Reflexões sobre o panorama político e intensa atividade cultural no Congresso UFBA 2018

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Como no ano passado, esperam-se três dias fervilhantes nos debates de temas atuais e nas atividades culturais

Debates sobre democracia, organização do estado, defesa da universidade pública, direitos humanos, entre outros temas decisivos  na atual conjuntura, mais apresentação de resultados de trabalhos de pesquisa, atividades de extensão e uma vasta grade de apresentação de performances artísticas vão marcar os três dias do Congresso da Universidade Federal da Bahia em 2018, de 16 de outubro, terça-feira, a 18, quinta desta semana.

A cerimônia de abertura vai acontecer na terça-feira às 18 horas, no Teatro Castro Alves, começando por uma apresentação da Orquestra Sinfônica da UFBA. Na programação, a estreia de Alá, de Paulo Costa Lima, Bachiana brasileira no 2, de Heitor Villa-Lobos e Amálgama, de Luã Almeida. . Depois da composição da mesa, presidida pelo reitor João Carlos Salles, e antes da conferência do professor Muniz Sodré, haverá ainda uma saudação ao público pelo mestre Nenel, capoeirista famoso, filho do mestre Bimba, criador da capoeira regional, e uma homenagem ao compositor Moa do Catendê, assassinado na noite de 7 de outubro, num episódio brutal de intolerância política que repercutiu dentro e fora do país.

Registro importante a essa altura: os convites para a cerimônia de abertura estarão disponíveis gratuitamente na bilheteria do Teatro Castro Alves a partir das 10 horas da terça-feira, até acabarem.

De volta à conferência: professor emérito da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), um dos mais respeitados teóricos da comunicação no país, estudioso da cultura e, particularmente, da cultura afro-brasileira, escritor prolífico, com incursões inclusive pela ficção, Muniz Sodré promete fazer em sua fala uma reflexão sobre o papel das instituições públicas na manutenção da cultura, na excelência da pesquisa científica e formação acadêmica.

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Muniz Sodré: um olhar para a importância das instituições públicas na cultura e na pesquisa

Com o tema “E agora, Brasil? A Universidade e os desafios desses novos tempos”, esta edição do Congresso da UFBA foi pensada em torno da necessidade de mobilizar e inspirar a construção de reflexões e debates sobre o papel da Universidade e seus atores nos dias presentes.  Por isso mesmo, a atual configuração política do cenário brasileiro e mundial norteará várias mesas.

Mas há uma multiplicidade de abordagens para dar conta dessa indagação sobre o país. Assim, a preocupação com a saúde, inclusive mental, marcará os debates da quarta-feira no salão nobre da reitoria, onde pela manhã, a partir das 9 horas o cuidado e a atenção à comunidade acadêmica estarão em cena na mesa “PSIU – estratégias para a saúde mental e o bem-estar da UFBA” Às 19 horas, o debate mira o “Impacto da austeridade fiscal na saúde dos brasileiros”, conduzido por pesquisadores do Instituto de Saúde Coletiva (ISC) e Fiocruz -Bahia: Jairnilson Paim, Maurício Barreto, Luis Eugenio de Souza e Erika Aragão.

Entre esses dois olhares para a saúde, a tarde da quarta-feira no salão nobre será ocupado por um tema especialmente caro à atual gestão da UFBA, a assistência estudantil, na mesa “Permanência como direito: o futuro da assistência estudantil nas universidades brasileiras”. Os palestrantes serão Marianna Dias, presidente da União Nacional dos Estudantes (UNE) Natan Ferreira, presidente da União dos Estudantes da Bahia (UEB), Flavia Calé, presidente da Associação Nacional de Pós-Graduandos, a deputada Alice Portugal, o deputado José Neto e a pró-reitora de Assistência Estudantil, Cássia Maciel.

Em paralelo, a partir das 16 horas, na sala dos conselhos, também na reitoria, será debatido “O papel da universidade na luta por memória, verdade e justiça: Observatório de Direitos Humanos na UFBA, um debate possível e necessário”. Pela manhã do mesmo dia, a partir das 10:15 horas, no auditório I do PAF V, em Ondina, terá sido realizada uma atividade reflexiva sobre “A cultura do ódio: por que nos tornamos inimigos?”, com as professoras Graça Druck e Denise Vieira, ouvidora da UFBA, entre os debatedores.

As questões de gênero e raça também serão amplamente exploradas na quinta-feira, 18 de outubro, com as mesas “Psicologia/UFBA 50 anos: mais negra do que nunca”, às 14 horas , na Escola de Nutrição, e  “Nem presa, nem morta: considerações sobre o processo de legalização do aborto no Brasil”, também às 14 horas, no salão nobre da Reitoria, quando várias pesquisadoras do ISC analisarão os argumentos a favor e contra a legalização do aborto.

Muitas mesas enfocam a importância social da Universidade e sua história, como a que trata dos “50 Anos de Pós-Graduação Stricto Sensu na UFBA: anos iniciais e tendências contemporâneas”, a partir das 9 horas da quinta-feira 18, no salão nobre da reitoria“. Os palestrantes são os ex-reitores Roberto Santos e Dora Leal Ferreira, a professora Yeda Andrade Ferreira, pioneira na implantação da pós na UFBA, os professores Carlos Costa, Robert Verhine, Ronaldo Lopes, Thierry Lobão, Olívia Oliveira e Aldy Matos Brandão. .

Professores Dora Leal Rosa e Robert Verhine trabalham na pesquisa sobre a história da Pós-graduação na UFBA

A ex-reitora Dora Leal Rosa coordena as atividades sobre os 50 anos da pós-graduação.

As questões de gênero e raça também serão amplamente exploradas com as mesas “Psicologia/UFBA 50 anos: mais negra do que nunca”, às 14h, na Escola de Nutrição, no dia 18/10 e  “Nem presa, nem morta: considerações sobre o processo de legalização do aborto no Brasil” em que várias pesquisadoras do Instituto de Saúde Coletiva da UFBA analisarão a legalização do aborto e diferentes argumentos a favor e contra, às 14h do dia 18/10, no salão nobre da Reitoria.

Traços da contemporaneidade

Temas contemporâneos como direito e meio ambiente marcarão o debate “Os Direitos da Mãe Terra: uma análise dos povos e comunidades tradicionais da América Latina”, no auditório da Faculdade de Direito, às 9 horas da quarta, 17, conduzido pelo diretor da casa, Júlio Rocha, e outros juristas em torno do saber ambiental dos povos e comunidades tradicionais e a preservação da biodiversidade na América Latina.  Outro exemplo é o da mesa   “Desafios da microbiologia neste século XXI com a análise de doenças negligenciadas, zoonoses, uso de Big Data para responder a questões importantes para a sociedade, biotecnologia e interdisciplinaridade”, às 14 horas, na Faculdade de Farmácia, em Ondina.

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A memória das lutas estudantis na UFBA será resgatada em mesa de debates.

Vale incluir nesses debates contemporâneos, as inquietações em torno da “Ética, privacidade e confidencialidade das informações em saúde”, às 14h no auditório Magno Valente da Escola Politécnica, na quarta,17. No mesmo espaço, no dia seguinte, merece destaque o debate de propostas fomentadas pelos professores visitantes na UFBA na mesa  “Desafios da pesquisa em engenharia química no Brasil” e “Ferramentas para a ciência forense”, respectivamente às 9 e às 14h horas.  Já  a mesa sobre “A bioinformática e seu potencial para resolução de problemas relevantes para a saúde pública do Brasil”, acontrecerá no auditório do ISC, às 19:15 horas.

O protagonismo estudantil também estará em foco com a realização da mesa “Resgatando Memórias do Movimento Estudantil da UFBA: DCE, Universidade e lutas” com a participação de estudantes e professores da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, às 9 horas, da quinta-feira, 18, na sala dos conselhos, na reitoria.  Já às 9 horas da quarta-feira acontece no auditório A do PAF I. a mesa “Evasão, sucesso e fracasso estudantil na Universidade e a proposta da Orientação Acadêmica na UFBA”.

Os servidores técnico-administrativos também discutirão demandas relativas à categoria, propostas por membros do Sindicato dos Trabalhadores Técnico-Administrativos em Educação das Universidades Públicas Federais no Estado da Bahia  (Assufba), no auditório do PAF III, no dia 17.  Às 9 horas haverá a mesa “Inclusão & Acessibilidade na UFBA: um olhar técnico administrativo” e, a partir das 14 horas, o debate sobre os impactos da implantação dos turnos contínuos na mesa “Cultura, relações e transformações no mundo do trabalho: impactos da implantação dos turnos contínuos na Universidade Federal da Bahia.

 

Programação cultural está intensa e distribuída por vários espaços 

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A Zambiapunga é uma manifestação da cultura popular, do município de Nilo Peçanha, que estará na Praça das Artes durante o Congresso da UFBA.

Depois da participação da Orquestra Sinfônica da UFBA,, sob a regência do maestro José Maurício Brandão, na abertura do congresso, a música erudita prossegue em alta. No salão nobre da reitoria, na quarta-feira, o Quarteto Metamorfosis, formado por professores da Escola de Música, apresentam A última flor, de Ernst Widmer, canção da década de 1970 que reflete o cenário de sobrevivência de uma flor em meio a um conflito bélico, “numa analogia oportuna com as disputas políticas em nossos dias”, na visão do coordenador de extensão da Pró-reitoria de Extensão, professor Guilherme Bertissolo.

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A manifestação Chegança de Saubara desfilará pela Praça das Artes.

Os vários campi serão animados por intervenções itinerantes ao longo dos dias 17 e 18. Além disso, haverá dois palcos fixos, montados em frente ao Restaurante Universitário e ao Pavilhão de Aulas Glauber Rocha (PAF III), no campus de Ondina.  A visita das filarmônicas de Itiúba e a Oficina de Frevos e Dobrados do maestro Fred Dantas animarão os finais de tarde em Ondina, sempre a partir das 17h.

A cultura popular terá espaço garantido, no centro da programação da Praça das Artes.  No dia 17, com as apresentações do Au: A UFBA E os Mestres/as de Capoeira e da Cultura Popular, no palco do PAF  III, às 15 horas e a partir das 17 horas, os embalos do Micro Trio com a presença da manifestação folclórica, oriunda do município baiano de Nilo Peçanha, Zambiapunga.  No dia 18, a animação do final de tarde terá novamente o Micro Trio mais a manifestação popular Chegança de Saubara que desfilará pelas alamedas que circundam a Praça.

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O filme Redenção será exibido pelo Projeto Cinemas em Redes, no Cinema da UFBA, no Canela.

Os dias também serão marcados por várias montagens resultantes de trabalhos teatrais de docentes, estudantes e técnicos-administrativos que apresentarão suas encenações nos teatros do Movimento, Experimental e na Sala 104 do PAF 5, em Ondina e também no Martim Gonçalves, na Escola de Teatro, no Canela. As performances e instalações de dança também se farão presentes nos vários dias, com as cirandas na Praça das Ares e o Painel Performático montado pela Escola de Dança.  As exposições também vão incrementar o caldeirão científico-cultural com mostras  em espaços desde a Escola de Belas Artes até o Instituto de Geociências (Igeo).

A programação também está recheada de momentos para exibição de produções audiovisuais com mostras de documentários, curtas e longas metragens.  O filme Redenção do diretor Marcel Kunzler será exibido pelo Projeto Cinemas em Redes, gratuitamente, a partir das 19 horas, do dia 18, na SaladeArte Cinema da UFBA, no Pavilhão de Aulas do Canela.  Ao mesmo tempo, uma série de eventos performáticos acontecem, alternadamente, entre os palcos da Praça das Artes, no campus de Ondina, marcando o fechando dessa edição do Congresso da UFBA.  Confira aqui a programação completa do Congresso UFBA 2018.

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