R$ 20 milhões por ano – aproximadamente 10% de seu orçamento de custeio – em um contrato de vigilância. E, ao contrário do que muitos acreditam, tal contrato prevê sim, além da segurança dos prédios e bens materiais, a proteção à integridade das pessoas. Atuam nas áreas da UFBA 409 agentes, além de 387 porteiros e 150 recepcionistas, ou seja, aproximadamente mil pessoas, que, em conjunto, ocupam o território do campus para deixá-lo mais seguro. Há uma rede de 596 câmeras de videomonitoramento, isto é, em média, uma câmera a cada 568 metros quadrados de área construída, que tem ajudado a inibir crimes e a identificar rapidamente quem, infelizmente, os comete dentro de um campus.

No entorno dos campi, uma parceria com a Secretaria de Segurança Pública garante rondas policiais. E essas devem se intensificar, sobretudo nos pontos já identificados como de maior risco. Entretanto, parte essencial da política de segurança da UFBA consiste em ações voltadas à sua ocupação permanente pela comunidade universitária e pelas comunidades da cidade. Além dos grandes eventos, desde 2016 foram apoiados 97 apresentações artísticas e 83 eventos culturais estudantis pela pró-reitoria de Extensão, que em breve lançará um novo edital voltado à ocupação de espaços ociosos na UFBA por propostas criativas, como saraus, exibição de vídeos, atividades esportivas e o que mais a imaginação permitir, visando a “espantar a grande praga da monotonia”, como afirma a pró-reitora Fabiana Britto.

A Ouvidoria, com mais de 1200 manifestações atendidas por ano, e o Psiu!, com 700 casos em oito meses, vêm acolhendo vítimas de violência física e psíquica, e a Proae apoia os estudantes em situação de insegurança alimentar com mais de 7.500 auxílios-alimentação por ano. “É preciso ter em mente uma concepção de segurança generosa”, diz o reitor, “capaz de pensá-la de forma mais abrangente,  descartando a mentalidade imediatista e, a rigor, reacionária de quem, baseado em uma ilusão de assepsia, adere a pedidos de militarização e controle mais excludente do trânsito pela universidade”.

Segurança, na concepção da reitoria da  UFBA, não é um problema que se resolve de uma vez só, com respostas imediatistas, para nos vermos livres de uma situação desagradável. “É um tema que exige atenção e trabalho constantes, espírito militante e renovação diária do sentido do que é ser universidade”, afirma o reitor.

 

 

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