
Uma das 10 fotos do ensaio premiado de Haroldo Abrantes, retratando pescadores do bairro de Piatã lançando rede no mar. (Foto: Haroldo Abrantes)
Um ensaio fotográfico que retrata o cotidiano dos pescadores do bairro de Piatã, em Salvador, rendeu ao doutorando em antropologia pela UFBA Haroldo Abrantes o Prêmio Pierre Verger deste ano na categoria. A premiação é promovida a cada dois anos pela Associação Brasileira de Antropologia (ABA), e esta foi sua nona edição.

Cesto de pesca e puxada de rede, outra imagem do ensaio premiado de Haroldo Abrantes (Foto: Haroldo Abrantes)
Com um conjunto de dez fotografias que representam o trabalho cotidiano dos pescadores do bairro, Haroldo superou sete finalistas, selecionados entre 58 trabalhos inscritos por antropólogos e estudantes de todo o país. A premiação foi entregue na Reunião Brasileira de Antropologia deste ano, em Brasília, que aconteceu entre 9 e 12 de dezembro.
O ensaio faz parte de sua pesquisa de doutorado, sob orientação do professor Fernando Firmo, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia (PPGA) da Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas, e teve como foco “mostrar a rotina de uma categoria de trabalhadores numa região que antes era de inteiro domínio da pesca, e que, agora, foi incorporado ao tecido urbano de Salvador”, explica Haroldo.
Parto em quilombos: menção honrosa
Além do ensaio de Haroldo, outro trabalho produzido no PPGA obteve destaque no evento da ABA: Naiara Maria Santana obteve menção honrosa na oitava edição do Prêmio Antropologia e Direitos Humanos, por sua dissertação de mestrado, intitulada “De canoa até o hospital: Processos de transformação e medicalização das práticas de parto em quilombos do Recôncavo Baiano”.

Trabalho de Haroldo Abrantes foi exposto na Reunião Brasileira de Antropologia, que aconteceu em Brasília, entre 9 e 12 de dezembro. (Foto: Haroldo Abrantes)
Orientado pelo professor Felipe Bruno Martins Fernandes, o trabalho buscou compreender o processo de transformação no padrão de assistência ao parto em quilombos nos municípios de Santo Amaro e Cachoeira. Realizada entre 2013 e 2016, a pesquisa teve como foco as narrativas de oito parteiras das comunidades, a partir das quais discutiu as interações entre os saberes médico-científicos e o conhecimento dito “tradicional”, em um contexto de desaparecimento da prática do parto tradicional e popularização do parto hospitalar.

