
Oficinas “Faça você mesmo” estavam incluídas nas atividades da Expo
“Usamos a madeira, mas a intenção da Tectônica é deslanchar para outras técnicas construtivas. Buscar as referências no assunto, mestres que utilizam a madeira de forma consciente e apropriada, para aprender com eles. O trabalho é de extensão e nós estendemos a exposição do trabalho desses mestres para toda a comunidade”, explica a professora Akemi Tahara, criadora do grupo em 2014. O que moveu Akemi foi perceber a vontade dos alunos em trabalhar com prática em madeira.
Nesta semana, de 14 a 16 de dezembro, ela esteve envolvida com a coordenação da I Expo Tectônica, na Faculdade de Arquitetura. A mostra foi pensada como uma forma de mostrar o trabalho de grandes nomes do design brasileiro e o resultado das obras feitas pelos alunos da marcenaria e foi realizada em parceria com a Escola de Belas Artes da UFBA (EBA), que ajudou na programação, na indicação dos participantes da mesa e na obtenção das peças expostas, cedidas pelos donos.
“A proposta é inserir os alunos de design interior na exposição e no trabalho de extensão da Tectônica. Inclusive, temos o projeto de exposição das peças na Galeria Cañizares, no Canela, em janeiro”, diz Priscila Valente, professora de História da Arte da EBA.

Estudante de Arquitetura no ateliê da Tectônica

Zanine de Zanine: o pai tinha a aptidão de um olhar amplo exercer a profissão
Composto por palestras, lançamento de livros, mesas e oficinas Faça Você Mesmo, com a participação do público, o evento foi aberto por Zanine de Zanine com “O legado de José de Zanine Caldas e o trabalho do filho Zanine de Zanine”, que ocorreu na noite de quarta-feira, 15, no auditório de Arquitetura.
Como explicou o palestrante, José de Zanine Caldas, baiano de Belmonte, começou a experimentar a arquitetura ao abrir um ateliê de maquetes e seu maior projeto foi a maquete do Maracanã, mas a primeira construção do designer foi sua própria casa, em 1959. Em 1975, constrói uma segunda casa, dessa vez para o cineasta Antônio Carlos da Fontoura. A publicação de uma matéria sobre a sua obra na revista Projeto n. 90, em 1986, iniciou uma polêmica no Conselho Regional de Engenharia e Arquitetura (CREA), pelo fato de Zanine ser autodidata.
“Ele tinha a aptidão de um olhar amplo para exercer a profissão”, disse Zanine de Zanine. O designer contou a história de seu pai, mostrando a contribuição do maquetista e arquiteto para as artes. Zanine usava todo o material disponível, valorizando o não desperdício, além de imprimir sua personalidade e a “brasilidade” na criação das peças e no projeto das casas, duas características marcantes herdadas pelo filho. “Zazine traz a reflexão sobre como de fato você pensa a construção, a partir da execução e da prática, com consciência sobre o uso e a aplicação dos materiais”, comenta Akemi.

Da esquerda para a direita: Zanine de Zanine, Gabriel Macêdo, Naia Alban, Ariádne Rigo, Priscila Valente e Humerto Macêdo
Zanine de Zanine teve o primeiro contato com o design através do pai e cresceu vendo as suas obras. Estagiou com Sergio Rodrigues, importante designer brasileiro, e, em 2002, graduou-se em Desenho Industrial pela PUC-Rio. Em 2003, começou a fabricar móveis de madeira maciça, com peças de demolição. Passou a trabalhar com grandes marcas internacionais e obteve reconhecimento pela criatividade no uso de materiais diversos, como o metacrilato, plástico e metais, sempre utilizando referências brasileiras para desenvolver suas peças. “É necessário reconhecer a importância na trajetória de Zanine pai e o reconhecimento internacional do design brasileiro e a conquista do espaço por Zanine filho”, destacou Priscila.

